Resumo
• O novo hotel boutique da Charlie, ao lado do Ibirapuera, inaugura o conceito de smart luxury com design internacional, operação enxuta e diárias competitivas.
• Um grupo de 16 investidores adquiriu 54 unidades por R$ 40 milhões, apostando em renda recorrente e valorização imobiliária no modelo híbrido de hospedagem.
• O empreendimento integra hotel e moradia no Villa Studios, unindo serviços de alto padrão, tecnologia própria e áreas comuns decoradas por grife italiana.
• O CEO Allan Sztokfisz identificou uma lacuna entre hotéis ultraluxe e redes padronizadas, criando um produto sofisticado e financeiramente viável.
• Com diárias previstas entre R$ 600 e R$ 700, o projeto promete elevar o ticket médio da Charlie e posicionar a marca em um novo segmento de luxo acessível.
O mercado de hospitalidade em São Paulo vive uma fase de mudanças aceleradas, impulsionado por viajantes que buscam experiências mais personalizadas sem arcar com tarifas exorbitantes. Nesse cenário, a Charlie — conhecida por atuar como um “Airbnb profissional” em imóveis de curta, média e longa temporada — inaugura um projeto que reposiciona a ideia de luxo acessível na capital.
Situado a poucos passos do Parque Ibirapuera, o One of a Kind Charlie Hotel Ibirapuera combina o modelo tradicional de hotel com apartamentos adquiridos por investidores individuais, criando um formato híbrido que amplia o potencial de rentabilidade e diferenciação de mercado.
O prédio que virou ativo de um grupo de investidores
Instalado no Villa Studios, o hotel ocupa 31 andares e reúne 300 unidades entre 28 e 32 m². O diferencial começa na estrutura societária: um grupo de 16 investidores adquiriu 54 apartamentos por cerca de R$ 40 milhões, formando o núcleo operacional do empreendimento. As demais unidades, comercializadas a mais de R$ 20 mil por metro quadrado, também foram rapidamente vendidas para proprietários interessados em usufruir da mesma infraestrutura.
Esse modelo permite que investidores aluguem as unidades em plataformas como o Airbnb ou as utilizem como residência, mantendo os benefícios de serviços do hotel — arrumação, áreas comuns e amenities — já contemplados no valor de condomínio, estimado entre R$ 700 e R$ 1 mil. A integração entre uso residencial e hospedagem profissional reduz o custo fixo da operação e possibilita preços mais competitivos sem comprometer qualidade e experiência.
Design internacional como estratégia de valor
Um dos pilares do projeto é o investimento massivo em design. A Lavvi firmou parceria com uma grife italiana para executar a decoração das áreas comuns, aplicando entre R$ 15 e R$ 20 milhões apenas em mobiliário e acabamentos. Para o padrão desse tipo de empreendimento, trata-se de um aporte de cinco a dez vezes superior ao usual.

Esse cuidado estético não é apenas um detalhe. Ele reforça o posicionamento do empreendimento como um produto “único” dentro da Charlie, que inaugura com ele a linha One of a Kind, voltada para experiências de hospedagem com identidade própria, atmosfera sensorial e atenção refinada ao conforto.
Oportunidade identificada no mercado paulistano
O CEO Allan Sztokfisz explica que o conceito nasceu ao observar uma lacuna clara no setor de hospitalidade de São Paulo. Segundo ele, a cidade possui extremos bem definidos: de um lado, hotéis ultraluxuosos com diárias na casa dos R$ 4 mil; do outro, redes padronizadas com pouco apelo de design ou diferenciação. Faltava, portanto, o “entremeio”.
Foi assim que surgiu a noção de smart luxury, uma proposta que alia estética sofisticada, operação enxuta e preços mais convidativos. “O mesmo nível de serviço e experiência, se oferecido em um prédio isolado, exigiria diárias quatro vezes maiores”, destaca Sztokfisz, reforçando a importância da estrutura compartilhada do Villa Studios na viabilidade financeira do hotel.
Por que os investidores decidiram apostar no modelo
Entre os investidores estão nomes conhecidos do meio corporativo, como Ricardo Melo, vice-presidente de vendas da Ambev, e Luiz Otávio de Meira Lins, CEO da rede Nannai Resort & Spa. Melo explica que a ideia de agregar um grupo surgiu da necessidade de buscar alternativas de renda recorrente e mais rentáveis que a renda fixa tradicional.
“Comecei a investir em flats individuais aqui e ali, e até em salas comerciais. Decidimos juntar um grupo de amigos com essa mesma vontade, a de investir para uma renda recorrente futura, encontrando operadores que toquem o negócio, dado que todos continuam com as suas funções, seus trabalhos, as suas empresas”, diz Melo.
Para convencer Meira Lins, Melo argumentou que o retorno combina dois fatores: a rentabilidade das diárias e a valorização imobiliária. Em um mercado que vive demanda crescente por hospedagens flexíveis e apartamentos compactos de alto padrão, ambos os elementos tendem a se fortalecer ao longo dos próximos anos.
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A aposta em tarifas abaixo do luxo tradicional
O One of a Kind Charlie Hotel Ibirapuera foi concebido para operar como um boutique hotel, conceito que une curadoria estética, atmosfera intimista e serviços de alto padrão sem ostentação. Mesmo com o investimento elevado em design, a expectativa é oferecer diárias na faixa de R$ 600 a R$ 700 — uma cifra significativamente inferior à praticada pelos hotéis de luxo paulistanos, mas ainda assim capaz de elevar o ticket médio da Charlie em cerca de 50%.
Essa projeção está diretamente ligada ao posicionamento do produto, que se distancia dos prédios estritamente residenciais e se aproxima de um modelo hoteleiro profissionalizado, beneficiando-se, ao mesmo tempo, da economia de escala gerada pelo condomínio multifuncional.
O impacto da tecnologia na operação
A tecnologia é outro eixo estratégico do negócio. A integração com a plataforma própria da Charlie garante desde check-in digital até manutenção programada, passando por atendimento centralizado e automação de processos. Com 1,7 milhão de diárias já realizadas e mais de R$ 2 bilhões em ativos sob gestão, a empresa consolida com esse lançamento sua entrada em um segmento voltado a produtos híbridos e multifamily.
A expansão para novas praças — como Florianópolis, Itajaí e Belo Horizonte — reforça que o modelo não é pontual, mas parte de um plano mais amplo de reposicionar a Charlie como protagonista de um tipo de hospedagem que mistura flexibilidade, design e estratégia financeira.





