Ao longo de 2025, o desempenho do varejo de móveis apresentou um comportamento marcado por instabilidade. Em alguns momentos, o setor conseguiu sustentar leves avanços; em outros, enfrentou retrações sucessivas que comprometeram o resultado anual. Até novembro, o saldo acumulado indicava queda de 4,5%, refletindo um cenário de consumo mais cauteloso, especialmente nos grandes centros urbanos.
Esse movimento revela um setor que não encontrou sustentação ao longo do ano. Mesmo nos meses em que houve recuperação pontual, o avanço não foi suficiente para neutralizar os recuos registrados anteriormente, o que manteve o desempenho geral pressionado.
Desempenho regional mostra contrastes importantes
Embora o resultado nacional tenha sido negativo, o comportamento das vendas de móveis não foi homogêneo entre os estados. Algumas unidades da federação conseguiram manter trajetória mais consistente, com desempenho positivo ou estável ao longo do ano. Espírito Santo, Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco e Goiás figuraram entre os destaques, sustentando crescimento mesmo diante de um cenário macroeconômico mais desafiador.
Entretanto, esse movimento não foi suficiente para alterar o quadro geral. Isso ocorre porque o consumo de móveis no Brasil é fortemente concentrado em poucos estados, o que amplia o impacto de desempenhos negativos em regiões estratégicas.
O principal fator de pressão sobre o setor foi o desempenho do maior mercado consumidor do país. São Paulo, responsável por cerca de 31% do consumo nacional de móveis, registrou queda contínua tanto na receita nominal quanto no volume de vendas ao longo de todos os meses analisados.
Até novembro, o estado acumulava retração de 21,5%, um recuo expressivo que acabou neutralizando os avanços observados em outras regiões. A dimensão desse mercado faz com que qualquer desaceleração tenha efeito imediato sobre os números nacionais, evidenciando a dependência estrutural do setor em relação ao consumo paulista.
Outros grandes estados também contribuíram para a retração
Além de São Paulo, o desempenho fraco em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul reforçou o cenário de queda. Esses estados, tradicionalmente relevantes para o varejo de móveis, também apresentaram recuos importantes, ampliando a dificuldade de recuperação do setor no acumulado do ano.
Esse conjunto de resultados ajuda a explicar por que, mesmo com exceções regionais positivas, o varejo de móveis caminha para encerrar o ano em retração significativa.
Diante desse cenário, a possibilidade de reversão do resultado anual ficou condicionada a um desempenho excepcional em dezembro. Sem uma reação expressiva no último mês do ano, a tendência é de consolidação da queda, refletindo um ciclo de ajuste no consumo de bens duráveis voltados ao lar.
A análise dos dados de janeiro, março, junho, setembro e novembro evidencia um padrão de oscilação que, embora apresente momentos de alívio, não conseguiu estabelecer uma trajetória consistente de recuperação.





