Resumo
• A escultura da baleia metálica do B32 viralizou nas redes após ganhar um gorro gigante de Papai Noel, transformando-se em símbolo pop inesperado da Faria Lima.
• O empreendimento ocupa um terreno que antes tinha 35 casas, adquiridas por Rafael Birmann em negociações peculiares que incluíram viagens, caminhões e permutas diversas.
• A incorporação começou em 1998, passou por paralisações por licenças e processos e só foi concluída em 2020, após financiamento integral obtido por Ricardo Baptista.
• Avaliado em cerca de R$ 2,5 bilhões, o B32 reúne torre corporativa, teatro para 500 pessoas, restaurantes e a praça pública onde fica a baleia prateada de 20 metros.
• O gorro natalino transformou a obra em atração viral, mostrando como intervenções simples podem ressignificar a arte urbana e gerar conexão com o público.
Nos últimos dias, uma imagem inusitada tomou conta das redes sociais brasileiras: uma enorme baleia metálica, brilhante, exibindo um gorro de Papai Noel tão grande quanto sua própria estrutura. A cena é real e se passa no coração da Avenida Faria Lima, em São Paulo, onde a escultura instalada no complexo B32 não apenas entrou no clima natalino, mas também conquistou a internet com memes, piadas e encantamento espontâneo. O toque festivo transformou a obra em um ponto turístico momentâneo — e deu ao público um motivo extra para olhar para cima em meio ao vaivém apressado da região financeira mais movimentada do país.
A peça, embora agora esteja sob os holofotes digitais, já nasce icônica. Criada no processo de implantação do edifício B32, a escultura integra o projeto idealizado pelo empresário Rafael Birmann, figura central por trás da transformação de um terreno que antes era composto por 35 casas. O que o público vê hoje como um empreendimento sofisticado, com teatro, praça pública e uma torre corporativa de 24 andares, começou como uma operação de aquisição tão complexa quanto singular — e cheia de histórias curiosas.
Um terreno que começou com 35 casas e pedidos improváveis
Para levantar o B32 e dar vida à escultura monumental, Birmann enfrentou uma maratona de negociações que só se tornou possível ao longo de quase uma década, unindo persistência, criatividade e flexibilidade extraordinária. Segundo relatado pelo próprio empreendedor à revista Exame, cada morador tinha uma exigência diferente para aceitar vender sua casa. Muitas delas não passavam nem perto de pedidos tradicionais de compra e venda.
“Para quem queria viagem da Disney em troca, dávamos viagem da Disney. Tinha gente que queria um caminhão, dávamos o caminhão. Tinha quem queria um apartamento em Pinheiros… Teve de tudo”, disse Birmann à publicação, em uma das declarações mais emblemáticas do processo.
No final, apesar das trocas inusitadas e negociações que variaram do simbólico ao exorbitante, o terreno total — cerca de 14 mil metros quadrados — acabou custando aproximadamente R$ 56 milhões. O valor médio por metro quadrado, segundo ele, ficou em torno de R$ 4 mil, mas algumas casas renderam pagamentos até dez vezes maiores do que a oferta inicial, enquanto outras chegaram a cifras quase irrisórias.
Das negociações ao canteiro de obras: o longo caminho até o B32
A incorporação do espaço começou em 1998, mas apenas em 2007 todas as casas haviam sido oficialmente compradas. Mesmo assim, a construção teve interrupções marcantes. Entre 2005 e 2007, uma série de entraves envolvendo licenças municipais e processos judiciais paralisou o projeto, gerando incertezas sobre seu futuro.
O acesso ao financiamento também não era simples para a época. Birmann destaca que o avanço só foi possível graças ao sócio Ricardo Baptista, então responsável por conseguir algo pouco comum no mercado imobiliário brasileiro do período: um financiamento de 100% da obra pelo Bradesco. Nas palavras do empresário, “o que facilitou as coisas foi meu sócio, Ricardo Baptista, que conseguiu algo inédito para a época”.
Com o terreno consolidado, o crédito assegurado e a retomada das obras, o B32 finalmente começou a tomar forma, até ser entregue por completo em 2020. Hoje, o prédio — avaliado em cerca de R$ 2,5 bilhões — pertence majoritariamente à gestora Partage, presidida por Baptista, que detém 50,5% do empreendimento. Birmann permaneceu com 39,9%, após vender uma fatia para a BGR Asset por R$ 340 milhões em 2023.
A baleia metálica: de obra de arte a atração pop
No coração do complexo, sobre a praça pública aberta aos pedestres, repousa a impressionante escultura de 20 metros que imita o movimento de uma baleia emergindo da água. A peça, por si só, sempre chamou atenção de quem circula pela região, tornando-se rapidamente um marco urbano pela escala e pela ousadia estética.
Mas foi o gorro vermelho, instalado como parte da decoração de fim de ano, que transformou a baleia em celebridade temporária. A imagem viralizou instantaneamente. Em poucos dias, a obra ganhou vida própria nas redes, virou personagem de memes, rendeu comparações divertidas e inspirou até debates sobre intervenções artísticas em espaços corporativos.
O resultado é um desses fenômenos que só o encontro entre arquitetura, cultura pop e espírito festivo consegue produzir. Mais do que um adorno de Natal, o gorro abriu uma nova leitura sobre a escultura — leve, bem-humorada e profundamente brasileira em sua espontaneidade.
Um ponto de encontro e cultura no coração financeiro da cidade
Além da escultura e da atmosfera cosmopolita, o complexo abriga um teatro para 500 pessoas, restaurantes e áreas públicas integradas ao cotidiano da avenida mais icônica de São Paulo. O aluguel do metro quadrado, atualmente na faixa de R$ 350, confirma o B32 como um dos endereços corporativos mais valorizados do país.





