Comece pelo número que costuma travar quem está no meio de um orçamento de obra: a mesma casa de 100 m², com o mesmo padrão de acabamento, pode custar R$ 75.628 a mais dependendo do estado onde é construída.
Não é diferença de projeto, nem de gosto do proprietário por revestimento importado. É o CUB, o Custo Unitário Básico da construção civil, fazendo o que faz todo mês: medir o preço real de erguer um imóvel em cada canto do país.
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O que o CUB realmente mede (e o que ele não cobre)?
O CUB existe desde 1964, criado pela Lei Federal 4.591 para dar transparência aos contratos de incorporação imobiliária. Hoje ele segue a metodologia da NBR 12.721 da ABNT e é calculado mensalmente por cada Sinduscon estadual, com base em uma cesta fixa de materiais, mão de obra, despesas administrativas e equipamentos.
A norma define vários projetos-padrão. Para quem constrói uma casa e não um edifício, o mais relevante é o R1-N: residencial unifamiliar, padrão normal de acabamento, com projeto de referência de aproximadamente 106 m², dois dormitórios, banheiro, sala, cozinha e área de serviço. É esse índice que interessa a quem pergunta “quanto custa construir 100 m²” — e não o R8-N, usado por vários estados como referência oficial em contratos de prédios multifamiliares.
Aqui vale um alerta direto: o CUB não é o preço final de uma obra. Ele não inclui terreno, projeto arquitetônico, fundações especiais, elevador, piscina, paisagismo ou qualquer item fora da cesta padronizada da norma. Usar o CUB puro como orçamento fechado é o erro mais comum entre quem está construindo pela primeira vez.
CUB R1-N por estado em maio de 2026
Os valores abaixo são referência de maio de 2026, mês em que os cinco Sinduscons publicaram dados comparáveis para o padrão R1-N. Como o índice é atualizado todo mês até o dia 5, o valor de hoje pode já estar levemente diferente — antes de fechar contrato, confira sempre a tabela do mês vigente direto no site do Sinduscon do seu estado.
| Estado | CUB R1-N (R$/m²) | Custo estimado para 100 m² |
|---|---|---|
| São Paulo | R$ 2.609,74 | R$ 260.974,00 |
| Rio de Janeiro | R$ 2.974,01 | R$ 297.401,00 |
| Minas Gerais | R$ 3.065,77 | R$ 306.577,00 |
| Rio Grande do Sul | R$ 3.331,44 | R$ 333.144,00 |
| Santa Catarina | R$ 3.366,02 | R$ 336.602,00 |
São Paulo aparece como o estado mais barato para construir dentro dessa amostra, e Santa Catarina como o mais caro. A diferença entre os dois, nos mesmos 100 m², passa dos R$ 75 mil. É dinheiro suficiente para trocar todo o piso, a cozinha planejada e ainda sobrar caixa para o paisagismo da área externa.
Por que o Sul custa mais do que São Paulo
O erro aqui é assumir que custo de construção segue o custo de vida da capital mais cara do país. Não segue. O CUB reage principalmente a dois fatores: mão de obra e logística de materiais.
A mão de obra responde por algo entre 40% e 60% do índice, dependendo do estado e do padrão construtivo. Estados com convenções coletivas mais valorizadas para pedreiro, servente e carpinteiro puxam o CUB para cima, independentemente do custo de vida geral. É por isso que Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com mercado de construção civil aquecido e mão de obra especializada disputada, aparecem com índice mais alto que São Paulo, mesmo com custo de vida médio menor em boa parte do território gaúcho e catarinense.
O segundo fator é a distância dos polos industriais de cimento, aço e cerâmica, concentrados majoritariamente no eixo Sudeste. Quanto mais longe desse eixo, maior o custo de frete embutido no preço final do material — e isso pesa direto na conta, mês após mês.
Vale registrar também que nem todo estado usa o R1-N como sua referência oficial de divulgação. São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, publicam o R8-N (residencial multifamiliar) como índice principal em suas comunicações mensais, ainda que também calculem e disponibilizem o R1-N para quem pede a composição completa. Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por outro lado, trazem o R1-N com mais destaque nas próprias tabelas, o que facilita a comparação direta para quem está construindo uma casa térrea ou sobrado.
Como usar esse número no seu orçamento
O CUB funciona bem como ponto de partida, nunca como resposta final. Para chegar perto do custo real de uma obra, o caminho técnico é: multiplicar o CUB do estado pelo coeficiente de padrão do projeto (baixo, normal ou alto, geralmente entre 0,90 e 1,30) e depois somar o BDI — Benefícios e Despesas Indiretas, que cobre administração, impostos e margem da construtora, normalmente entre 20% e 28% em obras residenciais privadas.
Numa casa de 150 m² em padrão médio-alto no Rio Grande do Sul, por exemplo, a conta ficaria assim: R$ 3.331,44 × 1,20 (coeficiente) × 150 m² = R$ 599.659,20 de custo técnico. Aplicando um BDI de 25%, o preço final sobe para cerca de R$ 749.574. É esse tipo de cálculo, e não o CUB isolado, que evita a surpresa desagradável no meio da obra.
Quem está no início do planejamento também deve lembrar que o CUB oficial de cada estado sai sempre até o dia 5 do mês seguinte, direto no site do Sinduscon local. Guardar essa data no calendário é mais útil do que qualquer planilha genérica encontrada pela internet, porque garante que o custo por metro quadrado usado no orçamento reflete a realidade do mês, e não uma média desatualizada.
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