O mobiliário assinado por artista roraimense acaba de ultrapassar fronteiras geográficas e simbólicas. A Forest Chair, criação de Milhomem Alba, está em exibição em uma galeria de arte em Lake Worth, na Flórida, integrando a programação do Palm Beach Design Showroom. Trata-se da primeira unidade da peça em território americano — um marco que amplia a visibilidade do design amazônico contemporâneo no circuito internacional.
Entretanto, o feito vai além da exportação de um objeto. Estamos diante de um projeto que materializa identidade cultural, território e memória coletiva em forma de mobiliário autoral brasileiro.
Design amazônico como expressão cultural
Apresentada como Forest Chair – First Edition, a peça inaugura uma nova etapa para o design produzido em Roraima, posicionando-o dentro de galerias que tradicionalmente exibem pinturas, esculturas e instalações artísticas.

O que chama atenção, aliás, é que a poltrona é o único mobiliário presente em um acervo majoritariamente composto por obras de arte. Assim, o objeto deixa de ser apenas funcional para assumir caráter escultórico e colecionável.
A proposta combina aço carbono, madeira amazônica e tramas manuais em palha de buriti, árvore nativa da região Norte. O contraste entre estrutura metálica e fibras naturais traduz a dualidade da própria floresta: resistência e delicadeza convivendo em equilíbrio.
A rede que virou poltrona
Inspirada no conceito da “rede de sentar”, elemento tradicional na cultura amazônica, a Forest Chair transforma o gesto cotidiano de descanso em experiência estética.
O assento é tecido manualmente por artesãos indígenas com fibra de buriti, processo que pode levar cerca de dois meses para ser concluído. Esse tempo de produção reforça o caráter exclusivo da peça e a afasta de qualquer lógica industrial.
Cada unidade possui número de série e certificado de autenticidade, característica comum em mobiliário de alto padrão e peças destinadas ao colecionismo.
A série inicial é limitada a apenas dez unidades, o que consolida seu posicionamento como design de edição restrita.
A valorização da identidade regional no cenário global
A presença do mobiliário assinado por artista roraimense nos Estados Unidos evidencia um movimento maior: o reconhecimento do design autoral brasileiro como expressão cultural legítima no mercado internacional.

Durante décadas, a produção amazônica esteve associada apenas ao artesanato tradicional. Contudo, projetos como a Forest Chair demonstram que é possível integrar tradição manual e linguagem contemporânea sem descaracterizar a essência local.
Nesse sentido, o uso da palha de buriti não é apenas estético. Ele carrega história, saber ancestral e sustentabilidade, elementos cada vez mais valorizados no design internacional de interiores.
Série Brasil e expansão internacional
Enquanto a peça direciona seu foco prioritariamente ao mercado externo, uma edição especial limitada está prevista para circulação nacional. A chamada Série Brasil será inicialmente comercializada em Roraima e, dependendo da disponibilidade, poderá alcançar outras regiões do país.
O projeto também prevê participação em novas exposições e premiações na América do Norte e na Europa, fortalecendo a presença do mobiliário brasileiro contemporâneo em galerias e feiras internacionais.
O que a Forest Chair representa para o design brasileiro
A consolidação do mobiliário assinado por artista roraimense em uma galeria norte-americana não é apenas uma conquista individual. Ela simboliza a expansão do olhar sobre o design produzido fora dos grandes eixos tradicionais.
Além disso, evidencia que o design amazônico pode dialogar com mercados sofisticados sem abrir mão de suas raízes.
Ao transformar a rede indígena em peça de galeria, o projeto cria uma ponte entre tradição e inovação, entre floresta e metrópole, entre arte e funcionalidade.
E talvez seja exatamente essa capacidade de síntese que explique seu destaque internacional.





