No papel, a varanda costuma ser um dos espaços mais desejados da casa. Na prática, porém, durante o verão, ela frequentemente se transforma em um ambiente difícil de usar. O excesso de sol direto, a falta de ventilação adequada e a escolha de materiais que acumulam calor fazem com que a varanda quente no verão seja uma queixa recorrente tanto em apartamentos quanto em casas.
A boa notícia é que, na maioria dos casos, não é preciso partir para grandes obras. Ajustes pontuais de sombreamento, ventilação, materiais e paisagismo já são suficientes para reduzir a sensação térmica e devolver ao espaço sua função original: um local de estar, descanso e convivência.
A orientação solar explica boa parte do calor
Antes de qualquer decisão estética, é fundamental entender como o sol incide sobre a varanda ao longo do dia. Em boa parte do Brasil, varandas voltadas para o oeste e para o norte recebem sol mais intenso por períodos prolongados, o que eleva rapidamente a temperatura do ambiente. Já as orientadas para o leste costumam ser mais agradáveis, enquanto as voltadas ao sul tendem a manter temperaturas mais amenas.
Segundo a arquiteta Isabella Nalon, especializada em projetos residenciais com foco em conforto ambiental, compreender essa dinâmica é o primeiro passo. “Quando o morador entende o percurso do sol, fica mais fácil escolher soluções que filtram a luz sem eliminar a ventilação, o que é essencial para reduzir o calor”, explica.
Sombra bem planejada muda completamente a experiência
Criar sombra é uma das estratégias mais eficazes para resolver o problema da varanda quente no verão. Toldos retráteis, ombrelones, cortinas externas e persianas permitem controlar a entrada de sol conforme o horário do dia, sem fechar completamente o espaço.

Elementos vazados, como brises, painéis perfurados e cobogós, também cumprem bem essa função. Eles bloqueiam parte da radiação solar direta, mas mantêm a circulação de ar, evitando a sensação de abafamento.
Em varandas com cobertura de vidro ou policarbonato, o cuidado precisa ser redobrado. Esses materiais favorecem o efeito estufa. Nesses casos, a instalação de telas de sombreamento ou forros leves sob a cobertura ajuda a reduzir significativamente o acúmulo de calor.
Ventilação é tão importante quanto sombra
Reduzir o sol não basta se o ar não circula. A ventilação natural é determinante para tornar a varanda utilizável nos dias quentes. Fechamentos fixos e excessivos dificultam a troca de ar e agravam o desconforto térmico, especialmente em varandas compactas.

A arquiteta Hana Lerner destaca que o segredo está no equilíbrio. “Sempre que possível, vale priorizar soluções flexíveis, como cortinas leves ou painéis móveis, que protegem do sol sem bloquear completamente o vento”, afirma.
Quando a ventilação cruzada não é suficiente, ventiladores de teto ou de parede surgem como aliados discretos e eficientes, refrescando o ambiente sem comprometer a estética.
Materiais influenciam diretamente a sensação térmica
A escolha dos materiais tem impacto direto na percepção de calor. Superfícies escuras e muito densas absorvem mais radiação solar, enquanto materiais claros e revestimentos atérmicos ajudam a manter a varanda mais fresca.
Tecidos naturais, como algodão e linho, favorecem a respiração do ambiente. Já móveis e objetos feitos de fibras naturais, como rattan, palha, bambu e sisal, acumulam menos calor e reforçam visualmente a ideia de frescor.
Além disso, tapetes próprios para áreas externas, com tramas mais abertas, ajudam a reduzir o calor irradiado pelo piso sem comprometer a circulação.
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Plantas: aliadas naturais contra o calor
O uso de plantas vai muito além da estética. Em uma varanda quente no verão, o verde atua como regulador térmico natural. Espécies com folhagem mais densa criam áreas de sombra, reduzem a incidência direta do sol e contribuem para um microclima mais agradável.

Jardins verticais e plantas pendentes são soluções eficientes para varandas pequenas, pois ampliam a presença do verde sem ocupar o piso. Em espaços com sol intenso, espécies resistentes ao calor, como cróton, areca-bambu, pleomele, aspargo-pluma e pata-de-elefante, se adaptam melhor e exigem menos manutenção.
Água como elemento complementar de conforto
Fontes decorativas e pequenos espelhos d’água funcionam como complementos interessantes para melhorar o conforto térmico. Ao aumentar levemente a umidade do ar, esses elementos ajudam a suavizar a sensação de calor, sobretudo quando combinados com boa ventilação.
Além do efeito físico, a água acrescenta conforto sensorial. O som suave e o movimento contínuo reforçam a percepção de frescor e tornam a varanda mais relaxante, especialmente nos momentos de descanso.
Conforto térmico é resultado de escolhas integradas
Resolver o problema da varanda quente no verão não depende de uma única solução, mas da combinação entre sombra, ventilação, materiais adequados e elementos naturais. Pequenos ajustes, quando bem planejados, são capazes de transformar completamente o uso do espaço.
Com decisões conscientes e alinhadas ao clima local, a varanda deixa de ser um ambiente evitado nos dias quentes e volta a cumprir seu papel como extensão agradável da casa — um espaço onde conforto, estética e bem-estar caminham juntos.





