Não se trata apenas de estética. Quando falamos em design italiano, falamos de método, de indústria bem estruturada e, sobretudo, de uma cultura que entende que forma e função caminham juntas. É justamente essa visão sistêmica que o Italian Design Day traz ao Brasil, ampliando a colaboração entre empresários brasileiros e o ecossistema criativo da Itália.
Criado em 2017 pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália, em colaboração com o Ministério Italiano da Cultura, o evento nasceu com uma proposta clara: promover o design como ferramenta cultural, econômica e estratégica. Assim, mais do que expor produtos, a iniciativa apresenta um modelo de pensamento que integra criatividade, artesanato, inovação tecnológica e sustentabilidade.
“Mais do que promover produtos, o evento valoriza um sistema que integra criatividade, indústria, artesanato, inovação tecnológica e sustentabilidade”, explica Milena Del Grosso, diretora da Italian Trade Agency Brasil. A frase sintetiza um ponto essencial: o design não é tratado como objeto isolado, mas como parte de uma cadeia produtiva robusta e inteligente.
Design como estratégia industrial — e não apenas tendência
O grande erro, quando se observa o sucesso do mobiliário italiano ou da iluminação italiana, é imaginar que tudo se resume a estilo. O que realmente faz a diferença é a combinação entre pesquisa de materiais, precisão técnica e uma indústria capaz de transformar conceito em escala sem perder qualidade.

A Italian Trade Agency (ITA), braço governamental responsável pela promoção internacional das empresas italianas, atua justamente nesse ponto de intersecção entre cultura e negócios. Com escritórios ao redor do mundo, a instituição presta suporte principalmente a pequenas e médias empresas que desejam internacionalizar seus produtos, fortalecendo a presença do design italiano em mercados estratégicos como o Brasil.
Nesse sentido, o país ocupa uma posição relevante. Não apenas pelo tamanho do mercado, mas pela maturidade crescente do público consumidor e pela sofisticação dos profissionais de arquitetura e design de interiores.
“O Brasil é um mercado de prioridade para a internacionalização do design italiano. Existe aqui uma forte tradição criativa e um público cada vez mais consciente do valor agregado que o design carrega”, afirma Milena.
Essa consciência muda o jogo. Não se compra apenas uma cadeira; investe-se em processo, em narrativa, em tecnologia aplicada ao conforto e à durabilidade.
Conexão ítalo-brasileira: tradição, materialidade e fator humano
Há convergências claras entre Brasil e Itália quando o assunto é design de interiores e arquitetura. Ambos valorizam a matéria-prima, o gesto manual e a relação emocional com os espaços. Assim, o diálogo vai além da exportação de produtos — ele se transforma em intercâmbio de cultura projetual.
Enquanto a Itália se destaca pela precisão industrial e pela tradição centenária de marcenarias e serralherias autorais, o Brasil aporta inventividade, tropicalidade e domínio de materiais naturais. Dessa forma, o Italian Design Day funciona como ponte entre dois modos de pensar o morar.
O portal Design Italiano, iniciativa da ITA Brasil, reforça essa estratégia ao apresentar 43 marcas representativas do país organizadas por categorias como móveis, iluminação, acessórios, utensílios domésticos e soluções para hospitalidade. Não é um catálogo comercial simplificado, mas um recorte curatorial que evidencia o panorama contemporâneo do setor.
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Salone del Mobile e o intercâmbio internacional
Para 2026, a estratégia ganha musculatura. Está prevista a ampliação de ações que incentivam o intercâmbio empresarial, incluindo a participação de empresários brasileiros em feiras como o Salone del Mobile, em Milão — evento que dita rumos para o mercado global de móveis, iluminação e decoração.
Essa troca é fundamental. Quem visita o Salone percebe que o diferencial não está apenas no lançamento de peças, mas na forma como tecnologia, sustentabilidade e narrativa são integradas ao projeto. Aliás, muitas das soluções vistas em Milão meses depois influenciam decisões em escritórios de arquitetura no Brasil.
Contudo, é preciso olhar para esse movimento com maturidade. Importar tendência sem contexto é um equívoco recorrente. O que realmente funciona é adaptar conceitos ao clima, à cultura e aos hábitos locais — algo que tanto Brasil quanto Itália sabem fazer quando há diálogo real.





