Há algo de profundamente coerente quando o design atemporal deixa de ser apenas discurso e se transforma em prática construtiva. No universo do mobiliário outdoor brasileiro, essa permanência não se apoia em modismos, mas em decisões formais precisas, na escolha criteriosa dos materiais e na atenção ao conforto. É nesse ponto que a curadoria In&Out de Jader Almeida se estabelece: como uma leitura madura da relação entre arquitetura, paisagem e modo de viver.
Mais do que uma coleção para áreas externas, trata-se de um conjunto de peças que compreendem o espaço de maneira ampliada. O mobiliário outdoor deixa de ser limitado ao jardim ou à varanda e passa a ocupar uma zona de transição fluida entre interior e exterior, preservando identidade, ergonomia e refinamento construtivo.
Design como permanência e coerência formal
A base conceitual da curadoria repousa na ideia de que o design autoral brasileiro deve resistir ao tempo. As peças reunidas evidenciam linhas equilibradas, proporções rigorosas e uma leitura estrutural clara. Nada é gratuito. Cada encaixe, cada espessura e cada junção revelam um pensamento contínuo entre forma, função e processo produtivo.

O Banco Bean, por exemplo, assume uma linguagem direta. As ripas espessas de madeira e os parafusos aparentes não escondem sua estrutura; ao contrário, a celebram. Os pés em aço carbono de chapa plana reforçam a clareza construtiva e criam uma presença sólida, mas discreta. Assim, o banco pode atuar tanto como assento quanto como aparador, adaptando-se a diferentes escalas espaciais sem perder força visual.
Já o Banco Basso trabalha um contraste sutil entre o controle industrial e a expressividade orgânica da matéria-prima. O encosto polido dialoga com a base mais natural, enquanto o assento esculpido de maneira anatômica evidencia o cuidado com a ergonomia. O conforto, aliás, é uma constante nessa produção — não como adorno, mas como premissa estrutural.
“Vejo esses produtos como extensões de um mesmo pensamento: objetos que nascem da relação direta entre função, material e processo construtivo. São peças que não se apoiam em tendências, mas em coerência, conforto e significado, capazes de se manter relevantes ao longo do tempo e em diferentes contextos arquitetônicos”, afirma Jader Almeida.
Interior e exterior: uma transição natural
Um dos aspectos mais consistentes da proposta In&Out está na capacidade de transitar entre ambientes. A Cadeira Doty, por exemplo, demonstra essa versatilidade com precisão. Originalmente reconhecida por seu desenho leve, ganha nova escala e consolida-se como peça polivalente, adequada tanto a mesas de jantar quanto a áreas de jogos ou ambientes de trabalho doméstico.
A leveza estrutural não compromete a estabilidade. Pelo contrário, reforça a intenção de criar um mobiliário que dialogue com diferentes usos sem se tornar protagonista excessivo. Assim, o espaço respira. A arquitetura permanece evidente.

No campo das superfícies, a Mesa Seixo explora a materialidade mineral com presença quase escultórica. O tampo irregular, formado pela composição de mármores assimétricos, contrasta com os pés metálicos tubulares dispostos de maneira aparentemente disforme. O resultado é robusto, porém equilibrado — uma peça que poderia estar tanto em uma varanda aberta quanto em uma sala de estar contemporânea.
Essa fluidez entre dentro e fora responde a uma transformação mais ampla da arquitetura brasileira, que cada vez mais privilegia integração visual, ventilação cruzada e continuidade de materiais.
Controle da luz e experiência sensorial
Pensado especificamente para áreas externas, o Parassol Bird traduz uma leitura poética do controle da luz. Inspirado no comportamento das folhas, permite que seus elementos se movimentem em diferentes ângulos e girem 360 graus. Dessa forma, a sombra torna-se dinâmica, acompanhando o percurso do sol ao longo do dia.
A tecnologia, aqui, não se impõe visualmente. Ela atua como suporte invisível para uma experiência mais confortável. O mesmo acontece com o Swing Bea, que amplia a dimensão sensorial do design. Suspenso por um único ponto, permite giro completo e balanço suave. As almofadas generosas no assento e no espaldar reforçam a ideia de pausa e acolhimento — especialmente em áreas de transição entre o interior e o exterior.
O balanço não é apenas movimento físico; é convite à desaceleração. E, em um contexto urbano cada vez mais acelerado, essa qualidade ganha ainda mais relevância.
A força do design autoral brasileiro no cenário contemporâneo
Ao destacar essa curadoria, a JADERALMEIDA reafirma seu posicionamento no design contemporâneo brasileiro. A produção autoral evidencia precisão formal, domínio técnico e exploração ampla das possibilidades dos materiais de alta performance. Madeira, aço e pedra não são apenas matérias-primas; tornam-se linguagem.
Essa abordagem consolida uma compreensão mais ampla do que é o mobiliário outdoor de alto padrão hoje: peças duradouras, integradas à arquitetura, capazes de atravessar estações, reformas e transformações de uso sem perder sentido.





