Ao lado do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, o Floreria Café Bar ocupa um imóvel que já foi showroom de incorporadora. A estrutura anterior ainda existe, mas quem entra no espaço hoje dificilmente percebe onde termina o que havia e onde começa o que o arquiteto André Henning construiu. Esse apagamento das costuras é, precisamente, o ponto central do projeto.
“O conceito central era criar um ambiente com aquela sensação de improviso bem resolvido. Um lugar onde tudo parece ter acontecido de forma natural, mas que foi pensado nos mínimos detalhes. Queríamos que as pessoas se sentissem livres, confortáveis e à vontade para passar horas no espaço”, explica Henning.
A referência veio de estabelecimentos de São Paulo, Rio de Janeiro e grandes centros internacionais, onde gastronomia, convivência e música dividem o mesmo ambiente sem que nenhum dos três elementos domine o outro. Traduzir essa atmosfera para Curitiba exigiu mais do que escolher materiais, exigiu entender quem ia ocupar o espaço antes de qualquer decisão projetual.
Um projeto construído a partir de quem vai ocupá-lo
Antes do início do projeto, André Henning conduziu uma série de encontros com o empresário responsável pelo empreendimento. O objetivo não era apenas levantar referências visuais, mas compreender hábitos, formas de ocupar a cidade e aspectos da personalidade do cliente. Esse processo é o que diferencia um projeto de arquitetura comercial genérico de um espaço com identidade real.
O imóvel impôs limitações concretas: parte dele havia sido utilizada como showroom imobiliário e precisou ser adaptada e ampliada para receber a nova proposta. Henning criou novos volumes laterais e posteriores, conectando os ambientes por meio de percursos abertos e garantindo que a circulação entre interno e externo acontecesse de forma fluida, sem que o espaço parecesse adicionado em partes.
O papel da luz como material de projeto
A iluminação natural no Floreria é uma estrutura feita por meio de iluminação zenital, grandes aberturas e áreas parcialmente cobertas, o espaço muda de caráter ao longo do dia. A luz entra de formas diferentes em cada período, altera a leitura dos revestimentos e texturas, destaca a vegetação e cria atmosferas distintas para cada momento de uso.
“Trabalhamos com iluminação zenital e frontal para que o espaço mudasse ao longo do dia. A luz entra de formas diferentes, valoriza os materiais, destaca a vegetação e cria uma experiência mais agradável para quem frequenta o local”, afirma o arquiteto.
Essa abordagem reduz a dependência de iluminação artificial durante o dia e valoriza texturas que seriam invisíveis sob luz homogênea. A vegetação abundante, distribuída por todo o café bar, reforça a conexão com o exterior e contribui para o bem-estar de quem permanece no local por horas, um dos objetivos centrais do programa.
Materialidade sem uniformidade
O grande erro em projetos gastronômicos contemporâneos é a busca por coerência excessiva: tudo do mesmo estilo, do mesmo período, da mesma paleta. O Floreria segue o caminho oposto, e o resultado é mais honesto.
Uma granitina original foi preservada e incorporada à composição nova, dialogando com outros revestimentos sem que a junção pareça descuido. Mármore aparece contraposto a estruturas em madeira. Móveis contemporâneos convivem com peças antigas e objetos de garimpo. Diferentes modelos de cadeiras compartilham o mesmo ambiente sem criar ruído visual — o que exige, paradoxalmente, mais controle projetual do que uma composição uniforme.
“Trabalhamos com vários tipos de piso, diferentes cores, texturas e materiais. Tem mármore dialogando com madeira, móveis contemporâneos convivendo com peças antigas e objetos de garimpo espalhados pelo espaço. A intenção era justamente criar uma composição rica, cheia de camadas e sem aquela sensação de ambiente excessivamente padronizado”, destaca Henning.
Madeira de demolição, poltronas de inspiração retrô e elementos decorativos selecionados ao longo do processo de projeto ajudam a construir uma atmosfera que parece acumulada ao longo do tempo. “O resultado é um ambiente onde cada detalhe parece ter sido descoberto ao longo do tempo, reforçando a identidade despojada que orientou todo o projeto”, complementa o arquiteto.
Sobre André Henning
À frente do André Henning Studio, o arquiteto e empresário construiu uma trajetória sólida na chamada arquitetura de negócios, desenvolvendo projetos que articulam estratégia, identidade de marca e experiência do usuário. Com mais de uma década de atuação e centenas de projetos executados em todo o Brasil, Henning se destaca especialmente nos segmentos de gastronomia, entretenimento e varejo, criando espaços que aliam conceito estético a desempenho comercial e operação eficiente.
Além da atuação autoral, o arquiteto também se destaca como empreendedor. É cofundador da Go Coffee, uma das redes de cafeterias que mais crescem no país, com centenas de unidades distribuídas em todos os estados brasileiros. Essa vivência prática no mercado se reflete diretamente em sua arquitetura, que combina sensibilidade criativa com visão estratégica, resultando em projetos que não apenas encantam visualmente, mas também respondem de forma objetiva às demandas de negócio.
Para mais informações, acesse https://andrehstudio.com ou perfil oficial do arquiteto no Instagram: @andrehenning.
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