À medida que os verões se tornam mais intensos, cresce também a busca por alternativas capazes de amenizar o calor dentro de casa sem recorrer constantemente ao ar-condicionado. Embora eficiente, o equipamento impacta diretamente o consumo de energia e eleva os custos mensais, além de não ser a opção mais sustentável a longo prazo.
Dessa forma, soluções baseadas em arquitetura passiva e decisões conscientes de decoração ganham relevância. São escolhas que não exigem grandes reformas, mas que, quando combinadas, transformam a percepção térmica dos ambientes e tornam a casa mais agradável mesmo nos dias mais quentes.
Reduzir o calor começa dentro de casa
Um dos primeiros passos para melhorar o conforto térmico é observar as fontes internas de calor. A incidência direta do sol, lâmpadas inadequadas e materiais que retêm temperatura contribuem para o aquecimento excessivo dos ambientes.

Controlar a entrada de sol com cortinas leves, brises ou telas solares ajuda a filtrar a radiação sem comprometer a ventilação. A troca de lâmpadas incandescentes por modelos de LED também faz diferença, já que emitem menos calor. Além disso, retirar tapetes grossos durante o verão e priorizar materiais naturais contribui para um ambiente mais equilibrado.
Para a arquiteta Sabrina Salles, pensar nessas soluções desde o início — ou aplicá-las de forma gradual — torna a casa mais confortável ao longo do ano, reduzindo a dependência de equipamentos artificiais.
Ventilação natural como protagonista
Poucos recursos são tão eficazes quanto a ventilação natural bem aproveitada. A chamada ventilação cruzada, obtida ao abrir portas e janelas posicionadas em lados opostos, permite que o ar circule e renove os ambientes, dissipando o calor acumulado.

Sabrina Salles destaca que não basta apenas abrir os vãos: é essencial garantir que o layout não bloqueie a passagem do vento. Móveis muito altos próximos às janelas ou portas podem comprometer o fluxo de ar. Elementos como portas de correr, venezianas e ventiladores de teto ajudam a potencializar essa sensação de frescor, com baixo impacto energético.
Cores claras e a sensação de leveza térmica
A escolha das cores influencia diretamente a forma como o espaço responde ao calor. Tons claros refletem melhor a luz e absorvem menos temperatura, tornando os ambientes visualmente mais frescos e agradáveis.

No verão, vale apostar em paredes, cortinas, almofadas e enxovais em tonalidades suaves. Além de contribuírem para o conforto térmico, essas cores ampliam a luminosidade natural e reforçam a sensação de amplitude nos interiores.
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Tecidos que respiram fazem diferença
Outro fator decisivo está nos tecidos presentes no dia a dia. Materiais naturais permitem maior troca de ar e evitam o acúmulo de calor, especialmente em áreas de contato direto com o corpo.
A designer de interiores Daiane Antinolfi recomenda priorizar algodão, linho, viscose e fibras naturais em cortinas, estofados, almofadas e roupas de cama. Em contrapartida, tecidos sintéticos como poliéster e couro artificial tendem a esquentar mais, gerando desconforto térmico quando usados em excesso.
Plantas e o microclima interno
Além do apelo estético, as plantas desempenham um papel funcional importante na sensação térmica da casa. Por meio da evapotranspiração, elas aumentam a umidade do ar e ajudam a suavizar o calor.

Sabrina Salles explica que espécies como jiboia, zamioculca, espada-de-são-jorge e palmeira-ráfis são boas aliadas em ambientes internos, desde que haja iluminação e ventilação adequadas. O equilíbrio, novamente, é essencial: o excesso pode prejudicar a circulação de ar e comprometer o resultado.
Design biofílico e conforto ao longo do dia
A integração entre natureza e arquitetura, conhecida como design biofílico, aparece como uma abordagem cada vez mais presente em residências que priorizam bem-estar. A proposta valoriza luz natural, ventilação eficiente, uso de plantas e materiais naturais, criando ambientes mais equilibrados.
Para Daiane Antinolfi, essa reconexão com elementos naturais contribui não apenas para o conforto térmico, mas também para a qualidade de vida. Ambientes bem ventilados, iluminados e visualmente suaves respondem melhor às altas temperaturas e tornam a casa mais agradável ao longo do dia.





