Não é preciso que um banheiro siga todas as tendências para ficar bonito. Na verdade, é exatamente o excesso de novidade que costuma comprometer o resultado a médio prazo. A arquiteta Clarice Maggi reuniu cinco decisões de projeto que sustentam um banheiro atemporal, aquele que continua elegante daqui a cinco, dez anos, sem depender de reforma para se atualizar.
O ponto de partida deve ser pensado que em um cômodo pequeno, cada escolha pesa mais. Assim, um metal fora do padrão, uma marcenaria carregada de nichos ou um revestimento muito específico têm impacto imediato na leitura do espaço, e é esse impacto que decide se o banheiro vai envelhecer bem ou parecer datado em pouco tempo.
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Revestimento único cria unidade
A base do projeto começa no piso e na parede. Segundo a arquiteta, o mais assertivo é manter o revestimento de banheiro igual em todo o ambiente, sem misturar muitas texturas ou cores diferentes. É possível destacar uma parede com uma textura diferente ou uma cor ainda dentro da paleta neutra, mas a regra geral evita erros como paredes e pisos com o mesmo material que trazem unidade visual ao cômodo inteiro.

Essa uniformidade tem uma função prática além da estética. Em banheiros pequenos, cortar o espaço com revestimentos diferentes reduz a sensação de amplitude. Assim, manter a mesma linguagem do chão ao teto amplia visualmente o ambiente, mesmo em metragens reduzidas.
Metais clássicos evitam desgaste precoce
Este é, talvez, o ponto mais categórico da análise da arquiteta. Metais com cor, como preto fosco, rose gold ou dourado, entraram com força na decoração nos últimos anos, mas carregam um risco real de obsolescência estética.

“Metais clássicos, sem invenção de moda, sem metal muito diferentão, sem cor nos metais, metal preto, metal rose gold, dourado, tudo isso é invenção de moda, em pouco tempo você vai não aguentar mais olhar pra isso, vai ficar cansado, enjoado e não vai ter nem como trocar, porque depois é um trabalho para trocar esse tipo de coisa”, explica Clarice.
A recomendação vai direto ao padrão que resiste ao tempo: “vai no clássico, sem erro, no padrão inox cromado ou fosco também, e simples, desenho simples, sem invenção de moda”. A troca de torneiras, registros e acessórios envolve quebra de parede em muitos casos, o que torna essa escolha uma das mais caras de reverter depois de pronta.
Iluminação indireta e pontual, sem exagero
A iluminação de banheiro costuma ser onde mais se erra por excesso. Fitas de LED contornando espelhos inteiros, perfis luminosos em todas as bordas e uma quantidade grande de pontos de luz criam um efeito que envelhece rápido e cansa visualmente. A orientação da arquiteta é pela contenção: um perfil de LED sob o armário, se ele for espelhado, já cobre a necessidade funcional sem transformar o espelho em um painel iluminado.

No forro, a lógica se repete. Um ou dois spots pontuais e discretos garantem iluminação suficiente para a rotina diária, sem competir com o restante do projeto. A luz, aqui, cumpre função, não decoração isolada.
Bancada e cuba claras abrem o espaço
Em ambientes pequenos, cor escura reduz a sensação de amplitude, e o banheiro costuma sentir esse efeito com mais intensidade do que outros cômodos da casa. Para manter a leveza, a recomendação recai sobre tons claros na bancada e, especialmente, na cuba.

Para a arquiteta, a cuba branca é praticamente uma regra sem exceção dentro dessa lógica de projeto atemporal, assim como a pedra da bancada, que deve seguir a mesma linha clara. O resultado é um ambiente visualmente mais limpo, mais aberto e com mais sensação de elegância, mesmo em metragens compactas.
Marcenaria simples sustenta o resultado
O último ponto reforça uma ideia que atravessa todo o projeto: espaço pequeno pede menos informação, não mais. Armários que sobem até em cima do vaso, cheios de prateleiras e nichos segmentados, criam a sensação de um ambiente carregado, mesmo quando cada peça individual é bem executada. Quanto mais divisão na marcenaria de banheiro, mais poluído o conjunto fica visualmente.
A alternativa passa por desenhos fechados e sem excesso de recortes. Um banheiro elegante concentra a informação visual no essencial, deixando as superfícies limpas fazerem o trabalho de transmitir sofisticação. Essa contenção é o que permite que o projeto continue funcionando esteticamente mesmo quando as tendências do momento mudam ao redor dele.
Confira todas as dicas da arquiteta:
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