Devido a praticidade, a cama encostada na parede lateral organiza o ambiente, libera área de circulação e ainda dá a sensação de que o quarto ficou maior. O problema é que, na perspectiva do Feng Shui, essa escolha produz exatamente o efeito contrário ao que os pais esperam para os filhos.
Silvana Occhialini, especialista em Feng Shui, viu esse padrão se repetir em centenas de quartos de crianças e adolescentes ao longo de décadas de consultoria. E a conclusão é sempre a mesma: “A cama com a lateral encostada na parede cria um bloqueio muito sério. Energeticamente, um dos lados fica completamente fechado, sem saída, sem circulação, sem espaço para passar.”
O posicionamento da cama no dormitório não é apenas uma questão estética ou funcional. Para o Feng Shui, o espaço físico e o espaço energético funcionam como espelho um do outro. Quando um lado da cama está bloqueado por uma parede, esse fechamento se traduz, com o tempo, em padrões de comportamento e limitações concretas na vida de quem dorme ali.
Sobre o especialista
Silvana Occhialini, é especialista em Feng Shui com quase quarenta anos de prática e formação direta com o Grão-Mestre Professor Lin Yun
O que acontece, na prática, com crianças e adolescentes
Para as crianças mais novas, o impacto costuma aparecer nos relacionamentos interpessoais. A dificuldade de criar vínculos, de se conectar com os colegas, de se expressar com liberdade e esses são os reflexos que Silvana associa ao bloqueio energético lateral gerado pelo encosto da cama.

Nos adolescentes, o efeito é ainda mais direto. Essa fase da vida é marcada pela expansão: novos relacionamentos, primeiras oportunidades profissionais, escolhas sobre o futuro. Manter a cama encostada na parede durante esse período significa, na leitura do Feng Shui, fechar justamente a circulação de energia responsável por abrir caminhos.
“Isso aparece como uma limitação nas oportunidades na vida das crianças e jovens, inclusive nos seus relacionamentos. A energia de um dos lados está literalmente fechada. E isso se manifesta em dificuldade para se conectar, para criar vínculos, para expandir”, explica a especialista.
A solução é mais simples do que parece
Afastar a cama da parede dos dois lado, é a medida central recomendada pelo Feng Shui para esse tipo de situação. Não se trata de um afastamento simbólico de poucos centímetros. O espaço precisa ser suficiente para permitir circulação real, de modo que uma pessoa consiga passar confortavelmente por ambos os lados sem esforço.
Nos quartos de crianças, essa mudança de layout exige um planejamento honesto do espaço disponível. Às vezes, é necessário repensar a posição do armário, da mesa de estudos ou até da própria porta de entrada do cômodo para que a disposição da cama respeite essa premissa. Aliás, esse reposicionamento costuma revelar possibilidades que o arranjo anterior escondia.
Silvana reforça que a circulação de energia ao redor da cama é uma das bases do Feng Shui aplicado aos dormitórios: “Essa energia precisa circular à volta da cama. E na vida do seu filho também.” A afirmação pode soar poética, mas a prática revela uma lógica bastante concreta: espaços abertos permitem movimento, e o movimento (físico ou simbólico) é o que sustenta o crescimento.
- Veja também: O que a mesa de cabeceira diz sobre a decoração do seu quarto de casal (e por que ela merece mais atenção)
Como pensar o layout do quarto levando isso em conta
Na decoração de quartos infantis e de adolescentes, o posicionamento da cama geralmente começa pelo tamanho do cômodo e pelas entradas de luz natural. Esses dois fatores continuam sendo determinantes. O que o Feng Shui acrescenta a esse cálculo é a necessidade de garantir acesso bilateral à cama, algo que designers de interiores mais atentos já incorporam como boa prática de ergonomia e conforto.
Nos quartos pequenos, onde a tentação de encostar a cama na parede é maior, algumas soluções ajudam a compatibilizar o aproveitamento do espaço com a circulação energética. Camas com gavetões embutidos na base, por exemplo, eliminam a necessidade de criados-mudos volumosos, liberando espaço nas laterais. Da mesma forma, armários planejados com profundidade reduzida ou dispostos em ângulo diferente do habitual podem criar a folga necessária ao redor do leito.
O que realmente faz a diferença, nesses casos, é tratar o posicionamento da cama não como o último detalhe a resolver, mas como o ponto de partida do projeto do quarto. Quando a posição do leito é definida primeiro — com espaço lateral garantido nos dois lados —, todo o restante do mobiliário se organiza de forma mais coerente ao redor dela.
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