Logo ao primeiro olhar, o sofá Mirage, lançado pela Natuzzi Editions durante a DW! Semana de Design de São Paulo, não tenta competir com o ambiente — e talvez seja exatamente aí que esteja sua força. Em vez de volumes rígidos ou estruturas que dominam a sala, o modelo trabalha com linhas contínuas e uma presença mais silenciosa, quase como se o móvel tivesse sido desenhado para acompanhar o espaço, não para interrompê-lo.
O lançamento pode ser visto de 5 a 15 de março, no D&D Shopping, em frente à loja da marca, no piso 1. Assinado pelo Natuzzi Design Center, o sofá chega em um momento em que o design doméstico começa a abandonar excessos visuais e volta a olhar para aquilo que realmente sustenta o cotidiano: conforto real.
Menos rigidez, mais permanência
Existe uma mudança clara acontecendo nas salas contemporâneas. Sofás deixaram de ser apenas pontos formais de recepção e passaram a funcionar como lugares de permanência — leitura, descanso, conversas longas e até trabalho informal. O Mirage nasce dentro dessa lógica.
As curvas aparecem como elemento central do desenho. Não são apenas decorativas. Elas suavizam o contorno do mobiliário e ajudam o sofá a ocupar o espaço sem criar barreiras visuais, algo especialmente importante em plantas integradas, onde sala, jantar e varanda dividem o mesmo campo visual.
Na prática, isso significa um estofado que não pesa no ambiente. Ele acompanha a circulação e permite composições mais fluidas, principalmente quando combinado com mesas orgânicas, tapetes amplos ou iluminação indireta.
Um sofá pensado para o toque — não só para a foto
Outro ponto perceptível é a atenção dada à experiência tátil. O Mirage foi desenhado para funcionar tanto visualmente quanto no uso diário. As proporções evitam profundidades exageradas e favorecem uma postura relaxada sem perder apoio, algo que muitas peças contemporâneas acabam sacrificando em nome da estética.
Disponível em couro e tecido, o modelo permite leituras diferentes dentro do mesmo desenho. O couro reforça uma atmosfera mais urbana e sofisticada; já o tecido aproxima o móvel de propostas mais acolhedoras, quase domésticas no sentido mais literal da palavra.
E aqui aparece um detalhe interessante: o sofá não depende de tendências específicas para funcionar. Ele aceita mudanças ao redor — troca de almofadas, novas cores na parede, outros objetos — sem parecer datado rapidamente.
Quando o mobiliário organiza o ambiente
Em muitos projetos atuais, o sofá voltou a assumir o papel de eixo visual da sala. Não como peça protagonista isolada, mas como elemento que organiza o restante da composição. O Mirage segue exatamente essa linha.
Suas linhas fluidas ajudam a quebrar a rigidez comum em ambientes dominados por retas — painéis de marcenaria, esquadrias, racks e superfícies planas. Esse contraste cria equilíbrio visual quase imediato, algo que arquitetos costumam buscar ao inserir formas curvas em espaços muito ortogonais.
O resultado é um ambiente que parece mais leve sem precisar de grandes intervenções arquitetônicas.





