O ciclame engana quem olha rápido. Parece frágil, com aquelas pétalas finas erguidas como pequenas chamas, mas é uma planta bem mais resistente do que aparenta, desde que o cultivo respeite a lógica dela, e não a lógica das plantas tropicais que dominam a maioria dos jardins brasileiros.
Isso porque o ciclame tem origem nas regiões montanhosas do Mediterrâneo, e carrega esse comportamento até hoje: floresce no frio e descansa no calor. É o oposto do que costuma acontecer com boa parte da vegetação usada em decoração de interiores, e é justamente aí que mora o principal engano de quem cultiva a espécie pela primeira vez.
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O ciclo de dormência não é sinal de planta morta
Todo ano se repete a mesma cena. Chega o verão, as folhas do ciclame começam a murchar, e o dono da planta já sai correndo atrás de regar mais, adubar mais, tentar reanimar a moita. O resultado costuma ser o oposto do esperado.

A queda das folhas nessa época faz parte do ciclo natural da espécie. O ciclame entra em dormência, período em que reduz praticamente toda a atividade e concentra energia no bulbo, seu órgão de reserva subterrâneo. Regar demais nessa fase não estimula a planta, apenas encharca o bulbo e abre caminho para o apodrecimento.
O procedimento correto vai na direção contrária do instinto: reduzir drasticamente a rega, deixar o vaso em local fresco e sombreado, e esperar. Quando a temperatura cai novamente, o ciclame começa a emitir folhas novas por conta própria, sinal de que o ciclo está reiniciando.
Luz indireta e rega por baixo, o combo que sustenta a floração
O ciclame não tolera sol direto nem calor excessivo, e esse é outro ponto onde muita gente erra a mão. Uma varanda voltada para leste, com luz da manhã e sombra no restante do dia, costuma funcionar bem. Já ambientes muito quentes, próximos a janelas com sol forte da tarde, tendem a acelerar o murchamento das flores.
Na hora de regar, o método por cima do vaso não é o mais indicado. O ideal é apoiar o vaso sobre um prato com água por alguns minutos, deixando que o substrato absorva a umidade por baixo. Essa técnica evita que a água acumule no centro da planta, região onde costumam surgir fungos e o início do apodrecimento do bulbo.
Durante a floração, a rega pode ser um pouco mais frequente, sempre observando a drenagem. Já na dormência, o solo deve ficar quase seco, como se a planta estivesse em repouso mesmo.
O que fazer para o ciclame voltar a florir
Aqui está o ponto que mais interessa a quem já passou pela frustração de ver o vaso cheio de folhas, mas sem uma única flor. Três fatores precisam estar alinhados ao mesmo tempo: temperatura entre 10 °C e 20 °C, boa luminosidade indireta e adubação equilibrada.

A adubação deve ser feita a cada 15 dias durante o período ativo, com fertilizantes ricos em fósforo e potássio. Esses dois nutrientes favorecem diretamente a formação dos botões florais. O nitrogênio em excesso, por outro lado, empurra a planta para produzir mais folhagem e menos flor, então vale moderar esse tipo de adubo.
Depois da dormência, o replantio em substrato novo, rico em matéria orgânica, costuma dar um fôlego extra ao ciclame. A troca de terra estimula raízes mais fortes e favorece o surgimento de novas brotações, preparando a planta para o próximo ciclo de floração.
O ciclame funciona bem em ambientes internos?
Funciona, e é justamente essa uma das razões pelas quais ele ganhou espaço na decoração de ambientes internos. Por gostar de luz difusa e clima ameno, o ciclame se adapta bem a aparadores, mesas de centro e lavabos, trazendo cor sem exigir grandes janelas ou muito sol.
Ambientes abafados, como cozinhas sem ventilação ou banheiros fechados, tendem a acelerar o desgaste da planta, então o cuidado deve ser redobrado nesses casos. O uso de pratinhos sob o vaso continua valendo, contanto que o excesso de água seja descartado depois da rega, evitando que fique parado ali por horas.
Atenção com pets e crianças pequenas
Apesar de decorativo, o ciclame contém substâncias tóxicas quando ingerido, principalmente na região do bulbo. O contato direto pode provocar náuseas em animais domésticos e em crianças pequenas que costumam levar objetos à boca.
Por isso, em casas com pets ou crianças pequenas circulando, o vaso deve ficar em um local fora de alcance, como prateleiras altas ou aparadores, garantindo que a planta continue sendo só um elemento de beleza no ambiente, sem virar motivo de preocupação.
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