Durante anos, a decoração caminhou em direção ao minimalismo extremo, às superfícies lisas e às paletas quase silenciosas. No entanto, em um movimento quase inevitável, a casa voltou a pedir afeto, história e acolhimento. É nesse cenário que o granny chic surge — ou melhor, retorna — como um estilo que ressignifica a casa de vó com olhar contemporâneo e sensível.
Longe da caricatura ou do excesso, o estilo granny chic propõe ambientes que abraçam a memória sem abrir mão do design. Florais delicados, crochês, móveis com marcas do tempo e objetos afetivos passam a conviver com escolhas bem pensadas, criando uma estética que emociona e acolhe.
O que define o estilo granny chic hoje
O granny chic atual não é uma reprodução literal das casas do passado. Ele funciona como uma curadoria cuidadosa, em que cada elemento carrega significado. A estética nasce do equilíbrio entre o antigo e o novo, entre o sentimental e o funcional.

Xícaras herdadas, louças com desenho clássico, mantas artesanais e almofadas fofas aparecem lado a lado com sofás de linhas confortáveis, iluminação bem estudada e paletas cromáticas suaves. O resultado é um espaço que transmite intimidade, mas também intenção.
Segundo o designer Marcelo Rosenbaum, conhecido por valorizar o design afetivo brasileiro, “quando a casa acolhe memórias, ela se torna mais humana. O segredo está em editar, não acumular. Escolher o que conta uma história real”.
Florais, crochês e estampas: como usar sem pesar
Um dos grandes desafios do granny chic está no uso de estampas e texturas. Florais miúdos, padronagens clássicas e tecidos artesanais são marcas registradas do estilo, mas precisam de respiro para não sobrecarregar o ambiente.
Dessa forma, é comum que os projetos trabalhem com uma base neutra — paredes claras, madeira natural ou tons suaves — para que os elementos afetivos ganhem destaque pontual. Almofadas, poltronas, colchas ou até um papel de parede em apenas uma parede cumprem esse papel com leveza.

A arquiteta Paola Ribeiro observa que o estilo funciona melhor quando há contraste. “O granny chic fica interessante quando você mistura o delicado com algo mais limpo ou contemporâneo. Um móvel antigo ao lado de uma luminária atual, por exemplo, cria um diálogo bonito entre épocas”, explica.
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Móveis com história e o valor do imperfeito
No estilo granny chic, móveis com marcas do tempo não são problema — são virtude. Cômodas herdadas, cadeiras garimpadas e mesas de madeira maciça carregam uma estética que dificilmente pode ser reproduzida por peças novas.
Esses móveis ajudam a construir uma atmosfera de permanência, quase como se o espaço tivesse sido vivido por gerações. Pequenos desgastes, patinas naturais e texturas irregulares reforçam o caráter afetivo da decoração.

Aliás, essa valorização do imperfeito conversa diretamente com uma busca atual por casas mais reais, menos cenográficas e mais conectadas à vida cotidiana.
Granny chic é sobre conforto — físico e emocional
Mais do que visual, o granny chic é um estilo sensorial. Poltronas confortáveis, tecidos macios, iluminação quente e ambientes que convidam à permanência são elementos centrais dessa estética.
É o tipo de casa que remete ao cheiro de bolo saindo do forno, ao silêncio da tarde e às conversas longas na sala. Não por acaso, o estilo cresce em um momento em que o lar voltou a ser refúgio e espaço de desaceleração.
Esse conforto emocional se traduz também em escolhas práticas: móveis acolhedores, disposição fluida e ambientes que priorizam o bem-estar acima de tendências passageiras.





