SÃO PAULO, março de 2026 – Em um mundo operando na velocidade 2.0x, em que o tempo se tornou o bem mais valioso, a casa brasileira reafirma seu papel como o último refúgio de controle, pausa e significado. É o que revela o estudo “Era da (im)permanência: O tempo e a relação com os ambientes”, desenvolvido entre Novembro de 2025 e Fevereiro de 2026 pela WGSN Mindset para a DEXCO, detentora das marcas Deca, Portinari, Duratex, Castelatto, Ceusa e Durafloor. O levantamento inédito realizado com 1.125 participantes, entre homens e mulheres de 25 a 65 anos, pertencentes à classe AB e residentes em todas as regiões do Brasil, traça os macrodrivers que irão moldar os ambientes e o consumo nos próximos anos.
O estudo identifica um paradoxo central: enquanto 66% dos brasileiros sentem sua vida constantemente acelerada, 90% afirmam que a casa é o local onde podem, finalmente, desacelerar, recarregar energias, exercer agência total: escolher a temperatura, a luz, o som e, principalmente, como o tempo flui. A casa, portanto, se torna o porto seguro contra o esgotamento mental causado pela aceleração do mundo.
Esse sentimento de perda de controle gera uma reação direta no consumo: o desejo por simplicidade e eficiência. Pela primeira vez, a economia de tempo aparece como uma prioridade doméstica central: 47% dos entrevistados elegem a casa como o principal local onde desejam ganhar tempo, superando até mesmo o ambiente de trabalho (36%), o transporte e mobilidade (38%) e alimentação (38%).
Esse dado redefine o conceito de casa inteligente: não se trata mais apenas de tecnologia embarcada, mas de design que elimine o esforço. Prova disso é que 45% priorizam economizar tempo na limpeza e 57% se motivariam a mudar de residência especificamente para encontrar um lar de manutenção mais fácil.
O perfil dos participantes revela um público altamente ativo no mercado imobiliário: 77% realizaram reformas estéticas ou de decoração nos últimos 12 meses e 80% pretendem realizar novas intervenções no próximo ano, o que garante que os dados refletem as reais demandas de um consumidor disposto a investir na transformação do morar.
A busca por ganhar eficiência em casa se reflete diretamente nas escolhas de materiais: 63% consideram a facilidade de limpeza das superfícies como um elemento de máxima importância. Mais do que estética, o consumidor busca o que o estudo chama de “confiança tangível”: ambientes que facilitam a rotina para que o tempo de qualidade possa ser dedicado ao lazer e autocuidado.
“A casa elástica evoluiu para a casa facilitadora. O brasileiro não quer mais gastar energia com a manutenção constante do lar, ele quer que o ambiente devolva tempo para ele”, explica Marcele Brunel, Head do Design Office da Dexco. “Vemos uma demanda clara por superfícies de alta performance e design inteligente que reduza as micro fricções do dia a dia, permitindo que a moradia seja um suporte para a longevidade e o bem-estar contínuo. Na Dexco, traduzimos isso em superfícies que resistem ao uso, mas que mantêm a sofisticação visual e o conforto tátil”.
As três formas de viver o tempo
O estudo detalha como a relação com o tempo se desdobra em três pilares fundamentais para a arquitetura de residências e interiores:
- Usar o Tempo (com eficiência): A funcionalidade agora é vista sob a lente da longevidade. Com 81% da população pensando mais no futuro e no envelhecimento, o design multigeracional deixa de ser nicho. Cerca de 82% concordam que a casa é um investimento crucial para o futuro e 85% sentem um incômodo profundo quando produtos estragam rápido. O conceito de sustentabilidade evoluiu para a durabilidade material: o estudo mostra que 54% dos consumidores preferem investir em uma base permanente de alta qualidade, como pisos e revestimentos duráveis, para trocar apenas detalhes decorativos ao longo das décadas. Isso se conecta com a economia circular: construir para durar décadas, diminuindo o descarte e o resíduo de obras.
- Sentir o Tempo (com presença): O bem-estar térmico e acústico saltou para o topo das prioridades. No levantamento, 61% dos entrevistados consideram a sensação térmica como um elemento de máxima importância para o conforto. Uma resposta direta às ondas de calor e às mudanças climáticas. A arquitetura de interiores, varejo e espaços públicos agora é vista como um escudo contra os extremos climáticos. Além disso, a casa assumiu o papel de santuário de saúde mental: 67% já reservam espaços específicos para pausar ou desacelerar. A arquitetura do “slow living” está ganhando escala comercial.
- Ver o Tempo (através da história material): Contra a padronização das redes sociais, surge a valorização do “imperfeito” e do autoral: 61% valorizam móveis que demoram tempo para ser feitos (feitos à mão, artesanais), mesmo que custem mais. O desejo pelo artesanal reflete uma reação ao excesso digital, onde o toque humano e a imperfeição se tornam diferenciais. A casa assume o papel de “arquivo vivo”, onde 78% dos moradores expõem objetos que contam suas histórias e memórias e 68% gostam de ter objetos que fazem lembrar do passado e resgatam boas memórias. Hoje, há uma urgência de olhar e viver o tempo passado nos ambientes, de reviver as memórias, de lembrar a história, seja individual ou compartilhada. Sendo que 30% preferem que a casa reflita lugares que visitaram e experiências que tiveram.
“A consciência da impermanência muda a forma como consumimos. Se tudo é passageiro, o momento presente torna-se valioso, e os objetos que nos cercam precisam ter alma”, comenta Mônica Levandoski, Consultora Sênior da WGSN Mindset Latam. “O estudo mostra que o consumidor brasileiro está buscando uma ordem curada, ambientes que organizam o caos externo e celebram a herança cultural através de materiais que envelhecem com dignidade, como a madeira, a pedra”.
Efervescência Latina
Uma das revelações potentes do estudo é que enquanto o mundo enfrenta desafios sociopolíticos, a América Latina se destaca como um farol de resiliência, autenticidade e efervescência criativa.
“Estamos presenciando o declínio da síndrome de vira-lata no design, à medida que a criatividade e cultura latina e brasileira ganham o mundo. No design, há uma celebração do que é local, das raízes culturais”, comenta Mônica Levandoski, Consultora Sênior da WGSN Mindset Latam. Cerca de 55% dos brasileiros afirmam que sentiriam orgulho se sua casa fosse identificada como representante da cultura latino-americana.
O movimento já se reflete no reconhecimento internacional do design brasileiro. Em 2026, o país alcançou novo recorde no iF Design Award, com 112 premiações. A Dexco foi uma das empresas brasileiras premiadas, com três projetos vencedores: o primeiro com a Linha Nexus, coleção transversal das marcas Dexco, outro com a coleção Portinari Petra Taipa por Marina Linhares e o terceiro com o revestimento Brick Castelatto Matéria.
Ainda segundo a pesquisa, as casas multigeracionais ganham força globalmente. Nesses lares, a verdadeira conveniência reside em equilibrar a autonomia dos espaços individuais com o valor dos momentos de convivência. Segundo a pesquisa: 58% afirmam usar o quarto com maior frequência para momentos de pausa e relaxamento. A cozinha é o segundo ambiente de maior interação da casa (48%), seja com as pessoas que moram ou visitas. A área externa (quintal, jardim) aparece como 3º cômodo mais utilizado para momentos de relaxamento. E o banheiro assume papel terapêutico silencioso dentro da casa. O banho imersivo opera como mecanismo de recalibração.
A impermanência como estratégia de design
O estudo conclui que a consciência da impermanência e o entendimento de que a vida é um ciclo de mudanças constantes alteram profundamente a forma de consumir. Projetar para este cenário significa oferecer, não produtos isolados, mas arquitetura integrada, sistemas capazes de absorvermudança, traduzir tensão cultural e materializar novas formas de viver.
Para a Dexco, que completa 75 anos em 2026, a impermanência não é sinônimo de instabilidade, mas sim um motor para a evolução do morar contemporâneo. “Nosso ecossistema de marcas responde a esse desafio transformando o tempo em experiência: atuamos desde a camada funcional e sensorial até a emocional e estrutural da casa. O novo luxo doméstico não é tecnologia. É ganhar tempo. Ao honrar o tempo que passa através da inovação e da memória, deixamos de entregar apenas produtos para materializar soluções que permanecem relevantes, independentemente das mudanças da vida”, conclui Marina Crocomo, Diretora de Marketing e Design da Dexco.
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