A escolha do piso ideal para casa deixou de ser apenas uma etapa técnica para se tornar uma decisão estratégica dentro do projeto de interiores. Isso acontece porque o revestimento é o único elemento que atravessa todos os ambientes, conecta espaços e influencia diretamente a percepção de conforto, amplitude e continuidade visual da casa.
Nos últimos anos, o interesse por reformas e melhorias residenciais cresceu de forma expressiva, impulsionado por uma mudança clara no comportamento de morar. A casa passou a assumir múltiplas funções (trabalho, descanso e convivência) e, por isso, o piso ganhou protagonismo. Não por acaso, muitos moradores descobrem apenas durante a reforma que escolher o material errado pode gerar ruído excessivo, desconforto térmico ou manutenção constante.
O grande erro aqui é decidir apenas pela aparência. O que realmente faz diferença é entender como cada material responde ao uso cotidiano, à incidência de luz natural e à dinâmica da rotina da casa.
O piso como base do projeto — e não como detalhe final
Arquitetonicamente, o piso funciona como uma “linha contínua” que organiza o espaço. Ele pode ampliar ambientes pequenos, aquecer visualmente áreas sociais ou até corrigir a sensação de frieza em projetos muito minimalistas. Por isso, antes de olhar catálogos, é essencial observar o comportamento de cada ambiente.

Áreas sociais, como salas e corredores, exigem resistência ao tráfego constante. Já dormitórios pedem conforto térmico e acústico. Cozinhas, lavanderias e banheiros, por outro lado, precisam lidar com umidade e limpeza frequente. Segundo Octavio Pozenato, gerente geral de produtos da Sodimac, a escolha deve sempre começar pelo uso real do espaço.
“Se você estiver escolhendo um piso para áreas externas da sua casa, como varanda ou quintal, é importante considerar a exposição ao sol, chuva e umidade. Materiais como cerâmica, porcelanato ou pedra natural oferecem maior durabilidade nessas condições.”
Quando o estilo da decoração conversa com o material
O piso é responsável por estabelecer o tom visual do ambiente antes mesmo da entrada dos móveis. Em projetos contemporâneos, por exemplo, superfícies cimentícias acetinadas aparecem com frequência justamente por criarem continuidade visual e reduzirem interferências estéticas.
Tons neutros, especialmente cinzas quentes, off-whites e beges minerais, continuam dominando projetos atuais porque permitem mudanças futuras no décor sem necessidade de reforma estrutural. Já os pisos amadeirados seguem como escolha recorrente em salas e quartos por equilibrar conforto visual e versatilidade.

Em composições mais rústicas ou naturais, pedras como travertino, ardósia e arenito aparecem como alternativas que trazem textura e sensação tátil ao ambiente. Entretanto, o excesso de informação é um risco. Misturar muitos materiais no piso fragmenta o espaço e reduz a sensação de amplitude.
O que percebemos nos projetos recentes é uma busca por continuidade, que envolve menos recortes, menos transições abruptas e mais fluidez entre os ambientes.
Tendências de pisos para 2026: praticidade e naturalidade caminham juntas
Se antes a escolha era guiada apenas pela estética, hoje tecnologia e manutenção pesam tanto quanto o design. Entre as principais tendências de pisos para casa em 2026, os pisos vinílicos continuam ganhando espaço graças à instalação rápida e ao conforto acústico — característica especialmente valorizada em apartamentos.
Disponíveis em padrões que reproduzem madeira e pedra com alto nível de realismo, eles oferecem resistência à água e manutenção simplificada, principalmente com os sistemas de encaixe click, que reduzem o tempo de obra.

Os pisos laminados também evoluíram tecnologicamente. As novas impressões reproduzem veios naturais com maior fidelidade e apresentam melhor resistência a riscos, tornando-se alternativas viáveis para áreas secas da residência.
Ao mesmo tempo, cresce o interesse por materiais sustentáveis. “Materiais como bambu e cortiça aparecem como alternativas interessantes para quem busca soluções mais conscientes. Além disso, o reaproveitamento de madeira de demolição cria pisos únicos, com personalidade própria”, observa Octavio Pozenato.
Essa valorização do natural acompanha uma mudança maior: a casa como refúgio sensorial, onde texturas e materiais ajudam a desacelerar o ritmo cotidiano.
Durabilidade: o fator que quase ninguém considera corretamente
Entre todos os critérios, a durabilidade costuma ser mal interpretada, já que resistência não significa apenas não quebrar! Ela envolve manutenção, facilidade de limpeza e envelhecimento estético.
Porcelanatos e cerâmicas, por exemplo, seguem como escolhas seguras para áreas de grande circulação devido à baixa absorção de água e resistência a manchas. Já a madeira maciça, embora mais sensível à umidade, pode durar décadas quando recebe manutenção adequada, como aplicação periódica de selantes.
Pedras naturais, por sua vez, como granito e mármore, oferecem longevidade elevada, mas exigem cuidados específicos contra manchas e produtos abrasivos. Por isso, o que realmente faz diferença é pensar no longo prazo! Um piso barato que precisa ser substituído em poucos anos quase sempre se torna o investimento mais caro da casa.
Casas com pets: conforto também é parte do projeto
Outro ponto cada vez mais relevante na escolha do piso ideal para casa é a presença de animais de estimação. Superfícies muito lisas podem causar escorregões e desgaste nas articulações dos pets, enquanto materiais porosos dificultam a limpeza.

Nesse caso, porcelanatos acetinados e pisos vinílicos costumam apresentar melhor equilíbrio entre resistência e aderência. Além disso, a facilidade de higienização se torna decisiva no dia a dia.
Como reforça Octavio Pozenato, “a facilidade de limpeza e a resistência a manchas são fundamentais, já que o piso está constantemente exposto a líquidos e resíduos.”
A decisão final não acontece na loja — acontece dentro da casa
Escolher o piso ideal exige imaginar o espaço já habitado. Como a luz entra pela manhã? O ambiente recebe sol direto? Há circulação intensa? Crianças ou pets usam o espaço diariamente?
Uma dica de ouro pouco comentada por profissionais é observar o piso em diferentes horários do dia antes de decidir. A iluminação natural altera completamente a percepção de cor e textura — especialmente em porcelanatos claros ou superfícies polidas.
Aliás, muitos arrependimentos surgem justamente porque o material foi escolhido sob luz artificial do showroom, e não na realidade do ambiente doméstico.
Por isso, sempre que necessário, é recomendado a busca por uma orientação profissional para definir estética e calcular com precisão a instalação, manutenção e custo ao longo do tempo. Afinal, o piso não é apenas acabamento: ele é a base silenciosa que sustenta toda a experiência de morar.





