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Brises, cobogós e muxarabis: quando aplicar cada uma dessas divisórias no projeto de arquitetura?

A versatilidade dessas soluções combina design inovador e eficiência na arquitetura contemporânea para as funções de separar, mas sem dividir

Por Cláudio Filla
11 de outubro de 2025
em Arquitetura
O acesso principal da casa assinado pelo arquiteto Raphael Wittmann destaca o Cobogó Sol. Na face sudeste, ele garantiu o frescor da ventilação natural e luz no interior da edificação. À direita, um recorte ilustra o desenho da peça | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design | Foto: Juliana Deeke

O acesso principal da casa assinado pelo arquiteto Raphael Wittmann destaca o Cobogó Sol. Na face sudeste, ele garantiu o frescor da ventilação natural e luz no interior da edificação. À direita, um recorte ilustra o desenho da peça | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design | Foto: Juliana Deeke

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Na arquitetura, forma e função caminham lado a lado e é nesse equilíbrio que os elementos que aliam funcionalidade à estética se tornam cada vez mais queridos. No caso dos brises, cobogós e muxarabis, as soluções se destacam na capacidade de controlar a entrada de luz, promover ventilação natural e proporcionar privacidade, além de, claro, deixar cada ambiente com um charme marcante.

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“Brises, cobogós e muxarabis são itens inteligentes que elevam qualquer projeto no que diz respeito à sustentabilidade e funcionalidade. Junto com design, considero que todos eles acrescentam um grande apelo visual aliado com a personalidade e o frescor aos locais onde estão inseridos” explica o arquiteto Raphael Wittmann, à frente do escritório Rawi Arquitetura + Design.

Destrinchando um a um

Para relacionar os diferenciais entre os três, o arquiteto compreende que é importante entender como cada um filtra a luz e ventilação de maneiras distintas. Dessa forma, ele analisa as necessidades específicas de conforto, estética e serventia do projeto para, só então, decidir qual especificar. Além disso, os materiais utilizados na composição variam, influenciando diretamente o desempenho e a aplicação ideal em diferentes projetos arquitetônicos.

Muxarabis

Brises, cobogós e muxarabis: quando aplicar cada uma dessas divisórias no projeto de arquitetura?
No projeto de marcenaria executado pelo arquiteto Raphael Wittmann para a área social deste apartamento, a porta pivotante, com acabamento muxarabi, assumiu o protagonismo do living, recebendo moradores e visitantes que chegam pelo hall de entrada. Com seu design elegante e único, assim como nos nichos que a ladeiam, ela atrai imediatamente os olhares, entregando uma primeira impressão impactante e acolhedora | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design | Foto: Rafael Renzo

Originários da arquitetura árabe, os muxarabis foram amplamente adotados em regiões como o Norte da África e a Península Ibérica. Trazidos a partir dos portugueses para a arquitetura brasileira, se revelam, originalmente, na forma de gradis ou treliças de madeira, mas também são empregados com outros tipos de materiais na função de criar divisórias ou cumprir o papel de revestimentos ou fechamentos de janelas e varandas.

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“Uma das particularidades mais interessantes do muxarabi é o jogo de luz e privacidade que ele proporciona. Quem está dentro consegue enxergar o exterior, mas quem está fora só consegue visualizar o treliçado” explica Raphael.

De quartos a varandas, o muxarabi é um queridinho e é perfeito para ambientes que precisam de ventilação e luminosidade controladas e flexíveis. Também é comum estar em portas de entrada, de armários, closets, paredes internas e painéis decorativos.

Cobogós

Brises, cobogós e muxarabis: quando aplicar cada uma dessas divisórias no projeto de arquitetura?
Feitos de tijolos, os cobogós especificados pelo arquiteto Raphael Wittmann permitem a passagem de ventilação e iluminação aos ambientes do andar inferior da edificação | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design | Foto: Juliana Deeke

Amplamente aclamado por sua brasilidade, os cobogós surgiram em nosso país durante o movimento modernista na arquitetura e foram inspirados nos grafismos dos muxarabis. Compostos por peças vazadas de cerâmica, barro, porcelana, concreto, vidro e até madeira, eles funcionam como divisórias, fachadas ou como decoração.

“Os cobogós entregam jogos de sombras fascinantes, dando um toque de ludicidade aos ambientes. São ideais para locais que precisam de privacidade permanente e controle constante de luz, como corredores e fachadas”, avalia o arquiteto.

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Brises

Brises, cobogós e muxarabis: quando aplicar cada uma dessas divisórias no projeto de arquitetura?
Nessa sala assinada pelo arquiteto Raphael Wittmann, o aspecto visual da iluminação natural é evidenciado pelo brise-soleil presente na fachada do edifício | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design | Foto: Alexandre Disaro

Nascido da mente do arquiteto e urbanista francês, Le Corbusier, ainda no século XX, os brises são compostos por lâminas dispostas vertical ou horizontalmente e reverberaram com força na arquitetura contemporânea brasileira como uma solução versátil para fachadas, principalmente corporativas.

Brises, cobogós e muxarabis: quando aplicar cada uma dessas divisórias no projeto de arquitetura?
Madeira, alumínio, aço, concreto e até materiais compostos são comumente empregados na fabricação dos brises. De acordo com o arquiteto Raphael Wittmann, a madeira entrega um viés de aconchego que combina com os projetos residenciais, enquanto o alumínio e o aço são bastante considerados em grandes construções graças à baixa necessidade de manutenção. Por sua vez, o concreto é excelente para fachadas robustas, proporcionando um visual durável | Foto: Divulgação

“Podem ser fixos ou móveis e até automatizados, permitindo personalizar a luminosidade e o conforto térmico ao longo do dia. Gosto dos brises nas fachadas com maior exposição ao sol para equilibrar a entrada de luz e calor”, afirma o profissional.

Dicas do especialista

Brises, cobogós e muxarabis: quando aplicar cada uma dessas divisórias no projeto de arquitetura?
Neste hall de entrada, o arquiteto Raphael Wittmann desenhou um banco suspenso, em Jequitibá Rosa, que também atende a finalidade de armazenar os sapatos. E para prover a ventilação que evitará maus odores, o muxarabi completou o visual das portas | Projeto do escritório Rawi Arquitetura + Design | Foto: Rafael Renzo

Embora existam indicações tradicionais de uso para brises, cobogós e muxarabis, Raphael explana que não há restrição alguma para que suas atribuições sejam engessadas. Ele exemplifica que um cobogó pode se transformar em uma cabeceira ou balcão de cozinha e os muxarabis se ajustam como portas de armário ou painéis decorativos em salas. Por fim, além das fachadas, os brises podem integrar pergolados ou até mesmo tetos retráteis.“Tudo depende da funcionalidade desejada, da proposta estética e da personalização que o ambiente requer”, diz ele.

Bônus Track do arquiteto

  1. A decisão pelo material adequado: “Se o elemento tiver contato com a área externa, priorizo materiais resistentes ao sol e à chuva, como madeiras tratadas ou alumínio”, recomenda;
  1. A importância da carta solar: de acordo com o especialista, a posição do sol interfere diretamente na escolha entre brises horizontais ou verticais que garantirão a eficiência máxima;
  1. Design funcional: quando o orçamento comporta, ele indica a automatização de brises ou muxarabis para a articulação que eleva o conforto e a praticidade no dia a dia.
  • Brises, cobogós e muxarabis: quando aplicar cada uma dessas divisórias no projeto de arquitetura?
    Cláudio Filla

    Cláudio P. Filla é comunicador social e especialista em mídias digitais, com mais de 11 anos de atuação na curadoria de tendências para o mercado de arquitetura e decoração. Como editor-chefe do Enfeite Decora, Cláudio lidera um conselho editorial composto por arquitetos, designers de interiores e paisagistas registrados (CAU/ABD), garantindo que cada artigo combine inspiração visual com rigor técnico e normativo. Sua missão é traduzir o complexo universo da construção e do design em soluções práticas, sustentáveis e acessíveis, sempre sob o respaldo de profissionais renomados do setor brasileiro.

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  • RAWI ARQUITETURA + DESIGN

    Projetos personalizados que unem arquitetura e design contemporâneos à alma brasileira. Na Rawi Arquitetura, sob o comando do arquiteto Raphael Wittmann e com mais de uma década de atuação, buscamos conceber espaços que transcendem o convencional, onde a interação entre formas, vazios, percursos, texturas e cores é uma consequência da busca por experiências e memórias inesquecíveis.

    Nosso trabalho diversificado abrange reformas, retrofits, interiores, decoração e projetos arquitetônicos, incluindo também orientações na escolha de terrenos ou imóveis. A nossa abordagem é uma fusão entre a cultura brasileira e a estética contemporânea, sempre sob uma perspectiva sensível e, ao mesmo tempo, crítica e inovadora. Utilizamos materiais na sua essência, elementos artesanais, cores e pré-existências em nossas composições.

    Cada projeto é uma jornada personalizada, onde valorizamos a singularidade de cada pessoa, com suas vivências e histórias. Fazemos um mergulho em suas experiências, memórias, estilo de vida, desejos e sonhos, conectando esses importantes ingredientes ao contexto do local e às exigências do conforto ambiental, sempre com foco na sustentabilidade e no uso racional de recursos e materiais.

    Nossa missão é transformar a arquitetura em uma experiência poética e reveladora, que não atenda apenas às necessidades funcionais, mas também esteja conectada ao ambiente e ressoe com o ritmo pessoal e o contexto cultural de cada indivíduo. Com mais de 100 projetos residenciais e comerciais realizados em São Paulo e em outros estados, nossa equipe de arquitetos e designers de interiores é dedicada a proporcionar experiências únicas a cada cliente.

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