Já reparou que um dos menores elementos de um ambiente pode ser justamente aquele que impede infiltrações, disfarça imperfeições, resguarda as paredes dos impactos e da umidade, e ainda contribui para a percepção de espaço? O rodapé está longe de ser apenas uma faixa entre o piso e a parede já que, na prática, ele participa do desempenho e da linguagem visual do projeto.
Para a arquiteta Juliana Faria, além de cumprir seu papel, ele também valoriza o projeto, em especial nos ambientes considerados como molhados.
“Em cozinhas e banheiros, ele preserva as paredes durante o processo de limpeza, ainda mais pelo hábito dos brasileiros de jogar água para lavar o piso”, explica.
Ademais, o rodapé ainda cobre a folga deixada entre o piso e a parede, necessária para que revestimentos como porcelanato, madeira e vinílico possam se expandir ou retrair conforme as variações de temperatura, mas sem comprometer a instalação.
Sobre o especialista
Juliana Faria é arquiteta com mais de 20 anos de experiência. Sua trajetória reúne conhecimento técnico e uma habilidade natural de comunicação, fazendo com que os clientes se sintam ouvidos e seguros durante todas as etapas do projeto.
Quanto mais discreto, melhor para o ambiente
Além do invertido, a profissional relata que existem os embutidos, que se apresentam no mesmo nível da parede, e os sobrepostos, que são os mais tradicionais. Entretanto, ela revela sua preferência por modelos baixos e pretos. A escolha, segundo ela, tem menos relação com tendência, mas sim com estratégia.

“Eles criam uma linha de sombra muito elegante na transição diferente, tal qual se o piso se desprendesse da parede. Desta forma, o protagonismo fica para a arquitetura de interiores do ambiente”, argumenta.
O efeito mencionado por Juliana também interfere na leitura das proporções. Em apartamentos contemporâneos, onde pés-direitos variam entre 2,40 e 2,50 m, um componente muito alto pode fragmentar visualmente a parede e acentuar a sensação de limitação. “Gosto muito da discrição que preserva a continuidade das superfícies e ajudam a na percepção de uma parede maior”, pontua.

Essa lógica, porém, não é absoluta. Em imóveis com pé-direito elevado ou com uma leitura mais clássica, a arquiteta diz que as versões entre 7 e 20 cm de altura, com frisos e cores claras podem dialogar melhor com o conjunto do projeto. “Proporção é a palavra-chave e o rodapé precisa fazer sentido com o estilo do ambiente”, sintetiza.

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Funcionalidade também pesa na escolha
A estética costuma ser o primeiro aspecto percebido pelo morador, mas é a rotina que coloca o rodapé à prova. Juliana destaca que o rodapé preto é eficiente para esconder as marcas deixadas pela movimentação de vassouras, aspiradores e o tempo de uso – um problema recorrente em peças claras.
“Por reunir praticidade, durabilidade e um bom custo-benefício, ele acabou se tornando uma assinatura dos nossos projetos”, comenta. Segundo ela, clientes mais tradicionais, em princípio, não recebem bem a ideia por estarem acostumados com as versões mais altas e ornamentadas. “Mas quando eu discorro sobre as vantagens, é muito frequente a aceitação”, complementa.
De modo geral, antes de bater o martelo a matéria-prima do rodapé, a arquiteta recomenda considerar as características do ambiente. Poliestireno e alumínio oferecem bom desempenho em locais sujeitos à umidade – materiais inadequados nesses cômodos podem sofrer deformações precoces. “Não adianta escolher um rodapé bonito se ele não suporta as condições de uso daquele espaço”, conclui Juliana.
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