Resumo
• O Parque da Saudade, em Juiz de Fora, passa por um projeto inovador que transforma o cemitério em espaço de convivência, memória e acolhimento urbano.
• A nova gestão, liderada por Rodrigo e Marcelo Mendonça, aposta em serviços como cremação, hotelaria funerária e rituais ecológicos com plantio de árvores.
• O diagnóstico e o planejamento são conduzidos pela Landsight e pela arquiteta Crisa Santos, especialistas em requalificação de áreas sensíveis.
• O modelo se inspira no BioParque Memorial, referência nacional que une memória, natureza e cultura com propostas sustentáveis e espaços vivos.
• A ideia central é ressignificar o luto, criando um ambiente que acolhe, integra a cidade e promove novos significados para a despedida.
Em Juiz de Fora, o Cemitério Parque da Saudade está prestes a ganhar um novo significado. A concessão, agora nas mãos da recém-criada empresa Novo Parque da Saudade, propõe uma transformação profunda — não apenas estrutural, mas emocional, social e ambiental. A ideia é que o espaço deixe de ser um lugar visitado apenas em datas simbólicas e passe a integrar o cotidiano da cidade, como uma extensão de suas praças e parques, onde o luto pode dar lugar à celebração da memória e ao acolhimento.
À frente da iniciativa estão Rodrigo Mendonça, da incorporadora Estrela Urbanidade, e Marcelo Mendonça, empresário local com histórico de parceria com a antiga gestora, a Santa Casa de Misericórdia. Juntos, eles enxergam no cemitério mais do que uma área para jazigos: veem um campo fértil para inovação urbana, conexão emocional e sustentabilidade.
“A proposta não se resume a gerir os sepultamentos. Queremos ressignificar o espaço, oferecendo serviços que apoiem emocionalmente os familiares e, ao mesmo tempo, promovam a integração do cemitério com a cidade”, explica Rodrigo.
Requalificação de 500 mil m² com foco em acolhimento e sustentabilidade
Com uma área que ultrapassa 500 mil metros quadrados, o projeto prevê uma reestruturação ampla. A primeira fase inclui o diagnóstico completo do terreno, realizado pela Landsight, consultoria especializada em uso estratégico de terrenos, e pela arquiteta Crisa Santos, referência nacional em projetos de cemitérios.
As mudanças vão desde a criação de novos jazigos e serviços de cremação, até a incorporação de soluções mais sensíveis e simbólicas, como o jardim memorial, em que as cinzas são misturadas a sementes para o plantio de árvores. Essa abordagem transforma o túmulo tradicional em um símbolo de continuidade, tornando a despedida um ato de regeneração.
“Queremos criar um lugar onde seja possível viver o luto com dignidade, mas também reencontrar a paz. Que possa ser visitado além do Dia de Finados — talvez para ver o pôr do sol, caminhar ou apenas lembrar com leveza”, complementa Marcelo Mendonça.
Luto, pets e memória: serviços que ampliam a experiência do adeus
Um dos aspectos mais inovadores do projeto é a inclusão de uma estrutura de hotelaria funerária, pensada para dar suporte a famílias que desejam permanecer mais tempo no local durante o velório. Além disso, grande parte dos novos serviços será voltada também para os animais de estimação, com a criação de áreas exclusivas para funerais pet e cremação, o que reflete uma crescente demanda por espaços que acolham afetos não humanos.

Para Rafael Sampaio, sócio-diretor da Landsight, este é um marco importante na atuação da consultoria. “Este é o primeiro cemitério que atendemos e representa um desafio instigante. A ideia é transformar a relação da cidade com a morte, promovendo não apenas um espaço de passagem, mas de pertencimento”, afirma.
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BioParque Memorial inspira modelo vivo para o novo Parque da Saudade
A equipe se inspira em modelos já em operação, como o BioParque Memorial, em Nova Lima (MG), um dos projetos mais inovadores do setor funerário na América Latina. Criado pelo Grupo Parque Brasil, o parque ecológico une memória, ecologia e cultura, com trilhas, museus, galerias e o uso de cinzas para o plantio de árvores — uma referência clara à proposta em Juiz de Fora.
“Nossa missão é modernizar e disruptar a cadeia de serviços funerários no Brasil, valorizando a dignidade humana e oferecendo novas formas de homenagear os que se foram”, destaca Hugo Tanure, presidente do Grupo Parque Brasil.
A empresa tem investido fortemente no setor: após a união com o grupo Primaveras e o suporte da MAG Seguros, o grupo anunciou aportes de pelo menos R$ 500 milhões nos próximos anos para fortalecer iniciativas sustentáveis e ampliar os serviços funerários no país.
O futuro do luto: entre dignidade, paisagismo e afeto
O novo Parque da Saudade não pretende apenas mudar a estética do cemitério, mas sim ressignificar seu papel na vida urbana. A proposta mistura conceitos de urbanismo afetivo, paisagismo sensível e design emocional, criando um ambiente acolhedor tanto para quem se despede quanto para quem permanece.
Em tempos em que se busca humanizar a arquitetura das cidades, repensar os espaços de despedida pode ser uma das formas mais profundas de evoluir a forma como encaramos a morte — e a vida. Como define Rodrigo Mendonça, “um cemitério também pode ser um lugar de reconexão, gratidão e beleza — basta tratá-lo com o mesmo cuidado que damos aos lugares onde a vida floresce”.





