O vão entre o sofá e as poltronas é o primeiro ponto que o arquiteto Bruno Moraes observa antes de indicar um formato de mesa de centro.
Mais do que fechar visualmente o centro da sala de estar, a peça define o raio de circulação ao redor dela e vira apoio constante para taças, livros e bandejas, de forma que um erro de proporção compromete tanto a estética quanto o uso diário do ambiente. À frente do BMA Studio, Bruno Moraes trabalha a escolha do desenho a partir da rotina de quem vive a casa, não apenas da estética isolada.
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Crianças pequenas, salas compactas ou ambientes amplos pedem geometrias diferentes, e a leitura começa pelo formato mais presente nos projetos residenciais de decoração: a mesa redonda.
Mesa redonda: circulação em primeiro lugar
A mesa redonda favorece a circulação porque elimina os cantos que costumam travar a passagem entre sofá e poltronas. Quando os assentos ficam distribuídos ao redor de um ponto central, o desenho cria ainda uma ligação visual direta com o restante da composição, reforçando a unidade da sala.

A proporção, porém, pega vários projetos. Um tampo muito amplo ocupa área além do necessário e estreita a passagem; um modelo pequeno demais, por outro lado, fica solto diante de um sofá generoso e perde a função de apoio.
Bruno Moraes defende medir a mesa pela escala do sofá antes de olhar para o desenho em si, especialmente em salas com crianças, onde um formato quadrado de cantos vivos pode se tornar risco de acidente doméstico.
Mesa oval ou orgânica: o contraste que dá movimento
Sem os cantos retos da versão quadrada, as linhas da mesa oval e das peças orgânicas têm ganhado espaço em salas que já reúnem marcenaria e sofás de desenho mais rígido. Bruno Moraes recomenda não repetir o contorno dos demais móveis, pois a proposta da curva é justamente abrir contraponto ao restante da composição.

“Um design com essas características entrega movimento ao layout, desde que os materiais, cores e a escala façam sentido ao conjunto”, afirma o arquiteto.
A curva pede leitura de conjunto, não apenas da peça isolada, já que o contraste só funciona quando dialoga com o restante do design de interiores da sala.

Mesa quadrada ou retangular: a opção clássica que pede espaço
Na arquitetura de interiores mais tradicional, os desenhos de mesa quadrada e mesa retangular em madeira, muitas vezes combinados a estruturas em vidro, são referência direta.

A simetria com os assentos favorece composições mais elaboradas, com itens decorativos, livros e bandejas organizados sem que a superfície pareça alongada demais em uma única direção. Essas peças, no entanto, funcionam melhor em salas de dimensões mais generosas.
Bruno Moraes pondera que o formato não está restrito a um único estilo: uma mesa quadrada robusta reforça a presença da madeira no ambiente, enquanto uma versão em vidro com estrutura delicada cria contraste com um sofá de linhas marcantes.
Mesa dupla: variação de alturas e sobreposição
Combinar duas mesas de centro permite multiplicar os pontos de apoio sem depender de uma única peça, segundo Bruno Moraes. Com alturas e tamanhos diferentes, a dupla cria um arranjo mais dinâmico, como no próprio projeto do arquiteto, em que duas mesas de madeira com desenhos distintos dividem o centro da sala.

Para a altura, ele prefere alinhar a mesa principal à elevação do sofá ou deixá-la um pouco abaixo, o que garante uma base estável para apoiar, por exemplo, uma taça de vinho. Já a mesa secundária pode ganhar mais altura para criar volume e trabalhar a sobreposição entre as peças.
Mesa lateral: quando a sala não pede uma mesa de centro

Nem toda sala de estar precisa de mesa de centro, segundo Bruno Moraes. Em ambientes estreitos e compactos, insistir na peça reduz a área de passagem sem contribuir de fato para o uso cotidiano do espaço. Nesses casos, a mesa lateral mantém os pontos de apoio sem tomar o centro da sala, preservando a circulação entre os móveis.
Quanto espaço deixar para a circulação ao redor da mesa?

A mesa pode combinar perfeitamente com o sofá e, ainda assim, travar a circulação se ficar próxima demais dos assentos. Bruno Moraes trabalha com um espaçamento mínimo de 60 cm em projetos compactos, mas considera o intervalo entre 80 cm e 1 metro como parâmetro mais confortável para o uso diário da sala.
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