Cama errada, quarto errado: arquiteta explica por que a escolha começa antes do colchão
Antes de pensar em densidade de espuma ou tecido da cabeceira, existe uma conta que decide se o quarto vai funcionar ou vai travar a circulação e ela raramente é feita
A cama ocupa mais espaço que qualquer outro móvel do quarto. Por isso, ela precisa ser decidida antes, não depois. É esse o ponto de partida da arquiteta Patricia Penna, à frente do escritório Patricia Penna Arquitetura & Design, ao tratar da escolha de cama e cabeceira em projetos de decoração de quarto.
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“Por, normalmente, ocupar um espaço maior que as demais peças, é fundamental que a cama esteja em harmonia com os demais elementos do quarto, como materiais e acabamentos aplicados”, afirma.
A regra prática é direta: 60 centímetros. Essa é a distância mínima de circulação que precisa existir entre a cama e qualquer parede ou móvel confrontante, segundo a arquiteta. Em quartos com pouco espaço, esse número muda completamente o tamanho de cama que pode ser considerado e é o primeiro cálculo que costuma ser ignorado antes da compra.
Sobre o especialista
Patricia Penna, é uma arquiteta com quase 30 anos de atuação no mercado, que desenvolve projetos de alto padrão que integram funcionalidade, estética e sofisticação
Prático primeiro, estético depois
Existem dois critérios na escolha da cama, e a ordem entre eles não é opcional. O primeiro é o aspecto prático, ligado diretamente ao bem-estar e ao descanso. O segundo é o aspecto estético, que define o papel da cama na composição do décor do quarto.
Com cabeceira estofada em um tom creme e parede revestida com um sofisticado painel de madeira clara, a cama dá o tom da decoração do resto do quarto e harmoniza com os outros elementos do dormitório do casal, como as mesas de cabeceira pretas e a calçadeira, em tom análogo a cabeceira | Projeto: Patricia Penna Arquitetura & Design | Foto: Leandro Moraes
“O aspecto prático considera questões como a ergonomia geral, altura final, comprimento x largura, além dos materiais e a segurança do design. Costumo dizer que o trabalho vai muito além de simplesmente escolher a densidade do colchão, que já é importante”, explica Patricia.
Depois de resolvida a parte técnica, entra a função estética. Aqui, a cama deixa de ser apenas estrutura de descanso e passa a comandar a composição do quarto.
“Sob esta ótica, a cama deixa de ser um elemento de função técnica e passa a ter importância e funções plásticas, podendo ser a ‘menina dos olhos’ de um quarto”, observa a arquiteta.
Vista de alguns ângulos, a cama de base recuada tem uma estrutura de aparência leve, que parece flutuar, dando mais destaque para a peça e também para o tapete, que segue a mesma base cromática do projeto | Projeto: Patricia Penna Arquitetura & Design | Foto: Leandro Moraes
Isso aparece de formas diferentes conforme o projeto. Uma cabeceira estofada em tom neutro pode dar o tom cromático de todo o dormitório, dialogando com painéis de madeira e mobiliário complementar. Já uma cabeceira em fibra natural, com trama tipo malacca, cria uma composição mais orgânica, adequada a projetos com apelo natural e materiais crus.
O gosto pessoal manda, mas dentro de limites técnicos
Para Patricia, a cama precisa representar o gosto de quem vai usá-la, mais do que qualquer outro item do projeto. Quando o cliente já tem uma cama definida ou quer manter um modelo anterior, o restante do projeto é desenhado em função dela, não o contrário.
Exemplificando tanto o aspecto prático quanto o estético, esse projeto de dormitório de uma casa de veraneio ganhou uma cama com cabeceira de fibra natural, em trama de “malacca”. A composição harmoniza com a parede que possui um papel de parede e com a mesa de cabeceira e abajur mais minimalistas e com estética natural | Projeto: Patricia Penna Arquitetura & Design | Foto: Leandro Moraes
“Já tivemos clientes que queriam manter a cama anterior ou nos indicaram um modelo específico que gostariam de ter no novo dormitório. Nestes casos, os demais itens virão em consonância com o móvel. O cliente precisa sentir-se bem, afinal esse é o lugar de repouso dele”, afirma a arquiteta.
Essa lógica também aparece em projetos onde a estrutura da cama cria efeitos visuais específicos. Uma base recuada, por exemplo, gera sensação de leveza e faz a peça parecer flutuar, deslocando o destaque visual para o conjunto formado com tapete e demais elementos do quarto.
A quina viva é o detalhe técnico mais negligenciado em dormitórios compactos. Camas com cantos vivos, em espaços de circulação já reduzida, aumentam o risco de acidentes, sendo um um problema que só aparece depois que o móvel já está instalado.
Com um recuo no painel da parede, uma cabeceira estofada e luminárias em formatos orgânicos, o dormitório ganhou uma atmosfera especial e única, trabalhando a volumetria dentro do cômodo. Na cabeceira estofada foram instaladas entradas para tomadas e interruptores, deixando o ambiente mais prático e funcional | Projeto: Patricia Penna Arquitetura & Design | Foto: Leandro Moraes
“É preciso que haja uma circulação de, no mínimo, 60cm entre a cama e qualquer outra peça, ou parede, confrontante”, reforça Patricia. A recomendação da arquiteta para esses casos é considerar modelos com cantos arredondados ou estruturas que reduzam esse risco, sem abrir mão do tamanho necessário para o conforto.
O que nunca sai de moda
Sobre tendências, Patricia é direta: elas não deveriam guiar a escolha da cama. O que prevalece é o estilo pessoal, mas há uma exceção que resiste ao tempo.
O exuberante painel de madeira ripado na parede, juntamente com a cabeceira de marcenaria, transforma o dormitório em um ambiente sofisticado e elegante, inovando ao unir os acabamentos com os mobiliários | Projeto: Patricia Penna Arquitetura & Design | Foto: Leandro Moraes
“O clássico e simples sempre seguirão em alta, o que não significa que esta seja uma regra a ser seguida à risca”, finaliza a arquiteta, ao comentar que modelos de cama box com saias lisas e cabeceira seguem atemporais, independentemente de qual seja a tendência do momento.
Cláudio P. Filla
Fundador e Editor-Chefe do Enfeite Decora
Publicitário, gestor de mídias sociais e especialista em conteúdo digital sobre decoração, arquitetura, paisagismo, jardinagem e tendências para o lar.
No mercado há mais de 25 anos, a arquiteta Patrícia Penna é destaque de mostra de decorações no Brasil e no exterior. Com a equipe multidisciplinar que faz parte do escritório Patricia Penna Arquitetura & Design, assina projetos de arquitetura e design de interiores nas áreas residenciais, corporativos e institucionais.
Seu principal objetivo é atender às expectativas de cada cliente, traduzindo seus anseios e concretizando-os. Transitando por estilos variados, trabalha com grande apuro e cuidado ao lado da equipe para atingir um resultado marcado pelo ecletismo e, sobretudo, pela identificação particular de cada cliente com o seu próprio projeto.
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