No dia 22 de fevereiro, às 15h, o jardim do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, recebe mais um encontrinho de crochê gratuito. A proposta é simples e potente: levar seu trabalho, estender uma canga e transformar o espaço público em ateliê coletivo.
O convite é aberto. “Traga seu trabalho, sua canga, seu vinho e venha pra um dia de troca, conversa e afeto. Todo mundo é bem-vindo!”, diz o comunicado divulgado nas redes sociais. O último encontro, realizado em janeiro, reuniu dezenas de participantes e reforçou o interesse crescente pelas artes manuais na cidade.
Do artesanato à decoração contemporânea
O crochê atravessa gerações. Já esteve nas casas de família, nas rendas inspiradas na Europa do século XIX e, mais recentemente, nas passarelas e no universo do slow design. No décor, ele reaparece em mantas, almofadas, painéis e luminárias artesanais, trazendo textura e identidade.
A arquiteta Juliana Pippi observa que o valor do feito à mão vai além da estética. “O trabalho manual resgata o tempo das coisas e cria vínculo com o espaço. Ele humaniza a arquitetura”, afirma. Essa dimensão afetiva explica por que o crochê voltou a ganhar protagonismo.
Além disso, o encontro em um espaço como o MON não é casual. A convivência entre arquitetura icônica e produção artesanal cria um contraste interessante entre monumentalidade e delicadeza — uma combinação que diz muito sobre o momento atual do design.
Técnica que atravessa o tempo
A técnica, sistematizada no século XIX e popularizada por padrões publicados na Europa, foi vista durante anos como alternativa às rendas tradicionais. Contudo, ganhou status quando passou a ser adotada por figuras influentes e, no século 21, ressurgiu associada à sustentabilidade e à produção autoral.
Para a diretora cultural Natasha Barzaghi Geenen, o fascínio pelo manual está ligado à busca por essencialidade. “Há uma valorização crescente do que é simples, leve e carregado de significado”, comenta.





