O grande erro antes de viajar não é esquecer a mala. É esquecer as plantas. Em apartamentos urbanos, onde a decoração com plantas, o paisagismo de interiores e os vasos ornamentais são parte essencial do projeto, alguns dias de descuido podem comprometer folhas, raízes e até a composição estética do ambiente. E, diferentemente do que muitos pensam, o problema raramente é falta de água — é o excesso aliado à má drenagem.
Quando falamos em plantas no Carnaval, falamos também de planejamento. Assim como se programa a iluminação da casa ou se fecha o registro de gás, é preciso organizar a rega, a iluminação natural e a ventilação com critério técnico, não por impulso.
Rega antes da viagem: o equilíbrio que realmente importa
Regar “bem molhado” e sair correndo não é cuidado, é descuido disfarçado. O que realmente faz a diferença é umedecer o substrato por completo, permitindo que o excesso escorra pelos furos do vaso, e aguardar a drenagem antes de posicionar novamente o recipiente no cachepô.
“O solo deve estar úmido, nunca encharcado. O excesso de água sem escoamento é o principal responsável por raízes apodrecidas após períodos de ausência”, explica a paisagista Mariana Amaral.
Por isso, é indispensável revisar a drenagem. Dessa forma, vasos sem furo exigem camada generosa de argila expandida e manta de bidim. Aliás, se o recipiente não permite escoamento adequado, o Carnaval pode se tornar um divisor de águas — literalmente.
Uma estratégia eficiente é cobrir o solo com casca de pinus ou musgo. Essa camada reduz evaporação e mantém a umidade por mais tempo, especialmente em ambientes internos com ar-condicionado.
Iluminação: aproximar da janela não significa expor ao sol
Mover as plantas para perto da luz parece lógico. Contudo, mudanças bruscas de posição são um erro comum. Espécies adaptadas à meia-sombra podem sofrer queimaduras se expostas ao sol direto do meio-dia, principalmente em janelas voltadas para o norte ou oeste.
O ideal é posicionar os vasos em locais com luz natural difusa, protegidos por cortinas leves ou brises. Dessa forma, mantém-se a fotossíntese ativa sem acelerar a perda de água pelas folhas.

“Plantas de interior precisam de claridade, mas não de insolação direta contínua. O choque térmico pode causar estresse hídrico e manchas nas folhas”, alerta o engenheiro agrônomo Felipe Duarte.
Diante disso, o melhor ajuste não é improvisado. Faça a mudança alguns dias antes da viagem para que a planta se adapte gradualmente ao novo ponto de luz.
Ventilação e microclima: detalhes que ninguém conta
Ambientes totalmente fechados criam um microclima abafado que favorece fungos, sobretudo em plantas ornamentais tropicais. Por outro lado, correntes de vento direto também desidratam folhas com rapidez.
O que funciona, de fato, é leve circulação indireta. Se possível, deixe frestas estratégicas ou utilize a ventilação cruzada suave do próprio apartamento. Agrupar vasos também ajuda a criar um microclima mais úmido, especialmente quando combinado com bandejas de pedrinhas e água — desde que o fundo do vaso não toque o líquido.
Dica do Enfeite Decora: Se a viagem ultrapassar uma semana, evite soluções caseiras com garrafas improvisadas se você não testou antes. O que parece prático pode liberar água demais. O mais seguro é pedir ajuda pontual a alguém de confiança, sobretudo se você cultiva plantas tropicais, samambaias ou folhagens de grande porte.
Antes de fechar a porta
Um ou dois dias antes de sair, faça uma inspeção completa. Remova folhas secas, verifique pragas e limpe o pó das folhas largas — além de favorecer a saúde da planta, isso melhora a respiração e evita acúmulo de ácaros.
Aliás, manter a manutenção em dia faz com que a planta atravesse o feriado com mais resistência. Espécies debilitadas são as que mais sofrem em períodos de ausência.





