Tem um material que passou anos preso à fachada, ao forro e à parede externa — e que, silenciosamente, começou a aparecer em quartos, cozinhas e salas de estar com uma presença que poucos esperavam. As placas cimentícias cruzaram a porta de entrada e estão se consolidando como um dos elementos mais versáteis da decoração contemporânea, especialmente para quem busca textura, personalidade e durabilidade em um único produto.
A mudança não aconteceu por acaso. O movimento do faça você mesmo, aliado ao crescimento de projetos com estética industrial e ao interesse crescente por materiais brutos e naturais, criou o ambiente ideal para que as placas cimentícias fossem redescobertos — agora com outro papel.
O que são as placas cimentícias e por que elas funcionam tão bem na decoração
Fabricadas à base de fibrocimento, as placas cimentícias são elementos industrializados, prontos para uso, que combinam alta resistência a impactos com uma superfície que aceita diferentes acabamentos: pintura, textura, revestimentos. Estão disponíveis em diversas espessuras, tamanhos e formatos, o que facilita muito a adaptação a diferentes projetos, sejam eles estruturais ou puramente decorativos.

O que o mercado da construção já sabia — resistência, durabilidade, fácil corte e manuseio, é justamente o que passou a interessar designers, marceneiros e criadores de conteúdo especializado em reforma. O material responde bem à serra mármore, permite cortes personalizados e tem bordas que, depois de lixadas, ganham um acabamento limpo e preciso. Aliás, essa facilidade de trabalho é um dos fatores que mais aproximam as placas cimentícias do universo do DIY.
“As placas cimentícias sempre foram reconhecidas pela resistência e durabilidade na construção, mas hoje queremos mostrar que elas também são uma solução criativa para dentro de casa, com liberdade para criar e adaptar aos mais diferentes estilos”, explica Francisco Araújo, especialista de produtos da Saint-Gobain Soluções para Construção.
Da cabeceira ao porta-temperos: aplicações que funcionam de verdade
O grande erro de quem ainda não conhece bem o material é imaginá-lo apenas como substituto da alvenaria. Na prática, as placas cimentícias dialogam muito bem com projetos de mobiliário autoral, painéis decorativos, nichos e prateleiras. A textura natural do fibrocimento, quando deixada à mostra ou levemente pintada, entrega um visual que combina com estilos que vão do minimalista ao boho industrial.
Um exemplo direto disso é o uso das placas como base para uma cabeceira de cama sob medida. No projeto, as peças foram cortadas de acordo com o desenho definido previamente, receberam acabamento, instalação de LED embutido e pintura final. O resultado trouxe volume, textura e personalidade ao quarto — algo que uma simples parede pintada raramente consegue entregar sem um custo muito mais elevado.

Na cozinha, o material também prova sua utilidade. Um porta-temperos construído com placas cimentícias aproveita exatamente a resistência do fibrocimento em um ambiente de uso intenso, onde umidade e variações de temperatura são constantes. A peça resulta funcional e decorativa ao mesmo tempo, sem abrir mão do design.
Outra aplicação que chama atenção é a criação de um aparador com estética industrial. Nesse caso, as placas foram serradas com serra mármore e tiveram as bordas lixadas para um acabamento mais preciso. A estrutura foi composta por canos de esgoto reforçados com madeira e finalizada com tinta spray preta — e o resultado é um móvel autoral, com visual urbano e contemporâneo que qualquer loja de design cobraria caro para entregar.
Por que o estilo industrial abraçou esse material
Não é coincidência que grande parte dos projetos decorativos com placas cimentícias se aproxime da estética industrial. O fibrocimento carrega, visualmente, a mesma linguagem do concreto aparente, da ferragem exposta e da madeira bruta — elementos que definem esse estilo. Dessa forma, ao incorporar as placas em um ambiente, a textura já entrega boa parte do trabalho estético sem necessidade de muitos outros elementos.
Além disso, o material dialoga bem com metais escuros, madeiras de tom médio a escuro, iluminação direcionada e paletas neutras com toques de preto. Mas não fica preso a esse universo: quando pintadas em branco ou em tons claros, as placas cimentícias se aproximam de um resultado mais clean, compatível com projetos minimalistas ou contemporâneos.
Dica do Enfeite Decora: Quem trabalha com placas cimentícias em ambientes internos costuma recomendar um detalhe que raramente aparece nos tutoriais: antes de pintar, aplique um selador específico para fibrocimento. Sem essa etapa, a tinta tende a ser absorvida de forma irregular pela superfície porosa do material, gerando manchas e diferenças de tonalidade que só aparecem depois que tudo já está montado. O selador também reduz o consumo de tinta nas demãos seguintes — e garante um resultado muito mais uniforme, especialmente em projetos com acabamento monocromático.
Do canteiro de obras para os projetos de interiores
O movimento que as placas cimentícias estão fazendo no mercado de decoração é parte de um processo maior: a aproximação entre a construção civil e o design de interiores. Materiais como o cimento queimado, o granilite, o tijolo aparente e as próprias placas de fibrocimento deixaram de ser vistos apenas como soluções técnicas e passaram a ser reconhecidos pelo valor estético que carregam.
Essa virada tem tudo a ver com o perfil de quem reforma e decora hoje. O consumidor atual busca ambientes com personalidade, que fujam da decoração de catálogo. E materiais com textura, história e caráter construtivo entregam exatamente isso — com a vantagem de, em muitos casos, custar menos do que as soluções tradicionais de acabamento.
As placas cimentícias cabem nesse contexto com naturalidade, seja em projetos assinados por arquitetos ou em reformas conduzidas pelo próprio morador. Basta saber cortar, acabar e combinar. O resto o material resolve sozinho.





