Entre os dias 10 de maio e 5 de julho, Curitiba recebe a CASACOR Paraná na sua 32ª edição, ocupando uma residência no bairro Bigorrilho e um edifício anexo com gastronomia, entretenimento e espaços comerciais. Com tantos ambientes disputando atenção, o arquiteto e urbanista André Henning escolheu o caminho oposto ao óbvio: em vez de criar mais um cenário de impacto visual imediato, propôs um lugar para desacelerar.
O projeto se chama Lounge Pit Stop e o nome já diz muito sobre a intenção.
Um ambiente construído em torno do tempo, não do espaço
O grande erro em mostras de arquitetura e design é tratar todos os ambientes como cenários de passagem. A maioria dos visitantes atravessa os cômodos, fotografa, segue em frente. Henning observou esse padrão e decidiu questionar essa lógica.
“O Lounge Pit Stop nasce da necessidade de pensar o tempo de uso do espaço de forma distinta — não apenas como passagem ou consumo visual, mas como lugar de convivência. Em um contexto em que a mostra se desdobra em múltiplos cenários, este ambiente propõe uma pausa ativa: sentar, conversar, relaxar”, afirma o arquiteto.
O que realmente diferencia o projeto é a escala de intenção. Não se trata de um café temático, nem de uma área de descanso genérica. O Lounge Pit Stop foi desenhado para que a permanência seja o protagonista — e isso muda toda a lógica compositiva do espaço, desde a escolha dos materiais até o posicionamento dos elementos de vegetação.
Cobogós, madeira clara e uma paleta que não compete com quem está dentro
Na composição do Lounge Pit Stop, as escolhas materiais não são decorativas por acidente. A madeira de tom claro aparece como base quente e acolhedora, equilibrando a paleta predominantemente fria de azul e branco sem criar conflito visual. A combinação funciona porque os tons frios do azul evocam leveza e abertura, enquanto a madeira ancora o ambiente e evita que o espaço pareça asséptico.
Os cobogós esmaltados em branco são o elemento que André Henning aponta como protagonista do projeto. E faz sentido. O cobogó — peça vazada de cerâmica ou concreto com raízes profundas na arquitetura modernista brasileira — tem a capacidade de filtrar luz, criar sombra dinâmica ao longo do dia e delimitar espaços sem fechá-los completamente. Nesse projeto, eles funcionam como a própria fronteira entre o dentro e o fora.
“Ele não é nem estritamente interno nem externo. Tem cobertura, mas suas laterais abertas permitem diálogo visual com diferentes vizinhos, criando uma paisagem interna contínua e plural”, explica Henning.
Essa condição híbrida é rara nos projetos de mostra de arquitetura, onde os ambientes costumam ser totalmente fechados para controle da experiência. Aqui, a abertura lateral não é limitação, é parte da proposta.
Vegetação como camada de identidade
A vegetação abundante no Lounge Pit Stop cumpre uma função que vai além do visual. Plantas em volumes generosos dentro de um lounge de convivência ajudam a criar uma sensação de escala humana, reduzem a percepção de ambiente expositivo e convidam ao relaxamento de forma instintiva. É um recurso amplamente estudado no design biofílico, a corrente do design de interiores que reconhece a conexão entre natureza e bem-estar como parte estrutural do projeto.
Aliás, a vegetação também dialoga diretamente com a paleta escolhida. O verde das plantas encontra o azul e o branco sem competir, reforçando a atmosfera leve que o projeto pretende construir.
O que o Lounge Pit Stop diz sobre a arquitetura de convivência
Dentro da CASACOR Paraná 2026, o Lounge Pit Stop representa uma posição clara sobre como os espaços de convivência devem ser pensados — e ela contraria uma tendência muito comum no design de ambientes contemporâneo, que prioriza o impacto fotográfico sobre o uso real.
“A mostra é, por natureza, um lugar de estímulo constante. O que nos interessou foi pensar o oposto: um ambiente onde a permanência é o protagonista, onde as pessoas possam realmente ocupar o espaço e não apenas atravessá-lo”, diz Henning.
O próprio nome — Pit Stop — carrega uma metáfora precisa. Na Fórmula 1, o pit stop não é uma pausa improdutiva: é o momento estratégico que permite continuar a corrida. Aplicado à arquitetura, a ideia é a mesma. Um espaço que oferece repouso não desacelera a experiência da mostra — ele a potencializa.
“Estamos acostumados a desenhar espaços de consumo — restaurantes, cafeterias, bares. Aqui, a intenção foi desenhar tempo. Um lugar que convida a ficar”, completa o arquiteto.
Sobre André Henning
Formado pela Universidade Positivo e pela Universidad Marista de Mérida (México), Henning é conhecido por projetos que integram espaço, marca e experiência — entre eles a Rua da Música, no Parque Jaime Lerner, o qual ele participou e projetos premiados em edições anteriores da CASACOR Paraná, incluindo um destaque na categoria Comercial em 2022. Além de seu trabalho autoral na arquitetura, Henning é apresentador de TV e cofundador da Go Coffee, local referência em cafés especiais com centenas de unidades pelo Brasil. Mais informações sobre seu trabalho estão disponíveis no perfil oficial no Instagram: @andrehenning.





