Há projetos de artesanato que ensinam pontos. E há projetos que ensinam algo muito mais difícil: como as pessoas encontram a si mesmas quando param de estar sozinhas. O grupo Crocheteiras de Campo Largo, no Paraná, pertence claramente à segunda categoria. Nesta semana, o grupo oficializou um marco que vai além das agulhas e novelos: o pré-lançamento do Diário da Crocheteira, obra considerada a primeira no Brasil a reunir relatos autorais escritos pelas próprias integrantes de um coletivo de crochê e tricô.
O lançamento oficial está marcado para 31 de março, na Câmara Municipal de Campo Largo, com sessão de autógrafos, presença de autoridades e um ambiente reservado para familiares e convidados próximos. Mas o que chega antes da data é o peso do que essa publicação representa para quem a escreveu.
Um livro de vidas, não de técnicas
A proposta surgiu entre outubro e novembro de 2025, quando uma editora convidou as participantes para escrever sobre si mesmas. Não sobre pontos, não sobre receitas de peças, não sobre dicas de fio. Sobre elas. “Foi explicado que elas seriam escritoras legítimas, com direitos autorais garantidos e contrato assinado. Elas ficaram muito empolgadas”, conta Anielli, coordenadora do grupo.
Esse detalhe muda tudo. Garantir autoria formal a mulheres que, em muitos casos, passavam os dias restritas à rotina doméstica é um gesto que carrega peso simbólico enorme. O livro reúne 60 histórias em 110 páginas, escritas com liberdade total: cada participante escolheu como queria falar sobre sua relação com o crochê, com o tricô, com o próprio projeto e, para quem quis, incluiu também poemas e orações. A capa foi doada por um artista local. O prefácio é assinado pela primeira-dama Alaina Rivabem e pela vice-prefeita Chrystiane Chemin.

Beatriz, que também coordena o grupo, explica com clareza o que observou ao longo dos encontros: “O artesanato que começou como passatempo acabou se tornando terapia, fonte de renda, amizade e inspiração.” Os relatos do livro mostram exatamente isso: como o ato repetitivo e concentrado de trabalhar com fios contribuiu para fortalecer a autoestima das participantes e ampliar vínculos sociais que antes não existiam.
Anielli é direta ao falar sobre o conteúdo da publicação: “São muitas histórias emocionantes. É impossível ler sem derramar algumas lágrimas.” Ela destaca que muitas participantes viviam isoladas em suas rotinas e encontraram no grupo não apenas uma ocupação, mas novas amizades, propósito e, em vários casos, melhora concreta na saúde. “Elas descobriram um novo sentido e se fortaleceram juntas”, afirma.
Como adquirir o Diário da Crocheteira
O pré-lançamento já está em curso. As interessadas podem adquirir o livro antecipadamente pelo valor de R$ 34,90 a unidade ou R$ 29,90 cada na compra de três ou mais exemplares, preços válidos até 30 de março. Após essa data, o valor sobe. As vendas acontecem nos encontros do grupo, com as organizadoras Manu e Pati, e estão abertas também ao público externo.
Quem comprar no pré-lançamento recebe um ticket e retira o exemplar diretamente no evento, no dia 31 de março, às 19h, na Câmara Municipal de Campo Largo. Para mais informações: Anielli pelo WhatsApp (41) 99658-1841 ou Beatriz pelo (41) 99626-9336.
Vale destacar que toda a renda arrecadada com as vendas será revertida para a compra de lãs e fios, garantindo a continuidade das atividades do grupo. “Quanto mais livros vendidos, mais conseguimos investir no projeto e alcançar outras mulheres”, reforça Anielli.





