Não é apenas uma casa. É um manifesto construído em concreto, vidro e ideias. A Casa de Jaime Lerner, localizada no bairro Juvevê, em Curitiba, tornou-se sede do Instituto Jaime Lerner e, hoje, recebe visitas guiadas que permitem entender de onde surgiram algumas das decisões mais emblemáticas do urbanismo brasileiro contemporâneo.
Aliás, a residência erguida nos anos 1970 não foi pensada como monumento. Era, antes de tudo, o espaço íntimo de um arquiteto que começava a moldar o futuro da cidade. Contudo, ao atravessar seus ambientes, percebe-se que a arquitetura doméstica já dialogava com aquilo que Lerner defendia no espaço público: funcionalidade, clareza estrutural e escala humana.
O legado urbano que ultrapassou a sala de estar
Jaime Lerner foi três vezes prefeito de Curitiba entre as décadas de 1970 e 1990 e, posteriormente, governador do Paraná. Sua gestão viabilizou o sistema de vias expressas para ônibus, embrião do BRT, além de equipamentos urbanos que se tornaram ícones, como o Jardim Botânico de Curitiba, a Ópera de Arame e a Rua 24 Horas.
O que realmente faz a diferença em sua trajetória não é apenas a soma das obras, mas a coerência entre pensamento e execução. O grande erro, quando se fala de planejamento urbano, é reduzir a cidade a estética. Lerner entendia a cidade como organismo vivo, onde mobilidade, paisagem e convivência caminham juntos.
Mesmo após se afastar da vida pública, atuou como consultor internacional e presidiu a União Internacional de Arquitetos (UIA), levando o modelo curitibano para debates globais. Faleceu em 2021, aos 83 anos, deixando uma herança que ultrapassa o concreto e se instala no imaginário urbano.
A casa como extensão do pensamento arquitetônico
Ao visitar o instituto, não espere uma residência cenográfica. A arquitetura é sóbria, direta, sem excessos ornamentais. A estrutura revela o raciocínio construtivo; os ambientes, integrados, reforçam a fluidez espacial. Nesse sentido, a casa funciona como síntese daquilo que Lerner defendia: eficiência com humanidade.
Ambientes bem iluminados, circulação lógica e uma materialidade honesta criam um percurso que ajuda o visitante a compreender o arquiteto para além da figura política. Dessa forma, a experiência não se limita ao acervo; ela convida à reflexão sobre como moramos e como planejamos nossas cidades.
Visitas guiadas: como participar
As visitas guiadas acontecem aos sábados, em datas específicas divulgadas com cerca de duas semanas de antecedência no perfil oficial do instituto. São apenas 35 vagas por grupo, e a reserva abre na segunda-feira seguinte ao anúncio, às 18h. Consequentemente, quem deseja garantir lugar precisa acompanhar as atualizações com atenção — os ingressos se esgotam rapidamente.
O valor da visita é de R$ 60, com possibilidade de meia-entrada para estudantes, professores, doadores de sangue e pessoas com 60 anos ou mais. O endereço é Rua Bom Jesus, 76, no Juvevê.





