À primeira vista, o visitante entra em uma galeria. Em poucos segundos, a percepção muda: o espaço se transforma em um ambiente submerso. Suspensas no ar, esculturas têxteis inspiradas em águas-vivas flutuam como se estivessem em movimento, criando uma experiência imersiva que mistura arte, design e reflexão.
Uma das atrações apresentadas pela by Kamy na Bienal de Arquitetura Brasileira 2026 em São Paulo-SP, a instalação “A Água é Viva” parte do bordado, linguagem central no trabalho da artista visual Elisa Lobo, para construir formas orgânicas que se expandem pelo espaço.
Fios de seda pura se entrelaçam a outros materiais, muitos deles encontrados em rios e oceanos, compondo estruturas que evocam tanto a delicadeza da vida marinha quanto os impactos da ação humana sobre esses ecossistemas.

O contraste é proposital. Ao mesmo tempo em que seduz pela estética, a obra se revela como uma denúncia silenciosa. Os materiais incorporados, frequentemente associados à poluição, são ressignificados no bordado e passam a integrar corpos que representam a vida. A beleza, nesse contexto, funciona como ponto de entrada para uma reflexão mais profunda.
Ao caminhar pela instalação, o visitante é convidado a desacelerar e observar. Os detalhes do bordado revelam uma riqueza de texturas que remetem ao universo marinho, ora lembrando rendas, ora estruturas orgânicas, ora superfícies em transformação. Fios que se estendem como tentáculos criam um jogo entre leveza e tensão, beleza e risco.
Essa dualidade é central na obra, desenvolvida por Elisa ao longo de quatro anos (2013-2017). As águas-vivas, figuras ao mesmo tempo fascinantes e perigosas, funcionam como metáfora para um ecossistema em equilíbrio delicado. Suspensas entre o chão e o teto, elas ocupam o espaço como um lembrete da fragilidade, assim como da urgência, das questões ambientais.
Bordado como linguagem, design como transformação social

A instalação também amplia o alcance do projeto social 1+1+by Kamy, iniciativa da marca que capacita mulheres de Carmo da Cachoeira, no sul de Minas Gerais, por meio do ensino do bordado. Sob orientação de Elisa Lobo, o grupo desenvolve peças que unem técnica, expressão artística e geração de renda.
Mais do que preservar um saber manual, o projeto cria novas possibilidades de atuação profissional e fortalece a autonomia das participantes. A prática do bordado, nesse contexto, deixa de ser apenas um ofício e passa a atuar como ferramenta de transformação social. Na exposição apresentada na BAB 2026, esse diálogo se estende para outras criações do coletivo, como as tapeçarias e almofadas desenvolvidas a partir das obras de Lelli de Orléans e Bragança, que reforçam a conexão entre arte, natureza e produção manual.

Serviço
Bienal de Arquitetura Brasileira 2026 – BAB
Até 30 de abril
12h às 21h
Pavilhão das Culturas Brasileiras (Pacubra), Parque Ibirapuera, São Paulo-SP
Informações e ingressos: clique aqui
by Kamy
bykamy.com.br
Assessoria de Imprensa – by Kamy
Denise Delalamo Comunicação
Thiago Ienco
Pedro Soares






