Quem já esteve perto de fechar um terreno sabe: a pressão para decidir rápido é real e o que poucos consideram é que, nesse momento específico, um arquiteto pode ser mais valioso do que qualquer outro consultor envolvido na negociação .
Essa é a lógica que orienta o trabalho das arquitetas Vanessa Paiva e Claudia Passarini, sócias do escritório Paiva e Passarini Arquitetura. Para elas, a contratação de um arquiteto não começa quando as paredes já subiram, começa antes mesmo da compra, da assinatura e até mesmo do entusiasmo ceder lugar ao arrependimento.
“Quando o cliente considera a nossa participação desde essa fase, promovemos uma análise e entregamos os prós e contras para uma tomada de decisão assertiva antes do fechamento do negócio”, explicam as profissionais.
Essa abordagem muda completamente a equação financeira de uma construção ou reforma. Um terreno com desnível acentuado pode parecer atraente pelo preço, mas a movimentação de terra necessária para nivelar o espaço eleva o custo de execução de forma considerável. Sem esse olhar técnico antecipado, o comprador fecha o negócio sem dimensionar o real investimento que virá na sequência.
Sobre o especialista
Vanessa Paiva e Claudia Passarini, são formadas há mais de duas décadas, as duas profissionais se conheceram durante a faculdade e consolidaram uma parceria de grande sucesso no mercado de arquitetura de alto padrão
O terreno ideal não existe. Existe o terreno mais viável
A avaliação que as arquitetas realizam antes da compra vai além do óbvio. Ela inclui a posição solar do lote (geralmente a face Norte é a mais buscada por receber maior incidência de luz durante o dia), a análise de infraestrutura disponível, acessos e especificidades que impactam diretamente o orçamento de obra.
“Em um terreno onde haverá necessidade de grandes movimentações de terra em função de desníveis, essa etapa encarece o custo de execução”, especifica Vanessa Paiva.
O mesmo raciocínio se aplica a imóveis prontos, pois quando o cliente já adquiriu um apartamento ou casa para reforma, as arquitetas antecipam dilemas de infraestrutura que precisarão ser refeitos: instalações hidráulicas defasadas, elétrica subdimensionada, estruturas que exigem intervenção. Tudo isso ganha visibilidade antes de qualquer decisão sobre o projeto arquitetônico.
Claudia Passarini faz questão de esclarecer que ser contratada após a compra não é um problema sem solução. “Desse capítulo em diante, trabalhamos para extrair o melhor do terreno ou da edificação”, afirma. O argumento não é que a contratação tardia seja um erro irreparável. É que a antecipação elimina surpresas que nenhum orçamento consegue absorver sem estresse.
Resolução de problemas: a parte que ninguém vê no projeto finalizado
O projeto arquitetônico bem executado é invisível para quem mora no resultado. Ninguém percebe o ponto exato onde a tubulação hidráulica foi redirecionada para não interferir na estrutura. Ninguém nota a decisão que impediu um móvel de bloquear a ventilação natural do ambiente. O trabalho técnico funciona exatamente quando passa despercebido.
“Partimos do princípio que precisamos resolver questões e, sobretudo, antever situações que, se não ajustadas, certamente serão adversidades futuras. É com esse compromisso que atuamos para encontrar respostas criativas e funcionais”, dizem as especialistas.
Na prática, isso significa cuidar das instalações de hidráulica e elétrica, definir o revestimento adequado para cada ambiente considerando tanto o aspecto técnico quanto o decorativo, e antecipar um detalhe que parece menor mas gera frustrações reais: a aquisição de mobiliário que não cabe no espaço projetado.
“Colocando na ponta do lápis, a lista é enorme e sem o conhecimento técnico, fica difícil conciliar tudo sozinho”, enumera Vanessa.
O estilo do morador importa, mas o Pinterest não é a vida real
Parte significativa do trabalho de um arquiteto de interiores é traduzir referências visuais em projetos executáveis. Claudia ressalta que escutar o cliente vai além de entender o gosto estético: “Precisamos ouvir o que nosso cliente espera sobre a funcionalidade, o que ele precisa e também compreender seus gostos e preferências”.
Vanessa acrescenta um ponto que raramente é dito com tanta clareza no mercado: “Referências encontradas na internet são valiosíssimas, porém a vida real não está naquilo que encontramos no Pinterest ou Instagram”.
Contudo, essa afirmação não é uma crítica às redes sociais, é apenas uma observação técnica precisa. Afinal, fotografias de projetos publicados online são produzidas em condições ideais, com iluminação controlada, sem o mobiliário do uso cotidiano e, frequentemente, em espaços que não correspondem à metragem ou à orientação solar do imóvel do cliente. O projeto personalizado parte das referências, mas não se limita a elas e essa diferença define o resultado final.
Equilíbrio cromático e proporcionalidade
O grande erro aqui não está na escolha de uma cor isolada. Está na ausência de critério para combiná-las. Sem a análise do círculo cromático e a dosagem correta de tons, o projeto que parecia referenciado em boas imagens se transforma em um ambiente visualmente desconfortável para viver.
“Os erros de projeto tanto atrapalham a vida do morador como trazem desconforto pelo visual ou a sensação de se estar em determinado ambiente. Essa equação é particularmente desafiadora, mas o profissional de arquitetura tem bagagem para que isso não aconteça”, observa Claudia Passarini.
A parcimônia no uso de materiais de revestimento, a proporção entre elementos marcantes e superfícies neutras, e a coerência entre o estilo do morador e as normas construtivas são aspectos que o arquiteto equilibra de forma integrada. Não como checklist, mas como parte de uma leitura completa do espaço.
Acompanhamento de gastos: o projeto executivo como ferramenta financeira
Com o projeto executivo detalhado, Vanessa e Claudia conseguem entregar ao cliente uma estimativa de custo próxima da realidade. Não uma promessa de ausência de imprevistos (esses existem em qualquer obra), mas a eliminação da incerteza que transforma a reforma em fonte permanente de preocupação.
“Por termos um detalhamento muito preciso, conseguimos entregar para o cliente um custo muito próximo da realidade. Um imprevisto ou outro pode acontecer, mas de forma alguma o investimento final deve ser uma caixinha de surpresas”, conclui Vanessa.
Aliás, esse talvez seja o argumento mais subestimado na hora de justificar a contratação de um arquiteto, deixando de lado apenas a ideia sobre estética ou funcionalidade. É sobre ter controle real sobre o próprio investimento, desde a análise do terreno até a última etapa da obra.
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