Há projetos que reorganizam espaços. Outros reorganizam a forma de viver. Neste apartamento garden de 160 m², a reforma integral assinada pelo arquiteto Gustavo Hadler (@arq.gustavohadler) vai além da estética: ela traduz a identidade da moradora em arquitetura, luz e matéria.
A proprietária, formada em moda e estudante de psicologia, desejava um lar que refletisse sua sensibilidade criativa sem abrir mão do bem-estar. Assim, o conceito se estruturou a partir da fluidez espacial e da conexão direta com o jardim, criando um refúgio urbano que dialoga com referências dos Riads marroquinos e com a atmosfera vibrante do Jardin Majorelle.
Integração total: quando o interior respira junto com o jardim
A transformação começou na planta. Originalmente compartimentado, o imóvel passou por mudanças estruturais decisivas. A cozinha foi aberta para o living, promovendo uma integração dos ambientes que amplia a percepção de espaço e favorece a convivência.

Além disso, o segundo quarto foi reposicionado para dar lugar a uma nova suíte com closet, agora integrada a um jardim secundário. Essa reorganização não apenas valorizou a metragem, mas redefiniu a experiência de morar, priorizando circulação fluida e iluminação natural abundante.
Um dos gestos mais marcantes da reforma foi a substituição das janelas convencionais por amplos vãos com portas de correr, permitindo que a sala se abra completamente para a área externa. Dessa forma, o limite entre dentro e fora praticamente desaparece, reforçando a proposta de um apartamento garden integrado.
O garden como protagonista: piscina-fonte e paisagismo sensorial
Se antes o garden era apenas um espaço com areia, hoje ele se consolida como o coração do projeto. Para viabilizar a nova proposta, foi executada uma laje estrutural que recebeu uma piscina-fonte revestida de ladrilhos azuis e verdes, elemento que evoca o frescor das casas mediterrâneas e cria um ponto focal impactante.

Ao redor, o paisagismo aposta em cactos e espécies de baixa manutenção, acomodados em floreiras de cimento queimado em tom rosa. Essa escolha dialoga com a estética boho chic, além de valorizar texturas naturais e contrastes cromáticos.
À noite, arandelas verdes da Lumini iluminam o jardim e criam um cenário acolhedor, ampliando a funcionalidade do espaço externo. Consequentemente, o garden deixa de ser apenas contemplativo e passa a ser vivido em diferentes momentos do dia.
Boho chic com identidade: materiais, cores e memória afetiva
No interior, a proposta estética é uma verdadeira curadoria afetiva. Peças vintage garimpadas convivem com objetos de cerâmica produzidos pela própria moradora, reforçando a ideia de que a decoração deve contar histórias.

A lâmina de madeira freijó estrutura a base do projeto, trazendo calor e unidade visual. Entretanto, é a paleta alegre que imprime personalidade: a marcenaria coral da cozinha contrasta com as paredes neutras do living, enquanto o piso em mosaico de pastilhas hexagonais em formato de flor adiciona um toque artesanal e delicado.

Os arcos arquitetônicos tornam-se assinatura do projeto. Eles aparecem nas passagens de portas, em nichos e no lavabo, onde tons rosados e tijolinhos de granilite criam uma atmosfera suave e envolvente. Mais do que um recurso formal, o arco suaviza a circulação e reforça a fluidez espacial, elemento central da proposta.
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Arquitetura que traduz identidade
Segundo o arquiteto Gustavo Hadler, o principal desafio foi equilibrar estrutura e sensibilidade estética. “A reforma precisava refletir quem ela é. Trabalhamos para que cada escolha — da marcenaria ao paisagismo — tivesse coerência com sua história e seu momento de vida”, afirma.

Esse cuidado se revela na integração dos ambientes, na escolha dos materiais e na forma como o jardim se torna extensão do living. Assim, o projeto não apenas moderniza o imóvel, mas constrói uma narrativa espacial que une moda, psicologia e arquitetura em um mesmo discurso.
Um refúgio urbano com assinatura autoral
Ao final, o projeto de reforma do apartamento garden consolida uma tendência cada vez mais presente na arquitetura contemporânea: espaços que priorizam luz natural, integração e identidade pessoal.
Aqui, a estética boho chic não é apenas decorativa. Ela organiza a experiência sensorial do morar, combinando textura, cor e natureza em proporções equilibradas. O resultado é um lar que abraça, acolhe e revela, em cada detalhe, a personalidade de quem o habita.





