3 Forrações para jardim que substituem a grama em locais de muito sol

Nem sempre a grama é a melhor escolha para cobrir o solo do jardim, especialmente em áreas com sol intenso e pouca disponibilidade para manutenção.

3 Forrações para jardim que substituem a grama em locais de muito sol

Quando o assunto é forração para jardim em locais muito ensolarados, a maioria das pessoas parte direto para a grama-amendoim, que de fato funciona bem nessas condições. Mas o universo das plantas de forração vai muito além, e algumas opções chegam a superar a grama-amendoim tanto em beleza quanto em resistência. Duas delas, aliás, são nativas do Brasil.

A jardineira Carol Costa, do canal Minhas Plantas, conhece bem esse território e indica três substitutos que valem a troca — todos testados em condições reais de sol intenso, inclusive no clima árido do Nordeste.

Sobre o especialista

Carol Costa é jornalista formada pela PUC-SP e uma das maiores especialistas em jardinagem do Brasil, criadora do canal Minhas Plantas. Especializada em botânica no Instituto de Botânica de São Paulo, ensina o cultivo doméstico de forma simples.

Anil-de-jardim: o maciço verdinho que florece diferente

A primeira sugestão é o anil-de-jardim, uma planta nativa brasileira que forma um tapete denso e com coloração verde vibrante. Ao contrário da grama-amendoim, cujas flores são amarelas, o anil produz pequenas flores em tom coral, o que traz uma identidade visual bem particular ao jardim.

“Quando a gente fala em local ensolarado e forração que não é grama, a maioria dos paisagistas tem uma planta na ponta da língua, que é a grama-amendoim, que, de fato, vai funcionar pra locais assim. Mas o anil-de-jardim faz esse maciço bem verdinho e, ao contrário das flores amarelinhas da grama-amendoim, produz flores bem pequenas, meio cor de coral”, explica Carol Costa.

O anil-de-jardim é uma boa escolha para quem quer fugir do padrão sem abrir mão da robustez. Ele tolera bem o calor e se espalha de forma uniforme, cobrindo o solo com eficiência e beleza. Vale como forração para canteiros, bordaduras ou áreas próximas a caminhos pavimentados, onde a grama costuma sofrer com o reflexo do piso aquecido.

Falsa-érica: nativa, resistente à seca e cheia de flores lilás

A segunda opção é a érica-das-pedras, também conhecida como falsa-érica e também nativa. Quem já viu essa planta em flor entende imediatamente o apelo: são pequenas flores lilás que cobrem o volume inteiro da planta, criando um efeito quase decorativo, como se fossem tapetes floridos.

“Ela fica bem altinha, viu? Ela fica com quase 50 centímetros de volume. Além disso, como enche de flor, também enche de abelha. Então, é uma forma muito legal de você atrair abelhas nativas para dentro do seu jardim”, destaca Carol.

Esse volume de cerca de 50 cm a diferencia das forrações rasas mais comuns — o que significa que a falsa-érica funciona muito bem como maciço médio, criando camadas de altura no paisagismo sem precisar de adensamento de espécies. Além disso, ela é mais resistente à seca do que o próprio anil-de-jardim, o que a coloca em vantagem para jardins em regiões com menor disponibilidade hídrica ou em projetos com sistema de irrigação reduzido.

A presença de abelhas nativas atraídas pela floração é um bônus real para quem tem horta por perto. A polinização acontece de forma natural, sem nenhum esforço extra.

Onze-horas japonesinha: borboletas de manhã, solo seco o ano todo

A terceira forração indicada é uma variação do clássico onze-horas (chamada de japonesinha ou coreaninha). A planta se alastra por braços longos e rasteiros, o que a torna versátil: funciona tanto como forração de solo quanto debruçada para fora de vasos e jardineiras, criando aquele efeito cascata muito buscado na decoração de varandas e jardins verticais.

“A graça é que, pela manhã, as florzinhas se abrem e atraem borboletas, abelhas, mariposas e uma porção de besourinhos. É uma planta que traz vida pra dentro do jardim e não pede praticamente nada em troca, já que ela gosta de solo bem seco”, conta Carol Costa.

O grande diferencial dessa variedade está exatamente na combinação entre baixíssima exigência de rega e alta capacidade de atrair polinizadores. Solo seco e sol forte são as condições ideais, o que a torna perfeita para jardins com drenagem intensa, canteiros em áreas pavimentadas ou regiões com longos períodos de estiagem.

O grande erro aqui é subestimar essas plantas por achá-las simples demais. Na prática, são elas que sustentam o jardim quando as condições ficam difíceis e ainda entregam floração, cor e movimento.

Como escolher a forração certa para cada espaço

Cada uma das três plantas atende a perfis ligeiramente diferentes de jardim e de morador. O anil-de-jardim é a escolha mais equilibrada para quem quer um tapete verde denso com toque de cor. A falsa-érica é ideal para quem busca volume, floração abundante e contribuição ecológica real ao atrair polinizadores. Já a onze-horas japonesinha é a opção mais prática, para jardins que precisam de beleza com mínima intervenção.

As três são plantas de baixa manutenção, dispensam adubação frequente e se adaptam a solos pobres, características que qualquer projeto de paisagismo sustentável valoriza. Aliás, duas delas são nativas, o que significa que já estão adaptadas ao clima brasileiro e contribuem ativamente para o equilíbrio do ecossistema local.

Substituir a grama por uma dessas forrações não é apenas uma escolha estética. É uma decisão de projeto que impacta diretamente o quanto de tempo, água e dinheiro você vai gastar para manter o jardim bonito ao longo dos anos.

  • Claudio Filla é publicitário, gestor de mídias sociais e redator especializado em decoração e design de interiores. Usa o próprio apartamento como "ambiente de testes" — cada reforma é uma oportunidade de testar na prática o que escreve.

    Destaques
    Mais de 10 anos de experiência como editor e curador de conteúdo digital.Como editor/curador do Enfeite Decora, lidera um conselho editorial de arquitetos, designers e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo rigor técnico e normativo a cada artigo. Sua missão é traduzir as tendências de arquitetura e design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis para o morar contemporâneo.

    Experiência
    Claudio atua há mais de uma década como editor e curador de conteúdo, com foco em decoração de interiores, design e estilo de vida. Com formação em Publicidade e experiência em gestão de mídias sociais, desenvolve textos que equilibram informação técnica e inspiração.

    Formação acadêmica 
    Publicidade e Propaganda, Gestão em Mídias Sociais

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