Casa de praia no Guarujá une arquitetura contemporânea, materiais naturais e integração total com a paisagem

Projeto de dois pavimentos em terreno de 1.950 m² aposta em pedra moledo, madeira, vidro e soluções sustentáveis para transformar o litoral paulista em extensão da vida doméstica

A construção original não dava conta do recado. O terreno de 1.950 m² no Guarujá, litoral sul de São Paulo, tinha potencial, mas a casa existente não atendia mais às demandas do casal de empresários que o habitava. A decisão foi demolir e recomeçar — desta vez, com intenção clara e projeto assinado pelo arquiteto David Bastos, à frente do escritório DB Arquitetos.

O resultado são 690 m² de área construída implantados no mesmo perímetro da edificação anterior, distribuídos em dois pavimentos que, já na primeira leitura, comunicam a filosofia central do projeto: linhas simples, materiais naturais e uma relação direta entre o interior e a paisagem.

Quando o concreto se torna suporte para a natureza

A estrutura em concreto aparente funciona como pano de fundo. É sobre ela que os demais materiais se apoiam — e é nessa combinação que o projeto ganha personalidade. A pedra moledo, de aspecto bruto e textura irregular, aparece em pontos estratégicos como elemento de ancoragem visual, trazendo peso e autenticidade sem carregar o espaço.

Foto: Fran Parente (@franparente)

A madeira de reflorestamento e os painéis ripados complementam essa paleta, introduzindo calor e ritmo às superfícies. Mas o grande protagonista técnico da fachada e das áreas sociais são os amplos panos de vidro, que resolvem dois problemas ao mesmo tempo: garantem ventilação cruzada e criam uma conexão visual contínua entre os ambientes internos e o verde do entorno.

Foto: Fran Parente (@franparente)

O grande erro em casas de praia é tratar o vidro apenas como elemento estético. Aqui, ele cumpre uma função climática real — a disposição estratégica das aberturas permite que o ar circule sem depender de ar-condicionado o tempo todo, o que faz toda a diferença no litoral.

Térreo integrado, piso superior voltado ao verde

No térreo, a lógica é a da fluidez entre os ambientes sociais. Estar, jantar e adega se abrem diretamente para o espaço gourmet e para a piscina, criando uma sequência de uso que funciona tanto para o cotidiano quanto para receber. Não há barreiras desnecessárias — cada ambiente conversa com o seguinte, e todos convergem para o exterior.

Foto: Fran Parente (@franparente)

No piso superior, a estratégia muda de escala. Os dormitórios se voltam para o verde, aproveitando a vegetação do condomínio fechado como elemento decorativo natural. É nesse andar que o projeto revela um de seus recursos mais expressivos: o pé-direito duplo de 6,7 metros na área social, que amplia visualmente o térreo e cria uma continuidade espacial entre os dois pavimentos. Essa altura generosa não é só estética — ela melhora a circulação do ar e transforma a percepção do espaço.

Sustentabilidade integrada ao projeto, não como acessório

Energia solar, captação de água da chuva e automação residencial são parte da infraestrutura da casa, não adicionais de última hora. Essa escolha reforça um compromisso ambiental que precisa ser pensado desde a planta — e não implementado como correção posterior.

Foto: Fran Parente (@franparente)

A automação, aliás, vai além do conforto operacional. Em uma casa de praia, onde os proprietários nem sempre estão presentes, o controle remoto de iluminação, climatização e segurança transforma a gestão do imóvel. É uma decisão que protege a construção e otimiza o consumo energético ao longo do ano.

Décor: base neutra com identidade própria

A maior parte do mobiliário é novo, o que permitiu construir uma linguagem decorativa coerente com a arquitetura. A base neutra domina — off-whites, areias e tons naturais que não competem com a paisagem exterior. Sobre ela, o azul e o branco aparecem como pontos de cor, em diálogo direto com o mar e o céu do litoral.

Foto: Fran Parente (@franparente)

As fibras naturais — presentes em tapetes, luminárias e tecidos — reforçam a conexão com os materiais construtivos. Não é coincidência: quando a arquitetura usa pedra e madeira, o décor que complementa com juta, rattan e linho cria uma unidade visual que o olho percebe como harmoniosa, mesmo sem conseguir nomear o porquê.

As obras de arte do acervo dos moradores completam a composição. Peças pessoais, de valor sentimental, ancoram o espaço e evitam que a casa pareça um projeto genérico de segunda residência. É esse detalhe que transforma uma casa bem construída em um lar de verdade.

  • Cláudio P. Filla é comunicador social e especialista em mídias digitais, com mais de 11 anos de atuação na curadoria de tendências para o mercado de arquitetura e decoração. Como editor-chefe do Enfeite Decora, Cláudio lidera um conselho editorial composto por arquitetos, designers de interiores e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo que cada artigo combine inspiração visual com rigor técnico e normativo. Sua missão é traduzir o complexo universo da construção e do design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis, sempre sob o respaldo de profissionais renomados do setor brasileiro.

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