A Casa Pitanga manteve apenas os pilares de concreto da construção original, erguida nos anos 1960, em São Paulo. O restante, telhado, alvenaria e instalações, foi demolido para abrir espaço a uma leitura contemporânea do colonial moderno brasileiro, estilo que marcou a arquitetura residencial paulistana e volta a ganhar força em projetos que buscam identidade sem abrir mão do conforto térmico de varandas largas e beirais profundos.
Assinada pelo escritório LV Arquitetos e construída pela Lammart Construtora, a casa reorganiza por completo o pavimento superior e revela um porão que não constava em nenhum documento da obra original.
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A nova configuração espacial, somada ao uso estratégico da cor e ao acervo de arte da família, explica por que o projeto chama atenção muito além da fachada em pedra e telha de coxa que define sua identidade.
De um dormitório principal a quatro suítes
O segundo pavimento concentrava, no projeto original, uma suíte principal e três dormitórios comuns, arranjo típico das casas paulistanas dos anos 1960, pensadas para abrigar uma única geração sob o mesmo teto.
A família que hoje ocupa a Casa Pitanga pediu outra divisão de espaços, e a LV Arquitetos redistribuiu o andar em quatro suítes, uma sala íntima e dois terraços, ganho de área só possível porque a demolição interna liberou o desenho da planta sem exigir ampliação do perímetro construído.

Durante a obra, a equipe da Lammart Construtora encontrou um subsolo que não aparecia em nenhum documento da construção original. O espaço, até então esquecido, foi incorporado ao programa da casa e transformado em adega, solução que aproveita a temperatura naturalmente mais baixa do subterrâneo para a guarda de vinhos, sem o gasto energético que climatizar um cômodo acima do solo exigiria.
A cor como fio condutor entre fachada e interior
Internamente, a decoração se apoia no uso estratégico da cor e no acervo de peças que a família reuniu ao longo de gerações. Tons terrosos atravessam os ambientes e repetem, por dentro, a paleta de pedra e telha que marca a fachada, estratégia que evita a sensação de ruptura entre o que se vê de fora e o que se habita dentro de casa.

Na área gourmet, o verde domina parede e mobiliário, cor escolhida a partir de um painel de azulejos florais arrematado em leilão pela família. O mesmo tom reaparece na estante da sala de TV e no bar, repetição que funciona como amarração visual entre ambientes que, de outra forma, estariam isolados pela distância entre os pavimentos.
Mobiliário autoral e arte em diálogo com a casa
No living, a chaise Rio, desenhada por Oscar Niemeyer e Anna Maria Niemeyer, ocupa o canto de leitura e reforça a presença do design brasileiro de meados do século dentro de uma casa que, estruturalmente, pertence à mesma época. A peça dialoga com o restante do acervo da família, redistribuído pela nova planta do pavimento superior.

No jardim, uma grande tela do artista Gonçalo Ivo foi instalada dentro de uma caixa de vidro com estrutura metálica e controle de umidade, posicionada em frente à pitangueira histórica que deu nome à propriedade.
A escolha expõe a obra à luz natural sem submetê-la à variação de temperatura e umidade do ambiente externo, o que normalmente inviabilizaria deixar uma tela a céu aberto.
Paisagismo organizado em torno das árvores originais
O paisagismo, assinado pela FG Paisagismo, preservou as árvores já existentes no terreno e organizou a nova piscina em torno da jabuticabeira original da propriedade.

Uma ilha foi construída dentro do espelho d’água justamente para manter a árvore no centro da área de lazer, solução que evita o corte de uma espécie que já fazia parte da história do terreno antes da própria construção dos anos 1960.
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