Como valorizar o projeto do living

Qual o segredo para caprichar no décor da área de estar? A arquiteta Gleuse Ferreira compartilha sua visão sobre como conquistar ambientes acolhedores e harmônicos

Como valorizar o projeto do living

Pé-direito duplo, sofá em ‘L’ e um tapete que abraça todo o ambiente foram os elementos que valorizaram este living assinado pela arquiteta Gleuse Ferreira | Foto: Mathews Montalvão

Transformar o living no cartão de visitas da casa continua sendo um dos desafios dos projetos de decoração e arquitetura de interiores. Em um mundo que valoriza cada vez mais espaços personalizados, multifuncionais e confortáveis, como alinhar essas demandas e projetar uma sala de estar que seja ao mesmo tempo prática, elegante e acolhedora?

Para a arquiteta Gleuse Ferreira, à frente do escritório homônimo, não há fórmulas prontas. Segundo ela, o segredo está no equilíbrio. “Alguns elementos são indispensáveis para um bom projeto de living, como iluminação bem planejada, uma paleta de cores harmônica e o uso inteligente de texturas e materiais que agregam valor estético e sensorial ao espaço”, destaca a profissional.

Ela defende uma arquitetura flexível, desgarrada de regras rígidas. “A casa deve refletir a personalidade de quem vive ali. A função do arquiteto e do designer de interiores é justamente ajudar o cliente a fazer escolhas assertivas que expressem sua identidade”, afirma.

Papel das cores

As cores exercem influência direta sobre o clima do ambiente. Combinadas com outras nuances, elas despertam sensações e transmitem mensagens. “Mais do que refletirem nosso humor, as cores comunicam intenções. Elas ajudam a traduzir o conceito por trás do projeto”, explica Gleuse.

Neste projeto, a arquiteta Gleuse Ferreira apostou em um sofá de design minimalista e cor terrosa no tecido, em contraponto aos demais elementos de serralheria e à iluminação aparente, que remetem ao estilo industrial | Foto: Mathews Montalvão

A arquiteta dá alguns exemplos. Segundo ela, geralmente tons claros são excelentes para refletir luz, favorecendo a iluminação natural e propiciando a sensação de amplitude. Tons escuros, por outro lado, estão comumente associados à ideia de sofisticação e aconchego, quando bem equilibrados. Eles evocam uma imagem de autoridade, mas também de elegância, agregando profundidade e personalidade ao espaço.

As cores quentes, especialmente os tons terrosos, também têm ganhado destaque. “Elas aquecem o ambiente e promovem uma sensação de conexão com a natureza, tornando o living mais convidativo, acolhedor e enérgico”, completa.

O papel da iluminação

Inspirado nos balões de São João, a luminária selecionada pela arquiteta Gleuse Ferreira em seu projeto feito para CASACOR São Paulo 2025 assume dois papéis: um funcional e um estético, homenageando a tradição nordestina das festas juninas | Foto: MCA Estúdio

Segundo Gleuse, a iluminação precisa ser entendida de duas formas. A luz natural carrega a função de valorizar o espaço e propiciar bem-estar. “A luz natural valoriza o espaço e promove bem-estar. Já a iluminação artificial, quando bem planejada, cria atmosferas diversas, unindo estética e funcionalidade. Por exemplo, uma luz pontual de luminária tem caráter funcional, enquanto uma luz difusa e indireta traz mais aconchego e intimismo ao ambiente”, explica.

Importância dos revestimentos

Em piso, paredes ou teto, os revestimentos têm papel fundamental na definição do estilo e da funcionalidade do living. 

“Além de trazerem textura e conforto térmico e acústico, ajudam a valorizar elementos arquitetônicos e a imprimir personalidade ao ambiente”, comenta a arquiteta.

Obras de arte

Obras de arte contribuem significativamente para a valorização do projeto; elas dão identidade, expressão cultural e emoção ao espaço. Uma obra bem escolhida transforma o living, tornando-o único e indo além da decoração para se tornar parte da narrativa do ambiente.

A obra do artista visual e grafiteiro carioca Marcelo Eco, feita exclusivamente para o ambiente da CASACOR São Paulo 2025 da arquiteta Gleuse Ferreira, foi o ponto focal da área de estar. A pintura traz um efeito tridimensional que oculta a imagem de Lampião, figura central do espaço da arquiteta, que é também bisneta do cangaceiro | Foto: MCA Estúdio

Gleuse conta que acompanha clientes em visitas a galerias ou feiras para garantir uma escolha autêntica e com significado pessoal. 

“Penso que a obra deve seguir o perfil de cada pessoa e o conceito do projeto, buscando peças que dialoguem com o estilo, cores e proporções do living”, considera. Para ela, o ideal é que a arte se integre ao ambiente e, ao mesmo tempo, se destaque como ponto de expressão visual.

Outros cuidados essenciais

A integração dos ambientes é outro recurso valorizado por Gleuse. Além de favorecer a iluminação natural e a ventilação, ela amplia visualmente o espaço e melhora a circulação.

A escolha do mobiliário também requer que seja estratégica, segundo ela. “Sofás, poltronas, mesas de centro ou de apoio, aparadores e outros adereços devem ser pautados pelo conforto e precisam ser proporcionais ao ambiente”, pontua.

O espaço da arquiteta Gleuse Ferreira, denominado ‘Meu Verde, Meu Sertão’, consistiu na bilheteria da CASACOR São Paulo 2025, que trouxe também a integração com uma área de estar. A escolha de um mobiliário orgânico (Full House), a maioria assinada pela designer Roberta Banqueri – sofá, mesa de centro e poltrona (na foto à direita) –, conferiu leveza e dinamismo. Para ganhar textura, Gleuse utilizou desde plantas até obras de arte e objetos do seu acervo pessoal | Fotos: MCA Estúdio

Na decoração, Gleuse sugere se atentar às texturas: tapetes, almofadas, mantas e outros objetos enriquecem o espaço e reforçam a sensação de conforto. Plantas e materiais naturais, como linho e couro, contribuem e agregam aconchego.

Outra sugestão da arquiteta é o uso de elementos afetivos, como livros, obras de arte de herança familiar e objetos pessoais. “Eles humanizam o espaço e o tornam carregado de memórias e histórias”, observa.

Afinal, o que deve predominar?

Gleuse reforça que o sucesso do living está na harmonia entre todos esses elementos. “Nenhum deve se sobrepor excessivamente; cores, mobiliário, arte e iluminação precisam dialogar de forma harmônica para criar um living funcional, acolhedor e com identidade. O protagonista do espaço deve ser o conjunto bem integrado, guiado pelo estilo de vida e pela personalidade de quem o habita”, conclui.

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