Resumo
• A Biblioteca dos Saberes será a primeira obra de Francis Kéré na América do Sul, unindo arquitetura, território e cultura no coração do Rio.
• Com 40 mil m², o projeto destaca cobogós, jardins suspensos e uma torre circular iluminada que simboliza conhecimento e encontro.
• O edifício se integra ao Terreirão do Samba e à Pequena África, reforçando a memória e a identidade afro-brasileira no espaço urbano.
• O programa inclui teatro, salas de estudo, áreas expositivas, cozinhas comunitárias, acervos e terraços, ampliando a experiência cultural.
• A biblioteca é parte do programa Praça Onze Maravilha e integra o legado do Rio Capital Mundial do Livro, fortalecendo a rede cultural da cidade.
A escala do Rio de Janeiro sempre inspirou arquitetos que enxergam na paisagem uma potência para criar espaços de convivência e expressão coletiva. É nesse cenário carregado de história, memórias ancestrais e fluxo urbano pulsante que se insere a Biblioteca dos Saberes, primeira obra de Francis Kéré na América do Sul. Reconhecido mundialmente e vencedor do Pritzker 2022, o arquiteto de Burkina Faso propõe, no Rio, um equipamento que vai muito além do papel tradicional de uma biblioteca: trata-se de um centro vivo de cultura, diálogo e permanência, pensado para reconectar cidade, população e território.
Com uma estrutura que ultrapassa 40 mil metros quadrados, marcada pela presença de cobogós, jardins suspensos, ventilação cruzada e aberturas generosas, o projeto nasce como referência arquitetônica e social. É uma obra que traduz o encontro entre saberes populares e práticas contemporâneas, celebrando a identidade carioca e ampliando espaços de fruição cultural na região do Terreirão do Samba, ao lado do monumento a Zumbi dos Palmares e do circuito da Pequena África.
Arquitetura que respira território
O desenho de Kéré para a Biblioteca dos Saberes equilibra monumentalidade e leveza. A estrutura, apoiada sobre pilotis, favorece o caminhar livre, enquanto os brises e cobogós filtram a luz de modo semelhante ao que árvores fazem ao sombrear uma praça africana. A permeabilidade do edifício reforça sua função social: não há barreiras simbólicas, mas passagens fluidas que acolhem moradores, estudantes, pesquisadores, trabalhadores e visitantes.

A escolha por jardins suspensos não é estética apenas; eles estabelecem continuidade entre paisagem construída e natural, resgatando a sensibilidade climática presente em muitas das obras de Kéré ao redor do mundo. A ideia é que o visitante perceba o edifício como extensão do território, e não como um bloco isolado da vida urbana.
No coração da construção terracota, ergue-se uma torre circular de quatro andares, coroada por uma abertura superior que permite entrada abundante de luz natural. Essa claraboia vertical simboliza tanto a relação do Rio com suas formações geográficas quanto a árvore que, nas comunidades africanas, funciona como centro de encontro, educação e troca de saberes. A luz, aqui, não é apenas iluminação: é metáfora para conhecimento.
Programa arquitetônico que amplia a experiência cultural
A Biblioteca dos Saberes nasce para ser múltipla. Contará com teatro, anfiteatro, salas de estudo, cozinhas comunitárias, áreas expositivas, acervos temáticos, pátios cobertos, um café e terraços ajardinados. O conjunto materializa a ideia de biblioteca contemporânea como lugar de convivência, produção de conhecimento e vivência cultural – um espaço onde se aprende tanto nos livros quanto no encontro com outras pessoas.
O acervo, previsto para resgatar a memória da cidade, suas manifestações populares e sua biodiversidade, reforça o papel do equipamento como guardião da identidade carioca e das narrativas afro-brasileiras que fazem parte da história do território. Contudo, ainda não há data anunciada para a inauguração.
Praça Onze Maravilha: um novo capítulo urbano para o Rio

A implantação da Biblioteca dos Saberes integra o ambicioso programa Praça Onze Maravilha, que prevê mais de R$ 1,75 bilhão em intervenções urbanas destinadas a revitalizar toda a região do Sambódromo. O plano articula melhorias estruturais, culturais e paisagísticas, reposicionando a área como polo de convivência e circulação.
Nesse mesmo eixo urbano, estão previstos o Centro Cultural Rio-África, assinado pelo arquiteto Marcos Damon, e o novo Parque do Porto, projetado por Duda Porto. A presença desses equipamentos reforça a intenção de valorizar o passado, projetar o futuro e criar conexões que facilitem o acesso de moradores e turistas a espaços culturais de qualidade.
Uma âncora da rede Rio Capital Mundial do Livro
A Biblioteca dos Saberes também é um dos principais legados da agenda Rio Capital Mundial do Livro, iniciativa que fortalece bibliotecas públicas e comunitárias, amplia o acesso ao conhecimento e incentiva a formação de novos leitores. Com vocação para atuar como equipamento âncora dessa rede cultural, o espaço vai integrar iniciativas já existentes e impulsionar o fluxo cultural pela região, estimulando a circulação e ocupação dos espaços públicos.

Ao unir arquitetura de excelência, valorização do território e programas culturais permanentes, a Biblioteca dos Saberes nasce como símbolo de uma cidade que reconhece a potência de sua diversidade e entende a cultura como pilares estruturantes de seu futuro.





