Curitiba está diante de uma mudança permanente em seu skyline. O OÁS Tower, desenvolvido pela GT Building, atingiu o 50º pavimento e chegou à marca de 149 metros de altura, consolidando-se como o edifício mais alto da capital paranaense. Não se trata apenas de um recorde numérico. É o resultado de três anos e quatro meses de construção contínua, iniciada em fevereiro de 2023, com cronograma cumprido e execução que já alcança 56,62% do avanço global da obra.
Quando concluído, o OÁS chegará a 179 metros — altura equivalente a quase quatro vezes o Cristo Redentor e deverá ser entregue em junho de 2027, com Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 290 milhões.
O que muda quando uma obra ultrapassa os 100 metros
Existe uma diferença técnica real entre construir um edifício de médio porte e uma torre de alto padrão com mais de 50 pavimentos. À medida que a estrutura avança em altura, as cargas acumuladas sobre as lajes inferiores crescem progressivamente, a logística de movimentação de materiais exige adaptações constantes e o controle de qualidade precisa ser mais rigoroso em cada etapa.
“Os riscos e impactos de qualquer não conformidade se tornam exponencialmente maiores à medida que a obra ganha altura”, afirma Maurício Fassina, diretor de operações da GT Building.
Essa realidade se traduz em números concretos dentro do canteiro. Atualmente, cerca de 150 profissionais atuam diariamente nas frentes de obra, enquanto outros 45 trabalham nas áreas administrativas e de apoio. São 34 equipes de projeto responsáveis pelas diferentes disciplinas técnicas do empreendimento — estrutura, elétrica, hidráulica, climatização, fachada e acabamentos, todas em coordenação simultânea.
Concreto, aço e logística em escala industrial
Os números do canteiro do OÁS ajudam a entender a dimensão do que está sendo construído. Até o momento, foram utilizados aproximadamente 11.531 metros cúbicos de concreto — volume que corresponderia a cerca de 1.441 caminhões-betoneira — e 1.469 toneladas de aço na estrutura, peso comparável ao de aproximadamente 1.130 automóveis de passeio.
Com mais de 30 mil metros quadrados de área construída, o empreendimento opera de forma muito próxima à lógica industrial. As gruas utilizadas no OÁS possuem altura superior às convencionais, adaptadas especificamente para atender pavimentos acima dos 100 metros. Esse detalhe, que passa despercebido para quem observa de fora, define toda a cadeia operacional do canteiro.
Ainda na fase de projeto, o edifício foi submetido a estudos em túnel de vento, simulando o comportamento da estrutura em grandes alturas e antecipando variáveis que só se tornam críticas a partir de determinados patamares. Ventos e chuvas não são apenas fatores climáticos na gestão de uma obra assim — são variáveis que entram diretamente no planejamento diário e podem exigir paralisações preventivas.
Duas obras ao mesmo tempo, no mesmo endereço
Um dos aspectos mais relevantes do OÁS é o ritmo simultâneo de execução. Enquanto a estrutura avança pelo 50º pavimento, os trabalhos de acabamento já chegam ao 24º andar, incluindo a instalação da fachada ventilada. Na prática, isso equivale à construção paralela de dois edifícios de cerca de 25 pavimentos acontecendo ao mesmo tempo, no mesmo endereço.
Essa sobreposição de frentes de trabalho é uma marca dos empreendimentos verticais de alto padrão — e exige um planejamento integrado que vai muito além do tradicional sequenciamento de etapas. Cada disciplina precisa conhecer o estado exato das demais para que não haja conflito de equipes, atraso em instalações ou retrabalho nos acabamentos.
A etapa estrutural, em si, representa cerca de 17% do cronograma físico do empreendimento. Mas a conclusão do 50º pavimento já equivale a 16,38% do avanço global, o que posiciona a obra na transição para suas fases finais de execução.
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O novo patamar do skyline curitibano
Até hoje, o segundo edifício mais alto de Curitiba era o Universe Life Square, com 152 metros. O OÁS, ao atingir 179 metros com a instalação do pináculo que compõe sua altura final, ampliará essa diferença e estabelecerá um novo referencial para a verticalização da capital paranaense.
O empreendimento está localizado no Bigorrilho, bairro que vem se consolidando como um dos principais eixos de novos projetos imobiliários de alto padrão em Curitiba. A escolha da região não é aleatória: além da infraestrutura urbana consolidada, o entorno valoriza a entrega de apartamentos com vistas privilegiadas — fator que, em uma torre com mais de 50 andares, tem impacto direto sobre o valor de cada unidade.
Entre os próximos marcos da obra estão a conclusão da fachada ventilada até o 25º pavimento, o avanço das áreas comerciais, a execução das lajes técnicas e da cobertura, além da instalação do pináculo que levará o edifício à altura definitiva de 179 metros.
