Curso gratuito de curadoria do MinC propõe nova visão para as artes visuais

Com ênfase nas perspectivas afrodiaspóricas e latino-americanas, a formação oferecida pela Escult é online, tem 60 horas e já está com inscrições abertas.

Curso gratuito de curadoria do MinC propõe nova visão para as artes visuais

Reformar de forma sustentável não está na simples escolha de materiais ecológicos. A prática conta com um planejamento inteligente, reaproveitamento de recursos e economia de energia para redução dos impactos ambientais | Foto: Freepik/Divulgação

A curadoria contemporânea não se limita a organizar obras em uma sala branca. Cada exposição é uma narrativa — e é justamente essa dimensão crítica, simbólica e cultural que o curso Curadoria para as Artes Visuais, promovido pela Escult, busca evidenciar. A plataforma de formação do Ministério da Cultura (MinC) acaba de abrir inscrições para essa oportunidade online e gratuita, que promete ampliar o repertório e o olhar de quem atua ou deseja atuar com arte contemporânea no Brasil.

Com foco em artistas visuais, curadores, produtores culturais, pesquisadores e interessados nas linguagens das artes, o curso tem carga horária de 60 horas e oferece certificado. A formação será conduzida por Kleber Amâncio, historiador da arte, doutor em História Social pela USP, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e pesquisador visitante em Harvard.

Uma curadoria voltada à memória, crítica e reparação simbólica

Longe de apenas reproduzir modelos convencionais ou eurocentrados, a proposta da Escult convida os participantes a enxergarem a curadoria como uma ferramenta de construção de sentido, memória e crítica cultural. “Em vez de simplesmente reproduzir modelos eurocentrados de exposição e mediação, o curso estimula os participantes a compreenderem as práticas curatoriais como formas de produção de conhecimento, de memória e de reparação simbólica”, afirma o professor Kleber Amâncio.

Esse direcionamento torna a formação especialmente relevante no contexto brasileiro, em que os debates sobre representatividade, colonialismo e inclusão têm ganhado cada vez mais espaço no campo das artes e da cultura. O curso aborda essas questões com profundidade, fundamentado em perspectivas afrodiaspóricas e latino-americanas, permitindo que os participantes desenvolvam projetos curatoriais que dialoguem com o território e com os repertórios simbólicos locais.

Segundo Amâncio, “o diferencial desse curso de curadoria para as artes visuais está em propor uma formação crítica e situada”, capaz de provocar reflexões que ultrapassam os muros das instituições tradicionais de arte. A proposta é formar curadores capazes de planejar exposições com intencionalidade crítica, integrando teoria, prática e consciência histórica.

Formação acessível e conectada à diversidade cultural

O curso é uma realização da Escult – Escola Solano Trindade de Formação e Qualificação em Arte, Cultura e Economia Criativa, uma iniciativa do MinC em parceria com o Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (Cecult/UFRB). Além de gratuito e totalmente online, o curso conta com recursos de acessibilidade como tradução em Libras, legendas e audiodescrição, garantindo a inclusão de diversos perfis de estudantes.

O conteúdo do curso foi estruturado para permitir que cada participante consiga conceber, planejar e executar projetos curatoriais completos, aliando embasamento teórico e aplicação prática, em diálogo com os desafios e potências do cenário artístico atual.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas diretamente no site escult.cultura.gov.br. A seleção é aberta a todo o Brasil, e não há exigência de formação prévia, o que democratiza ainda mais o acesso à qualificação na área de artes visuais.

  • Cláudio P. Filla é comunicador social e especialista em mídias digitais, com mais de 11 anos de atuação na curadoria de tendências para o mercado de arquitetura e decoração. Como editor-chefe do Enfeite Decora, Cláudio lidera um conselho editorial composto por arquitetos, designers de interiores e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo que cada artigo combine inspiração visual com rigor técnico e normativo. Sua missão é traduzir o complexo universo da construção e do design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis, sempre sob o respaldo de profissionais renomados do setor brasileiro.

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