Cimento queimado ou concreto aparente?

Entenda o que muda entre estética, custo e aplicação

Cimento queimado ou concreto aparente?

O estilo industrial, tão marcante em cada detalhe deste projeto assinado pelo arquiteto Bruno Moraes, está presente desde a serralheira até a rusticidade moderna da aparência do cimento queimado | Projeto BMA Studio | Foto: Guilherme Pucci

Resumo

Cimento queimado e concreto aparente têm visual semelhante, mas funções diferentes: um é acabamento, o outro faz parte da estrutura da edificação.
• O cimento queimado se destaca pela versatilidade, custo mais acessível e possibilidade de aplicação em pisos, paredes e forros, desde que com cuidados técnicos.
• O concreto aparente valoriza a autenticidade da obra, exige planejamento desde a construção e oferece alta durabilidade com baixa manutenção ao longo do tempo.
• A escolha entre os materiais impacta diretamente o orçamento, o cronograma da obra e o comportamento do acabamento com o passar dos anos.
• Ambos dialogam bem com estilos industrial e contemporâneo e podem ser combinados com madeira, metal e pedras para criar projetos equilibrados e atemporais.

A estética urbana deixou de ser tendência passageira para se consolidar como linguagem permanente na arquitetura contemporânea. Nesse cenário, dois materiais seguem em destaque absoluto nos projetos residenciais e comerciais: cimento queimado e concreto aparente. À primeira vista, ambos compartilham a mesma paleta sóbria e o apelo industrial, mas, na prática, apresentam diferenças profundas que impactam não apenas o visual do ambiente, como também o orçamento, a execução e a manutenção ao longo do tempo.

Nos projetos assinados pelo arquiteto Bruno Moraes, à frente do BMA Studio, a escolha entre cimento queimado e concreto aparente nunca é apenas estética. Ela envolve leitura do espaço, entendimento estrutural e uma análise cuidadosa do que o cliente espera do ambiente. Segundo ele, compreender essas distinções é o que garante coerência, durabilidade e um resultado arquitetônico bem resolvido.

O que define o cimento queimado na arquitetura contemporânea

O cimento queimado é um revestimento de acabamento, aplicado sobre pisos, paredes, forros e até bancadas. Sua composição parte da mistura de cimento, areia e água, espalhada manualmente e alisada para alcançar o efeito contínuo e levemente manchado que caracteriza o material. A técnica evoluiu muito nos últimos anos, permitindo variações de tonalidade, textura e até maior controle estético.

Integrados, os ambientes são marcados pela estética industrial, com efeito de cimento queimado no piso e no teto, parede revestida de bricks e dutos elétricos aparentes | Projeto BMA Studio | Foto: Luis Gomes

Para Bruno Moraes, o cimento queimado se destaca pela versatilidade e pelo custo mais acessível quando comparado a soluções estruturais. “Ele funciona muito bem como acabamento e pode assumir diferentes nuances conforme a pigmentação escolhida. No entanto, é fundamental reforçar que não se trata de um elemento estrutural, mas exclusivamente de um revestimento”, explica.

Apesar da aparência uniforme, o material exige planejamento técnico. A ausência de juntas ou a aplicação inadequada pode resultar em fissuras ao longo do tempo. Por isso, a previsão de juntas de dilatação e o uso de seladores são etapas indispensáveis, especialmente em áreas úmidas, onde a permeabilidade pode gerar manchas e desgaste precoce.

Concreto aparente: quando a estrutura vira protagonista

Diferente do cimento queimado, o concreto aparente não é um revestimento, mas a própria estrutura da edificação exposta. Pilares, lajes e vigas permanecem visíveis, sem receber camadas de acabamento, revelando a materialidade crua da construção. O resultado é um visual robusto, honesto e profundamente ligado às correntes brutalista e industrial.

Segundo Bruno Moraes, o grande diferencial do concreto aparente está na autenticidade. “É um material extremamente resistente, com baixa demanda de manutenção, que carrega a história da obra. Quando bem executado, ele valoriza o projeto e cria uma identidade forte”, afirma.

No home office deste apartamento, Bruno Moraes preservou o concreto aparente na parede, parte da história do prédio e elemento fundamental do projeto, que mistura o estilo contemporâneo com o detalhes industriais | Projeto BMA Studio | Foto: Guilherme Pucci

No entanto, esse tipo de acabamento precisa ser pensado desde a fase estrutural da obra. A qualidade das formas, o tipo de fôrma utilizada e o cuidado na concretagem interferem diretamente no resultado final. Em reformas, a solução passa por revelar o concreto existente por meio de lixamento e tratamentos específicos, sempre com avaliação técnica para garantir a segurança da estrutura.

Manutenção e durabilidade: diferenças que pesam na decisão

Embora ambos sejam duráveis, cimento queimado e concreto aparente se comportam de maneira distinta ao longo dos anos. O cimento queimado, especialmente quando aplicado em camadas mais finas, tende a exigir reaplicações periódicas de resina ou seladores para manter a aparência uniforme e evitar absorção de umidade.

Já o concreto aparente, por integrar a estrutura, apresenta resistência superior. Sua manutenção costuma se restringir à aplicação ocasional de produtos protetivos, principalmente em áreas externas ou sujeitas à umidade constante. Para Bruno Moraes, essa diferença deve ser considerada logo no início do projeto, evitando surpresas futuras.

Como combinar e em quais estilos cada material funciona melhor

Tanto o cimento queimado quanto o concreto aparente dialogam bem com estilos como industrial, contemporâneo, brutalista, rústico e até retrô. A neutralidade cromática permite combinações sofisticadas com madeira natural, metais, tijolos aparentes, pedras e tecidos em tons mais quentes.

Neste projeto, o arquiteto Bruno Moraes adotou as placas cimentícias que remetem ao concreto estampado pelas formas | Projeto BMA Studio | Foto: Mariana Orsi

Bruno explica que o equilíbrio cromático é essencial. “Por serem superfícies visuais fortes, prefiro evitar cores muito escuras nos complementos, que podem reduzir a sensação de amplitude. Tecidos claros e materiais naturais ajudam a criar conforto e equilíbrio”, comenta.

Alternativas contemporâneas para quem busca o mesmo efeito visual

Para quem deseja o visual do cimento queimado, mas sem os riscos de trincas, o mercado oferece soluções como microcimento, porcelanatos com efeito cimentício e tintas texturizadas de alta performance. Essas opções ampliam as possibilidades em reformas rápidas e ambientes onde a obra pesada não é viável.

No caso do concreto aparente, placas cimentícias e painéis pré-moldados surgem como alternativas interessantes, reproduzindo o aspecto bruto sem exigir intervenções estruturais complexas. Ainda assim, Bruno ressalta que nenhuma dessas soluções substitui completamente a força estética do concreto estrutural verdadeiro.

Escolha consciente para um projeto coerente

Ao final, a decisão entre cimento queimado e concreto aparente deve partir de uma análise cuidadosa do projeto como um todo. “O concreto aparente entrega robustez, autenticidade e permanência. Já o cimento queimado oferece flexibilidade, personalização e melhor custo-benefício. Ambos funcionam muito bem quando aplicados no contexto certo”, conclui Bruno Moraes.

Mais do que seguir tendências, compreender as características de cada material é o caminho para criar ambientes atemporais, funcionais e visualmente marcantes — exatamente como a boa arquitetura pede.

  • Cláudio P. Filla é comunicador social e especialista em mídias digitais, com mais de 11 anos de atuação na curadoria de tendências para o mercado de arquitetura e decoração. Como editor-chefe do Enfeite Decora, Cláudio lidera um conselho editorial composto por arquitetos, designers de interiores e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo que cada artigo combine inspiração visual com rigor técnico e normativo. Sua missão é traduzir o complexo universo da construção e do design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis, sempre sob o respaldo de profissionais renomados do setor brasileiro.

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  • O arquiteto Bruno Moraes atua há mais de 19 anos no mercado de arquitetura e interiores, com sólida experiência em projetos e execução de obras. Formado pela Faculdade Belas Artes de São Paulo (FEBASP) e pós-graduado em Gerenciamento de Empreendimentos na Construção Civil pela FAU Mackenzie, Bruno iniciou sua carreira em grandes escritórios, como o do renomado arquiteto Siegbert Zanettini.

    Em 2017, fundou o escritório Bruno Moraes Arquitetura, com foco em projetos residenciais, reformas de apartamentos e espaços comerciais. O crescimento demandado por obras completas levou à criação de uma estrutura própria para execução e gerenciamento de obras, com equipe especializada e treinada. Essa expansão culminou, alguns anos depois, na transição da marca para BMA Studio, unificando os serviços de arquitetura e execução sob um novo posicionamento, mais alinhado aos diferenciais do escritório. O BMA Studio é a evolução da Bruno Moraes Arquitetura, mantendo a mesma essência, equipe e compromisso com a qualidade.

    O escritório atua em projetos de casas, reformas, retrofits, espaços corporativos, áreas comuns de edifícios e stands de apartamentos decorados. Conta com um aplicativo próprio para a gestão das obras, otimizando processos e comunicação com os clientes.

    Entre os principais clientes estão o Grupo Volkswagen, as multinacionais Arauco e Fabbri, os escritórios da Tecban (Banco 24h), as Sorveterias Rochinha e um projeto de revitalização urbana no bairro do Bixiga. Também participou da Mostra Casa Saudável HBC e tem obras executadas em diversas regiões do país.

    A marca já teve seus projetos e vídeos publicados em importantes veículos de arquitetura. Bruno também assina colunas no Portal PiniWeb, apresenta o podcast de Arquitetura Corporativa para o Club&Casa Design, e foi apresentador do podcast do Viva Decora. De 2019 a 2024, participou do quadro de decoração do Programa da Eliana, no SBT.

    Em 2023, estreou na CASACOR São Paulo com o ambiente ‘Cozinha Funcional’ e foi premiado pela VEJA São Paulo como Melhor Ambiente na categoria Cozinha Integrada ou Cozinha Gourmet. Em 2024, retornou à mostra com o espaço ‘Acalanto e Encontros’, reafirmando seu compromisso com a inovação, funcionalidade, bem-estar e brasilidade nos projetos.

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