Nem toda escolha que parece elegante à primeira vista vai funcionar no ambiente. Na sala de jantar, por exemplo, onde o mobiliário precisa equilibrar estética e funcionalidade ao mesmo tempo, alguns erros se repetem com frequência e o pior: costumam passar despercebidos até que o cômodo já esteja montado e algo pareça “errado”, sem que o morador consiga identificar exatamente o quê.
A designer de móveis Alessandra Delgado observa esse padrão com regularidade em projetos e consultas. Para ela, o problema começa antes mesmo da compra: “Muita gente comete erros ao escolher móveis para sala de jantar. E o que parece ser uma escolha sofisticada, na verdade pode estar comprometendo a harmonia do espaço e a elegância do ambiente.”
Sobre o especialista
Alessandra Delgado, designer de móveis autorais há 25 anos. Cria peças que unem design atemporal e conforto.
Mesa espelhada
Contando com um acabamento brilhante que remete ao luxo, o apelo visual de uma mesa espelhada é imediato. E na vitrine da loja, o efeito é de fato chamativo. O problema aparece quando ela entra na sala de jantar de verdade e o brilho excessivo e os reflexos constantes criam confusão visual.

Afinal, o olho não encontra um ponto de descanso e tudo o que está ao redor da mesa, sejam as paredes, as cadeiras ou até mesmo as pessoas, aparece multiplicado e distorcido na superfície, tornando o ambiente visualmente poluído. Além disso, a peça tende a refletir justamente o que não deveria estar em destaque: o teto, cabos elétricos, o caos fora do enquadramento ideal.
O que realmente funciona é investir em uma mesa com base bem projetada, de linhas equilibradas, que se destaque pelo design e não pelo reflexo. Madeira com acabamento natural ou laca fosca, tampos de mármore ou porcelanato com efeito pedra são opções que trazem peso visual positivo e amplitude ao mesmo tempo. A mesa deve chamar atenção pelo que ela é, não pelo que ela espelha.
Cadeiras estofadas com estampa pesada
Cadeiras estofadas são uma boa pedida para a sala de jantar, mas aqui o problema está na escolha do tecido. Estampas muito grandes, carregadas ou com muitas cores podem parecer uma forma de personalizar o espaço, mas o resultado costuma ser o oposto do pretendido: o ambiente fica carregado, a leitura visual se fragmenta, e a tendência é que a peça envelhece visivelmente com o tempo.

“Prefira cores elegantes, escolha tecidos naturais, equilibrados. Cadeiras com madeira bonita, com estofados em tons coerentes e texturas, vão criar uma sensação de harmonia e trazer mais elegância para sua sala de jantar”, orienta Alessandra Delgado.
Tecidos como linho, bouclê e veludo em tons neutros, como bege, cinza, off-white e verde-musgo, sustentam o décor por muito mais tempo e dialogam com praticamente qualquer estilo de mesa. A textura substitui a estampa com muito mais sofisticação. Quando há madeira aparente nas pernas ou no encosto, o resultado é ainda mais equilibrado, porque o material natural ancora a peça ao ambiente sem competir com outros elementos.
Móveis desproporcionais
Uma mesa grande em uma sala de jantar pequena parece, na teoria, uma solução para acomodar mais pessoas. Na prática, ela compromete a circulação, pesa visualmente e elimina qualquer sensação de fluidez no ambiente. O mesmo vale para um aparador volumoso posicionado numa parede que não comporta seu gabarito.
A proporção entre os móveis e o espaço disponível é um dos critérios mais importantes do design de interiores e um dos mais ignorados na hora da compra. Antes de escolher qualquer peça, é necessário medir o cômodo com atenção e considerar o corredor de circulação mínimo em torno da mesa, que deve ser de pelo menos 90 centímetros para que cadeiras sejam puxadas e pessoas circulem com conforto.
“Escolha móveis proporcionais ao tamanho do seu espaço, que não vão sobrecarregar a circulação, proporcionando fluidez. Peças como um aparador elegante, uma mesa de linhas delicadas, vão trazer mais equilíbrio ao ambiente e ampliar a sensação de espaço”, explica a designer.
Mesas de base única, com tampo redondo ou oval, costumam ser escolhas mais generosas para ambientes compactos porque eliminam os pés nas extremidades e permitem acomodar uma cadeira a mais com facilidade. Aparadores mais baixos, de perfil esguio, cumprem a função de armazenamento sem dominar a parede.
Quando os móveis conversam entre si, o espaço respira
O fio condutor dos três erros acima é o mesmo: a ausência de critério na escolha. Seguir tendência sem avaliar proporção, material e harmonia com o restante do décor resulta em ambientes que parecem montados, não projetados.
A sala de jantar é um dos poucos cômodos da casa onde convivência e estética precisam andar juntas. Por isso, não basta que a mesa seja bonita, ela precisa funcionar bem com as cadeiras, com a luminária sobre ela e com o espaço ao redor. Quando isso acontece, o ambiente ganha equilíbrio quase automático. Nada parece estar no lugar errado, e a elegância aparece sem esforço.
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