Projetar 24m² para que funcionem como um apartamento completo já é um desafio em si. Fazer o mesmo espaço funcionar para receber amigos exige ainda mais inteligência projetual. Foi exatamente isso que o escritório Pro.a Arquitetos, das sócias Adriana Weichsler, Daniella Martini e Viviane Saraiva, entregou neste projeto localizado no centro de São Paulo: um apartamento compacto com decoração funcional, paleta acolhedora e soluções que ampliam visualmente cada canto.
A primeira decisão foi também a mais estrutural. A parede que separava o quarto da sala foi eliminada e substituída por um painel de marcenaria em compensado naval, combinado com policarbonato leitoso ondulado. O resultado é uma divisória que aquece o ambiente com a textura natural da madeira e, ao mesmo tempo, deixa a luz circular entre os espaços sem abrir mão da privacidade.

“Optamos por um painel de marcenaria que aqueceu o ambiente. Usamos também um policarbonato leitoso ondulado que deixa a luz entrar, ao mesmo tempo que dá privacidade para quem está na sala”, explica a arquiteta Daniella Martini.
Cor, textura e a lógica dos acabamentos
A paleta do projeto é construída sobre uma base de tons terrosos e pêssego, que percorre paredes, piso e marcenaria com unidade. O piso frio original ganhou apoio visual justamente na divisória de madeira, que introduz calor e volume ao ambiente sem nenhuma intervenção no contrapiso.

Nas paredes, a textura aplicada com uniformidade de cor cria profundidade sem poluir visualmente, o que é especialmente importante em plantas tão compactas.
A variação de acabamento aparece de forma precisa em dois pontos: no banheiro, onde o revestimento vertical em tom greige cobre as paredes do piso ao teto com aquela sensação de espaço alongado, e na área molhada da cozinha, onde o mesmo azulejo em formato slim e posição vertical foi especificado para manter a continuidade visual com o restante do projeto.

A bancada de mármore branco sobre o gabinete em madeira clara no banheiro é o detalhe que eleva o acabamento sem sair da escala do ambiente. Os pontos de cor foram reservados ao mobiliário e aos objetos, o que é uma escolha técnica acertada: assim, é possível renovar a personalidade do apartamento sem nenhuma obra.
A sala que recebe e também serve de jantar
O grande erro em apartamentos compactos é tentar criar dois ambientes distintos onde existe espaço para apenas um bem resolvido. Aqui, a sala é uma só — e ela faz tudo.

O rack de TV tradicional foi descartado. No lugar, dois bancos de marcenaria assumem funções duplas: um serve de apoio à televisão fixada na parede, enquanto o segundo funciona como banco de jantar, compondo a mesa redonda junto com duas cadeiras estofadas em verde.
Dessa forma, a mesma área acomoda o momento de assistir TV, o jantar em família e, quando os amigos chegam, a configuração se adapta naturalmente.

A iluminação com trilho de spots no teto foi outra escolha inteligente: permite direcionar a luz para diferentes pontos do ambiente conforme o uso, sem precisar de pontos fixos que engessariam o layout. Vasos com plantas suspensas e na prateleira lateral introduzem volume orgânico e cor sem ocupar superfície útil.
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Quarto compacto com armário generoso
No quarto, a cama de casal foi posicionada embaixo da janela, o que liberou a parede oposta integralmente para a marcenaria. O resultado é um armário com três portas de correr em tela náutica, um material que entrega textura, leveza visual e ventilação ao mesmo tempo. A tela ainda resolve aquele problema silencioso de qualquer armário: a possível desordem interna fica protegida sem o peso visual de uma porta opaca.

A paleta do quarto segue a mesma lógica acolhedora do restante do apartamento, com paredes em tom pêssego, roupa de cama em linho e almofadas em rosé e terracota. A luminária de parede simples na mesa lateral resolve a iluminação de leitura sem tomar espaço na bancada.





