O piso que muda de material a cada ambiente costuma ser o primeiro sinal de uma casa que não foi pensada para durar. Trocar o porcelanato da sala pelo laminado do quarto e pelo vinílico da cozinha interrompe a leitura espacial e reduz a sensação de amplitude, mesmo em plantas generosas. É a partir desse tipo de escolha, tomada ainda na fase de projeto, que uma casa consegue atravessar diferentes décadas e fases da família sem parecer datada.
A arquiteta Merlin Diemer reúne em três frentes o que considera essencial para sustentar uma casa atemporal: o piso, a marcenaria e o mobiliário. São decisões de base, tomadas antes de qualquer tendência de decoração entrar em cena, e começam justamente pelo chão da casa.
O piso como base de continuidade
O piso, segundo a arquiteta, não deveria chamar atenção. Sua função é servir de base visual para o restante dos ambientes, e quanto mais ele se repete entre os cômodos, maior a unidade e a sensação de amplitude percebida por quem mora ali.

Amadeirados, tacos restaurados e porcelanatos acetinados em tons neutros aparecem como escolhas que atravessam bem o tempo, por não remeterem a uma estética passageira.
Acompanhe as novidades do Enfeite Decora
Na prática de projeto, Merlin costuma manter o mesmo acabamento amadeirado entre os ambientes secos da casa, seja em vinílico ou em laminado, e reserva o porcelanato acetinado para áreas molhadas como cozinha e banheiros, sempre dentro da mesma paleta neutra.
Piso vinílico e laminado têm comportamento diferente ao caminhar, e essa diferença entra no cálculo de onde cada material vai ser aplicado.
Marcenaria com lógica própria, não repetição total
A continuidade da marcenaria não significa usar o mesmo acabamento em cada móvel da casa. Significa estabelecer uma base predominante, repetida na parte inferior da cozinha, em um banheiro ou em uma cabeceira, que funcione como referência visual e conecte os ambientes entre si. Outros tons e materiais podem entrar como contraponto, desde que dialoguem com essa base.

“Não significa usar exatamente o mesmo acabamento em tudo, mas criar uma base predominante que se repete e conecta os ambientes. Outros tons podem entrar como contraponto, desde que conversem entre si”, explica Merlin Diemer.
Mobiliário de desenho limpo, tendência em doses menores
O mobiliário, sobretudo a marcenaria planejada, pede desenhos limpos, sem excessos nem recortes ligados a um estilo do momento. Uma peça fica na casa por muitos anos, enquanto uma tendência de design de interiores muda em poucas temporadas. Essa diferença de tempo de vida é o que orienta a escolha entre o que vale fixar na estrutura e o que vale deixar solto.

“Principalmente na marcenaria, eu evitaria excessos, firulas e desenhos excessivamente ligados às tendências do momento. Mobiliário permanece conosco por muitos anos”, afirma a arquiteta.
Quando a vontade é acompanhar alguma tendência, ela recomenda concentrar essa escolha em peças menores e mais fáceis de substituir, como um objeto decorativo, um tapete ou um item de apoio.
Uma base que acompanha diferentes fases da casa
Esses três princípios não surgiram em um projeto recente. “Esses princípios não surgiram agora. São questões que ensino e defendo há mais de 20 anos e base aparece de forma mais aprofundada no livro Teoria do Projeto, do Hélio Piñon”, conta Merlin Diemer.
Piso contínuo, marcenaria com lógica própria e móveis de desenho limpo formam juntos uma estrutura capaz de receber mudanças sem pedir reforma.
“Atemporalidade não significa uma casa parada no tempo. Significa criar uma base na casa que permita que ela evolua com você”, resume a arquiteta.
A casa muda de fase, recebe novos moradores, acompanha novas rotinas, e a base permanece firme o bastante para sustentar tudo isso.
| Para mais conteúdos do Enfeitedecora, siga o nosso X (Twitter), Instagram e Facebook,
inscreva-se no nosso canal no Pinterest,
no Google e acompanhe as atualizações sobre decoração, arquitetura, arte e projetos inspiradores. E-mail: [email protected] |





