Curitiba se prepara para receber um empreendimento que ultrapassa a lógica tradicional do mercado imobiliário. Mais do que números expressivos ou uma localização estratégica, o novo complexo em implantação no Centro de Curitiba surge como uma proposta urbana capaz de reativar fluxos, estimular o convívio e reposicionar a região como um território vivo, integrado e desejável para morar.
Implantado em um terreno de 2.593,48 m², o projeto conecta a Rua André de Barros à Avenida Marechal Floriano Peixoto por meio de uma galeria aberta ao público — um gesto urbano que resgata a vocação histórica do Centro como espaço de encontros, comércio e circulação cotidiana.
Arquitetura como ferramenta de reconexão urbana
Com 766 unidades residenciais e sete lojas, o empreendimento parte de uma leitura sensível do entorno. Em vez de se fechar para a cidade, ele se estrutura a partir de espaços que convidam à permanência, ao atravessamento e à convivência espontânea. A galeria urbana funciona como elemento-chave dessa estratégia, dissolvendo limites entre o público e o privado.
Segundo Nikolas Batista, diretor de incorporação da Hype Empreendimentos, o projeto nasce justamente da necessidade de romper com modelos repetitivos. Para ele, a saturação do mercado de studios genéricos abriu espaço para uma proposta que dialogasse com a história e a densidade do Centro.
“Identificamos uma fresta urbana que nos permitiu criar um projeto conectado à memória da região e, ao mesmo tempo, alinhado a novas formas de viver a cidade”, afirma.
Um programa que amplia a ideia de morar
Ao longo do complexo, áreas comuns deixam de ser coadjuvantes e passam a integrar o cotidiano dos moradores. Coworking, co-kitchens, skybar panorâmico, espaços wellness, piscinas, academias, salas de jogos e áreas de yoga internas e externas foram pensados como extensões naturais da casa — e não como ambientes ocasionais.
Essa lógica orientou o trabalho do Todos Arquitetura, responsável pelos interiores. Para o arquiteto Maurício Arruda, cada espaço foi desenhado para uso real.
“Nesse empreendimento, não existem áreas de passagem ou cenográficas. Tudo foi concebido para ser vivido no dia a dia, porque acreditamos que as áreas comuns precisam fazer parte da rotina”, explica.
Identidade arquitetônica e impacto na paisagem
A volumetria do edifício, assinada pelo escritório Königsberger Vannucchi, reforça a intenção de criar um marco urbano sem recorrer a excessos formais. O projeto aposta em ritmo, textura e integração entre arquitetura, paisagismo e luminotécnica para construir uma identidade reconhecível, porém alinhada ao contexto. A arquiteta Giselle Garay destaca que o térreo aberto é um dos principais atributos do conjunto.

“A proposta é revitalizar o Centro com um edifício que se abre para a cidade, valoriza a circulação de pedestres e integra comércio, luz natural e espaços de convivência”, afirma.
Paisagismo como elemento de humanização
Em um contexto urbano denso, o paisagismo assume papel estratégico. Assinado por Faisal Paisagismo, o projeto utiliza jardins suspensos, floreiras nas fachadas e praças internas como dispositivos de conforto ambiental e conexão com a natureza. Marcelo Faisal explica que a intenção foi suavizar a escala do conjunto e aproximar o edifício da experiência humana.
“A inserção de áreas verdes contribui para a ventilação, a permeabilidade visual e a sensação de acolhimento, mesmo em um ambiente central e intenso como esse”, observa.
Design e narrativa urbana
A identidade visual e a comunicação do empreendimento ficaram a cargo da DEA Design. Para a diretora criativa Lúcila Muranaka, o design atua como fio condutor da experiência urbana.
“O projeto constrói uma narrativa que conecta arquitetura, paisagem e comportamento, orientando percursos e reforçando a identidade do lugar”, explica.
Essa abordagem reforça a ideia de que o complexo não se limita à função residencial, mas se posiciona como parte ativa da cidade.
Um novo capítulo para o Centro
Ao reunir arquitetura autoral, programa de uso misto e espaços verdadeiramente públicos, o empreendimento aponta para uma transformação mais ampla do Centro de Curitiba. Não se trata apenas de um lançamento imobiliário de grande porte, mas de uma proposta que reposiciona a região como lugar de encontro, permanência e vida urbana qualificada.
“Não buscamos entregar apenas mais um prédio, mas criar uma referência urbana — um edifício funcional, esteticamente potente e emocionalmente relevante”, resume Nikolas Batista.





