Chegar em casa com dois bebês no colo muda tudo. Muda a rotina, muda a forma de circular pelos cômodos e muda, sobretudo, o que se espera de um apartamento. Foi esse o ponto de partida da reforma deste imóvel de 260 m², localizado no bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte, projetado pela arquiteta Ila Gaudêncio (@ilagaudencio.arq) para um casal jovem que se tornou pai e mãe de gêmeos há cerca de um ano.
O apartamento foi comprado já com a intenção de passar por uma transformação completa. Não se tratava de um retoque pontual, mas de repensar a planta do zero, algo que só faz sentido quando a demanda da família é clara e específica.
Uma planta pensada para a nova fase da família

A reforma de apartamento redesenhou praticamente toda a distribuição dos ambientes. A suíte master foi transferida de lugar, uma nova suíte foi incorporada ao projeto e um escritório passou a fazer parte da rotina da casa, espaço essencial para famílias que hoje dividem trabalho remoto com a criação dos filhos.
A integração de ambientes também ganhou destaque. Sala e cozinha, antes separadas, passaram a se comunicar diretamente, ampliando a convivência entre os moradores.

Essa escolha reflete uma tendência forte na arquitetura residencial atual: casas com crianças pequenas pedem visibilidade entre os espaços, e cozinhas fechadas perdem espaço para plantas mais abertas e fluidas.
O piso que resgata a história do imóvel
O projeto valoriza referências à década de 1970, e o elemento que comanda essa narrativa é o novo piso de madeira Canela Imperial de demolição. A escolha não é apenas estética. O material de demolição carrega textura, tonalidade e história próprias, e funciona como fio condutor para todas as demais decisões de acabamento da casa.

É a partir do tom dessa madeira que a marcenaria planejada, desenhada pelo escritório, ganhou uma cor exclusiva, criada especialmente para dialogar com o piso. Esse tipo de decisão, em que o material estrutural orienta a paleta do projeto, costuma resultar em ambientes com identidade mais coesa, já que evita a sensação de que cada cômodo foi decorado de forma isolada.
Branco, materiais naturais e um toque de verde afetivo
A decoração minimalista predomina na casa, com o branco como base e os materiais naturais reforçando a atmosfera calma que o projeto buscou construir. Essa neutralidade geral, porém, não significa ausência de personalidade.

Na cozinha, o verde entra como contraponto, numa releitura contemporânea de uma memória afetiva dos moradores. É um recurso interessante para quem quer fugir do óbvio sem comprometer a harmonia do conjunto: a cor pontual conversa com o restante da casa, mas carrega um significado pessoal que vai além da estética.
Mobiliário de acervo e peças autorais
O mobiliário reúne peças que atravessam gerações e outras assinadas por nomes de peso do design. O sofá Togo, criado por Michel Ducaroy para a Ligne Roset, é uma peça de acervo herdada pela família, o que traz à casa um vínculo afetivo que nenhum móvel novo conseguiria reproduzir.

Completam a sala as cadeiras Cesca, de Marcel Breuer, e a mesa de jantar assinada pela italiana Maxalto. O projeto também incluiu um aparador desenhado pela própria arquiteta Ila Gaudêncio, a poltrona May, as mesas de centro Teca, de Jader Almeida, e o conjunto de vasos orgânicos Terra, de Domingos Tótora, peças que reforçam o cuidado com curadoria em cada detalhe do design de interiores da casa.

O resultado é um apartamento que equilibra função e memória. A planta responde diretamente às necessidades de uma família com filhos pequenos, enquanto o piso de demolição e as peças de acervo garantem que a casa carregue uma história que vai muito além da reforma recente.
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