Por que o crisântemo é chamado de planta monsenhor?

A flor de cores vibrantes carrega um simbolismo religioso que vai além da estética e explica sua forte presença em cerimônias e homenagens

Por que o crisântemo é chamado de planta monsenhor?
Resumo
  • O crisântemo, além da beleza, é conhecido como “planta monsenhor” em algumas regiões brasileiras por sua forte presença em rituais religiosos e homenagens fúnebres.
  • A associação com a figura do monsenhor reforça o caráter sagrado da flor, vista como símbolo de respeito, despedida e contemplação, principalmente em cerimônias católicas.
  • Em outras culturas, como no Japão e no México, o crisântemo representa longevidade e imortalidade, o que amplia seu valor simbólico e espiritual pelo mundo.
  • Apesar da simbologia solene, a flor ganhou espaço na decoração contemporânea por sua variedade de cores e durabilidade, sendo ideal para arranjos e vasos.
  • Fácil de cultivar, o crisântemo exige luz indireta, solo fértil e atenção à toxicidade para pets, tornando-se uma escolha charmosa e versátil para casa e jardim.

A beleza do crisântemo vai muito além das pétalas em tons vibrantes e do formato que atrai olhares. No Brasil, essa flor de origem asiática carrega um título curioso: é conhecida em algumas regiões como planta monsenhor. A alcunha, embora incomum para uma flor, se justifica pela sua presença constante em rituais religiosos, velórios, missas e homenagens fúnebres.

Segundo o arquiteto e urbanista Fábio Assef, que atua com projetos paisagísticos na Amazônia, o apelido tem raízes culturais e regionais. “No norte, a flor é mais conhecida como monsenhor, porque é muito usada em ocasiões religiosas, como arranjos de igrejas, velórios e coroas de flores”, explica. A associação entre a flor e os ritos solenes a tornou sinônimo de reverência, principalmente em cerimônias católicas.

O título “monsenhor” é tradicionalmente conferido a padres que se destacam por seus serviços à Igreja. Com isso, a ligação simbólica entre a flor e a figura religiosa reforça a imagem do crisântemo como uma flor sagrada, respeitável e associada a momentos de contemplação e despedida. A paisagista Luciana Bacheschi, do escritório Jardineiro Fiel, complementa: “O crisântemo tem um ar mais solene, usado em velórios e datas religiosas, por isso o ligaram à figura do monsenhor, e ela virou uma flor respeitada, quase sagrada”.

De tradição religiosa à decoração contemporânea

A reverência ao crisântemo não se limita ao Brasil. Em diferentes culturas, a flor carrega significados profundos. No Japão, por exemplo, ela representa a longevidade e é celebrada em festivais. Já no México, se tornou símbolo da imortalidade, sendo presença marcante nas homenagens do Día de los Muertos. Essa pluralidade de significados ajudou a consolidar a imagem do crisântemo como uma flor de presença forte, ligada à espiritualidade e à passagem do tempo.

No entanto, a flor também encontrou espaço nos arranjos decorativos contemporâneos, ganhando destaque pela sua diversidade de cores e formas. Com flores que vão do branco puro ao amarelo intenso, do roxo ao vermelho profundo, o crisântemo é uma escolha versátil para compor arranjos de mesa, buquês ou mesmo dar vida a vasos posicionados em pontos estratégicos da casa.

Como cultivar o crisântemo em casa e garantir sua beleza

Além do simbolismo, o crisântemo conquista pela facilidade de cultivo. Trata-se de uma flor resistente, ideal para quem deseja levar um toque de cor e tradição para o jardim ou o interior da casa. Para crescer bem, ela precisa de solo fértil, bem drenado e com pH entre 6 e 7, além de um ambiente com boa luminosidade indireta.

Atenção, porém, ao sol em excesso, que pode queimar as flores. A orientação é deixá-la próxima a janelas bem iluminadas e manter o ambiente entre 15 °C e 25 °C. Segundo a paisagista Mônica Costa, o crisântemo é uma excelente escolha para jardins domésticos ou varandas: “Considero o crisântemo uma boa alternativa para cultivar no jardim, ou colocar em vasos na hora de decorar a casa”, indica.

A rega deve ser feita com regularidade, mantendo o solo úmido, mas sem encharcar. Adubações mensais e podas após a floração são práticas recomendadas para estimular novas brotações. Mesmo após o corte, o crisântemo se mantém bonito por muitos dias, o que o torna também uma das flores de corte mais apreciadas no comércio floral.

Um cuidado extra: atenção aos pets

Embora seja bela e simbólica, a planta exige um alerta importante: o crisântemo é tóxico para animais de estimação, como cães e gatos, especialmente se ingerido em grandes quantidades. Isso significa que o local de cultivo deve ser planejado com atenção, especialmente se há bichos em casa. O contato direto não é perigoso, mas a ingestão pode provocar sintomas como vômito ou diarreia nos animais.

  • Cláudio P. Filla é comunicador social e especialista em mídias digitais, com mais de 11 anos de atuação na curadoria de tendências para o mercado de arquitetura e decoração. Como editor-chefe do Enfeite Decora, Cláudio lidera um conselho editorial composto por arquitetos, designers de interiores e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo que cada artigo combine inspiração visual com rigor técnico e normativo. Sua missão é traduzir o complexo universo da construção e do design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis, sempre sob o respaldo de profissionais renomados do setor brasileiro.

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  • Fábio Assef é um arquiteto paisagista brasileiro, cujo trabalho é fortemente influenciado pela natureza, em especial a floresta amazônica. Ele se dedica a projetos de áreas externas, buscando integrar a natureza e a arquitetura de forma harmoniosa. Além do paisagismo, ele também atua no design de mobiliário, com peças que refletem a mesma inspiração florestal.
    Sua experiência em projetos na região amazônica é uma de suas maiores fontes de inspiração, guiando sua abordagem e seu estilo.
    Foco na integração: Assef trabalha para alinhar a arquitetura com a paisagem, criando jardins e espaços que se complementam e se valorizam mutuamente.
    Ele explora a conexão com a natureza também através do design de mobiliário, traduzindo sua visão para objetos que complementam os espaços.
    Em suas criações, ele enfatiza a importância de aproximar as pessoas da natureza, mesmo em ambientes urbanos, utilizando plantas que purificam o ar e promovem bem-estar.

  • Luciana Bacheschi é uma paisagista brasileira que atua em São Paulo, Joinville e Curitiba, com uma abordagem focada em conectar as pessoas à natureza por meio de projetos autorais. Sua trajetória é marcada por uma transição de carreira, deixando o teatro e a hotelaria para se dedicar ao paisagismo, após se encantar com as plantas.
    A paixão pelo paisagismo surgiu ao receber uma pimenta de presente, o que a inspirou a fazer um curso online e iniciar sua jornada na área.
    Colaborações: Frequentemente trabalha em parceria com outras profissionais, como a paisagista Gabi Pileggi, com quem desenvolveu diversos projetos.
    Participa de edições da CASACOR em São Paulo e Santa Catarina. Em 2023, estreou na CASACOR SP com Gabi Pileggi, apresentando o "Jardim Sereno". Em 2024, a dupla retornou à CASACOR SP com um novo projeto, o "Pátio Brasileiro", focando na sustentabilidade e em elementos biofílicos.
    Para Bacheschi, o paisagismo é uma "missão de vida", que busca transformar espaços e criar experiências que reaproximem as pessoas do ambiente natural. Seus projetos incluem desde jardins internos e externos até varandas e hortas.

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