O desejo por uma banheira em apartamento costuma surgir como resposta direta à busca por conforto, bem-estar e uma rotina mais desacelerada. No entanto, diferente do que muitas reformas fazem parecer, a substituição do box por uma banheira não é um gesto simples — e tampouco apenas estético.
Trata-se de uma decisão que envolve estrutura, segurança e planejamento técnico rigoroso. Ignorar essas etapas pode comprometer não apenas o imóvel, mas todo o edifício.
Peso e estrutura: o primeiro limite do projeto
Ao contrário do imaginário popular, a instalação de uma banheira em apartamento não depende apenas de espaço físico. O fator determinante está na carga estrutural da laje, que precisa suportar o peso da banheira vazia, da água e do usuário. Quando somados, esses elementos podem ultrapassar facilmente os limites previstos no cálculo estrutural original do prédio.
Em edifícios residenciais, especialmente os mais antigos, a laje foi dimensionada para cargas distribuídas típicas de um banheiro convencional. Por isso, em grande parte dos casos, a instalação de uma banheira tradicional simplesmente não é viável. Estimativas técnicas apontam que essa limitação estrutural impede a instalação em cerca de 70% dos apartamentos.
Segundo o engenheiro civil Silvio Soares, especialista em estruturas prediais, qualquer intervenção desse tipo deve começar por uma análise criteriosa. “A banheira concentra carga em um ponto específico da laje. Sem um laudo estrutural, o risco não é apenas trinca ou recalque, mas comprometimento da segurança do edifício”, explica.
Banheira de imersão: alternativa mais leve e viável
Diante dessas restrições, a banheira de imersão surge como uma solução mais compatível com apartamentos. Sem motores, bombas ou sistemas de hidromassagem, esse modelo é significativamente mais leve e exige menos infraestrutura técnica, reduzindo impactos na estrutura.
No projeto do arquiteto Bruno Moraes, essa escolha foi decisiva. A opção pela banheira de imersão permitiu viabilizar o conforto sem comprometer a segurança. “Ela é mais simples, mais leve e dialoga melhor com a lógica estrutural do apartamento. Além disso, conseguimos um resultado estético mais limpo e atemporal”, comenta.
Ainda segundo o arquiteto, a solução hidráulica também precisa ser pensada com precisão. No projeto, a água foi derivada diretamente do misturador do chuveiro, com os pontos posicionados na altura correta para garantir conforto no uso e harmonia visual no ambiente. Essa estratégia evita intervenções complexas na prumada e mantém o sistema eficiente.
Impermeabilização e riscos invisíveis
Outro ponto crítico ao instalar uma banheira em apartamento é a impermeabilização. Diferente do banho rápido do chuveiro, a banheira trabalha com grande volume de água acumulada, o que aumenta o risco de infiltrações silenciosas — especialmente perigosas em edifícios residenciais.
Falhas na impermeabilização podem gerar danos progressivos à laje, ao teto do vizinho inferior e às instalações elétricas. Por isso, o sistema deve ser completamente refeito, respeitando camadas, ralos adequados e testes de estanqueidade antes da liberação do uso.
Nesse sentido, o planejamento técnico não é um detalhe, mas a base do projeto. “É comum o cliente focar apenas no modelo da banheira, quando o verdadeiro desafio está no que não aparece: estrutura, impermeabilização e compatibilização hidráulica”, reforça Bruno Moraes.
Planejamento, normas e aprovação do condomínio
Além das questões técnicas, a instalação de uma banheira em apartamento exige atenção às normas do condomínio. Muitas convenções proíbem alterações que aumentem a carga estrutural ou modifiquem prumadas hidráulicas. Ignorar esse aspecto pode resultar em embargos, multas e até na obrigação de desfazer a obra.
Dessa forma, o caminho seguro envolve projeto executivo, laudos técnicos, diálogo com o condomínio e acompanhamento profissional do início ao fim. Só assim o conforto pretendido não se transforma em dor de cabeça.





