Cinquenta anos de existência pedem uma celebração à altura. A Artefacto chegou à edição 2026 de sua mostra com o tema Maturidade, e a escolha não é apenas simbólica. Ela orienta cada projeto exposto na loja do CasaShopping, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde arquitetos de diferentes gerações e repertórios se reuniram para discutir, na prática, o que significa morar bem quando se tem história acumulada.
A proposta da Mostra Artefacto 2026 é essa: convidar os profissionais a fazer uma leitura do morar contemporâneo pelo filtro do tempo e da experiência. O resultado é uma sequência de ambientes que fogem da decoração de vitrine e apostam em narrativas reais, com brasilidade, precisão técnica e um olhar atento para o que as memórias têm a dizer sobre o espaço em que vivemos.
Ambientes que narram histórias
Entre os projetos assinados para a mostra, alguns se destacam pela profundidade conceitual com que tratam o tema. Deise Maturana e Chríscilla Maturana, tia e sobrinha, unem repertórios complementares em um living com espaço gourmet integrado. A parceria entre gerações diferentes dentro de uma mesma família é, por si só, uma declaração sobre o que a maturidade representa no design: não é rigidez, mas soma de pontos de vista.

Cristina Côrtes parte das memórias de viagem para construir um ambiente de descanso e convivência. O projeto integra living com home theater, sala de jantar e adega, tornando obras de arte e lembranças pessoais os principais elementos decorativos do espaço. Aliás, esse uso da arte como âncora emocional do projeto é uma das marcas mais fortes desta edição.
A dupla Ricardo Melo e Rodrigo Passos traduz o conceito de maturidade como conquista. A área social que assinam é ampla, descontraída e aposta em texturas naturais e obras de arte para transmitir a sensação de que aquele espaço foi construído ao longo do tempo, não montado de uma vez.
Pedra, madeira e adega como símbolos
Paulo Valente cria um living onde a memória narrativa ganha materialidade. Pedras naturais e madeira compõem a base do projeto, que tem a adega como elemento central e simbólico. A referência ao vinho não é casual: o processo de amadurecimento, transformação e valorização com o tempo é exatamente o que o tema propõe.

Babi Teixeira opta por uma abordagem mais contida, com paleta neutra e texturas naturais, onde livros e obras de arte assumem o papel de guardar e exibir memórias. A iluminação, cuidadosamente planejada, destaca cada detalhe sem competir com os elementos afetivos do ambiente.
Uma mostra para todos os tipos de morar
No total, são 20 arquitetos participantes, entre eles Ale Rangel, Allan Napolião, Ana Lúcia Jucá, Ana Raquel Oliveira, Andrea Eiras, Alice Eiras, Aurora Grei, Babi Teixeira, BMF Arquitetura, Carla Napolião, Claudia Pimenta e Patricia Franco, Leila Dionizios, Marcia Meira, Marilene Galindo, Bugallo Arquitetura e Studio Lucio Nocito. Cada um traz uma leitura particular do que é design de interiores quando guiado pela experiência de vida, e não apenas pelas tendências do momento.
A Mostra Artefacto 2026 fica em cartaz no CasaShopping, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, e é entrada gratuita ao público.






