O sofá ocupa uma posição silenciosa, porém central, dentro da casa. É nele que o cotidiano se acomoda, que a sala ganha escala e que o tempo deixa suas marcas. Com os anos, é natural que o tecido perca o viço, que a espuma ceda e que a estrutura comece a denunciar o uso. Ainda assim, descartar a peça nem sempre é a melhor solução. A reforma de sofá surge como uma alternativa capaz de unir estética, economia, sustentabilidade e, muitas vezes, sofisticação.
A arquiteta Kika Mattos defende que o reaproveitamento faz parte de uma postura contemporânea diante do morar. Para ela, o valor de um sofá não está apenas no visual, mas no que ele representa dentro da casa. “Sou muito a favor do reaproveitamento, principalmente quando o sofá tem um bom design. Estofar com um bom profissional faz toda a diferença, assim como a escolha do tecido”, afirma. Mesmo quando o modelo já não dialoga tanto com o décor atual, há caminhos criativos. “Uma opção que gosto bastante é usar capa. Ela esconde os pés, deixa o sofá mais cool e ainda pode ser lavada com facilidade”, completa.
O que realmente define se um sofá pode ser restaurado
Antes de pensar em tecidos, cores ou acabamentos, a reforma de sofá começa por uma análise estrutural. O arquiteto Robert Robl ressalta que a qualidade da base é o primeiro critério. “Vale a pena reformar quando a estrutura original é de madeira de boa qualidade, quando o sofá tem bom design, é confortável e proporcional ao espaço. Peças assinadas ou de época também entram nessa conta”, explica.

Por outro lado, há situações em que a restauração não se justifica. Estruturas frágeis, feitas de madeira de baixa densidade, modelos genéricos ou peças que já não se adequam ao ambiente comprometem o resultado final. Nesses casos, segundo Robert, insistir na reforma pode ser apenas um adiamento de uma troca inevitável.
Quanto custa reformar e como avaliar o investimento
O custo médio de uma reforma de sofá gira em torno de cinco mil reais, segundo Kika, mas o valor varia conforme o estado da peça, o tipo de tecido e a necessidade de trocar espuma, percintas e reforços internos. Tecidos tecnológicos, por exemplo, encarecem o processo, porém oferecem mais durabilidade e facilidade de manutenção.
Robert observa que a comparação com um sofá novo precisa ser feita de forma criteriosa. Quando a reforma ultrapassa metade do valor de um modelo de qualidade equivalente, é importante repensar. Ainda assim, quando o móvel tem bom desenho e estrutura sólida, a restauração costuma resultar em um produto final superior ao que se encontraria no varejo pelo mesmo valor.
Sinais de que o sofá pede renovação
Existem indícios claros de que o momento da reforma de sofá chegou. A arquiteta Kika aponta a chamada “barriga” — aquela deformação no ponto mais usado — como um dos primeiros sinais. O desgaste do tecido, costuras cedendo e a sensação de afundamento ao sentar também revelam que a peça perdeu parte de sua função original.

Além disso, a espuma precisa ser avaliada com cuidado. Mesmo um sofá visualmente íntegro pode esconder um interior comprometido. Por isso, contar com um tapeceiro experiente não é detalhe, mas condição básica para que o investimento realmente valha a pena.
O papel do tecido na nova vida do sofá
Se a estrutura é o esqueleto, o tecido é a pele da reforma de sofá. E essa escolha deve refletir a rotina da casa. Robert recomenda misturas de linho com poliéster, veludos tecnológicos e bouclês, materiais que equilibram resistência, toque agradável e estética contemporânea. Em lares com crianças ou animais de estimação, tecidos impermeáveis e capas laváveis tornam-se aliados essenciais.
Veludos de algodão puro, apesar do apelo visual, exigem mais manutenção e não são indicados para uso intenso. Segundo o arquiteto, sentir a amostra, testar a textura e entender o comportamento do material no dia a dia é tão importante quanto escolher a cor.
Mais do que economia, uma decisão de valor
No fim, a reforma de sofá transcende a matemática do orçamento. Ela preserva memórias, reduz o descarte, valoriza o design e permite que uma peça já integrada ao espaço continue fazendo parte da história da casa. Quando bem executada, a restauração devolve ao móvel não apenas o conforto, mas também o protagonismo na sala — agora com uma estética renovada e alinhada ao presente.





