Mostras de arquitetura e decoração movimentam uma cadeia produtiva extensa: materiais que chegam de diferentes origens, equipes em deslocamento constante, geradores ligados por semanas, canteiros que funcionam como pequenas obras completas. Tudo isso gera emissões. O que muda na CasaCor Paraná 2026 é que, desta vez, esse impacto será medido com precisão e integralmente compensado.
A GT Building, incorporadora responsável pela montagem, operação e desmontagem da mostra em Curitiba, anuncia a neutralização total das emissões de CO₂ geradas pelo evento. A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Forte Desenvolvimento Sustentável e representa a estreia dessa metodologia em uma mostra de arquitetura na região Sul do país. Em São Paulo, ações similares já haviam sido aplicadas em edições anteriores da CasaCor, mas o padrão metodológico adotado no Paraná traz um nível de detalhamento que o diferencia.
Como funciona o inventário
O ponto central da iniciativa é a coleta primária de dados. Em vez de trabalhar com estimativas genéricas ou médias setoriais, o levantamento considera informações reais reportadas por quem está dentro da obra: arquitetos, fornecedores e operários registram dados concretos sobre transporte de materiais, fretes contratados e deslocamentos diários. Além disso, o inventário abrange consumo de energia elétrica, uso de geradores, gestão de resíduos e toda a logística operacional da mostra.
Esse grau de engajamento da cadeia produtiva é raro no setor de eventos. A maioria dos cálculos de pegada de carbono em projetos similares opera com fatores médios de emissão, o que inevitavelmente gera distorções. Aqui, a lógica é outra: quanto mais preciso o dado, mais confiável a compensação.
“O engajamento dos profissionais na entrega desses dados logísticos e operacionais é um marco. É esse cruzamento detalhado que nos permite entregar um balanço transparente e embasar uma compensação climática que inspira novas práticas, deixando um legado de sustentabilidade e um impacto positivo para todo o setor de arquitetura e construção”, afirma Eduardo Mattos, sócio e diretor comercial da Forte Desenvolvimento Sustentável.
A compensação e o papel da SPVS
Após o inventário, as emissões mapeadas serão compensadas por meio de projetos conduzidos pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), organização paranaense com décadas de atuação na preservação de remanescentes de Mata Atlântica. A escolha de uma entidade com raízes regionais reforça a coerência da proposta: o impacto gerado em Curitiba é neutralizado por esforços de conservação no próprio Sul do Brasil.
Para a GT Building, assumir a neutralização integral das emissões não é uma ação isolada, mas parte de uma postura que acompanha todos os seus empreendimentos. “Levar a neutralização de carbono para uma vitrine como a CasaCor é uma forma de ampliar o debate e mostrar que é possível aliar desenvolvimento imobiliário e responsabilidade ambiental de forma concreta”, destaca Mauricio Fassina, diretor de operações da incorporadora.
O terreno, a mostra e o que vem a seguir
A CasaCor Paraná 2026 acontece de 10 de maio a 5 de julho, no bairro Bigorrilho, na Avenida Cândido Hartmann, em Curitiba. A mostra reúne 41 ambientes entre projetos arquitetônicos e culturais, com o tema “Mente e Coração” orientando uma proposta que integra arte, design e responsabilidade ambiental.
O terreno que recebe o evento pertence à própria GT Building, patrocinadora local da mostra. Após o encerramento da CasaCor, o espaço dará lugar a um empreendimento residencial de alto padrão. O ciclo completo, do evento à construção, acontece sobre o mesmo lote e sob a gestão da mesma incorporadora, o que torna o compromisso ambiental ainda mais consistente. Marina Nessi, diretora da CasaCor Paraná, avalia que a parceria eleva o padrão da mostra.
“A iniciativa reforça o compromisso da CasaCor com a inovação e a sustentabilidade, agregando valor não apenas à experiência do público, mas também ao legado que deixamos para a cidade e para o setor”, afirma.
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Um novo padrão para o setor no Sul
A neutralização de carbono em eventos de arquitetura e decoração ainda é uma prática pouco consolidada no Brasil, especialmente fora do eixo São Paulo-Rio. O que a GT Building entrega na CasaCor Paraná 2026 é uma referência metodológica aplicável: inventário com dados primários, engajamento real da cadeia, compensação por entidade credenciada e transparência em todo o processo.
O setor da construção civil responde por uma fatia expressiva das emissões globais, e eventos como a CasaCor movimentam volumes consideráveis de materiais, mão de obra e logística. Adotar um protocolo rigoroso nesse contexto é uma resposta prática a uma demanda crescente do mercado, dos investidores e da sociedade. O que acontece em Curitiba nesta edição tem potencial para se tornar referência para outras mostras, incorporadoras e escritórios de arquitetura da região Sul.
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