Pé-direito duplo: o luxo que virou padrão e o problema que ninguém resolve

O paradoxo por trás do pé-direito duplo revela como um recurso de elite se transformou em argumento de venda e, ao mesmo tempo, em fonte de desconforto para quem não avaliou o clima antes de comprar.

Web Site: Enfeite Decora

O espaço vertical que virou símbolo de status

Duas alturas sem laje intermediária, aplicadas sobre a sala ou o hall, marcaram a arquitetura de alto padrão até os anos 1990.

Da cobertura duplex ao apartamento popular

O que era exclusividade de casas de campo migrou, na década seguinte, para condomínios de médio padrão e até projetos populares.

Jardins e Alto de Pinheiros abriram o caminho

Salas de dupla altura em bairros nobres de São Paulo criaram uma leitura de amplitude que reforçava o status do projeto.

Belo Horizonte adotou a fórmula como diferencial

Entre 2006 e 2012, empreendimentos no Belvedere e na Savassi venderam apartamentos de dois quartos como coberturas em miniatura.

A sensação de amplitude virou mais importante que a metragem

Apartamentos encolheram ao longo dos anos 2000, e um pé-direito de 5,20 metros passou a valer mais que área extra.

O custo que os anúncios raramente mostram

Vigas de maior vão, reforço de fundação e perda de área construída pesam entre 8% e 15% no orçamento da obra.

Cada metro de altura é um metro que deixa de ser vendido

Uma sala de 15 m² em dupla altura significa abrir mão de um quarto extra no pavimento de cima.

O ar quente sobe e fica retido lá em cima

Sem ventilação resolvida, o calor se acumula no topo do ambiente e raramente circula de forma eficiente.

Belo Horizonte sente esse efeito com mais intensidade

Salas voltadas para o poente, sem esquadrias operáveis na parte alta, acumulam calor à tarde e demoram a resfriar à noite.

Saiba mais

O erro mais comum é tratar o recurso só como estética

Basculantes, claraboias ventiladas ou shed perto do teto permitem que o ar quente escape antes de virar desconforto.

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